Home
/
Noticias
/
Economia
/
Jegue Land nasce para impulsionar pesquisa e cadeia produtiva dos asininos no Nordeste
Jegue Land nasce para impulsionar pesquisa e cadeia produtiva dos asininos no Nordeste
Por Redação
23/09/2026 às 10:33
Foto: Divulgação
A iniciativa já atua em parceria com pesquisadores de instituições públicas de ensino superior
Uma fazenda implantada no sertão baiano pretende tornar-se referência no estudo e no desenvolvimento da pecuária asinina no Semiárido brasileiro. Com o sugestivo nome de Jegue Land, o projeto foi criado para apoiar pesquisas, conservar recursos genéticos e desenvolver modelos sustentáveis de produção, contribuindo para estruturar uma cadeia que reúne atividades como reprodução, produção de leite e derivados, cosméticos, alimentos, carne e outros produtos de valor agregado.
A iniciativa já atua em parceria com pesquisadores de instituições públicas de ensino superior, entre elas a Universidade Federal de Viçosa (UFV), a Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Concebida como um laboratório a céu aberto, a fazenda busca aproximar o conhecimento científico dos saberes tradicionais do campo, desenvolvendo tecnologias adaptadas às condições climáticas, ambientais e produtivas da Caatinga.
As atividades são organizadas em cinco áreas principais: conservação e genética; nutrição e uso de forragens disponíveis no Semiárido; manejo reprodutivo e sanitário; bem-estar animal; e avaliação da viabilidade econômica da cadeia produtiva. O acompanhamento abrangerá todas as fases de criação, recria e engorda, com a geração de indicadores sobre fertilidade, nascimento, crescimento, ganho de peso, conversão alimentar, qualidade da produção e custos da atividade.
“A Jegue Land não é apenas uma fazenda voltada à conservação e à ciência animal. É uma iniciativa de respeito à cultura nordestina e uma aposta científica no potencial ainda pouco aproveitado do Semiárido, mostrando que sustentabilidade, preservação, conhecimento e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos”, afirma o administrador e zootecnista Alex Bastos. Segundo ele, o projeto também permitirá avaliar dietas baseadas em recursos acessíveis aos produtores e estabelecer padrões de manejo que respeitem as características da espécie.
Ciência e inovação
Na área de reprodução, estão previstos estudos sobre inseminação artificial, produção de embriões in vitro, criopreservação de sêmen e embriões e transferência de embriões. O objetivo é preservar a diversidade genética, multiplicar animais com características de interesse zootécnico e contribuir para o melhoramento sustentável dos rebanhos. “Essa área ainda carece de pesquisa. Nosso trabalho busca auxiliar na preservação e no melhoramento genético dos asininos diante da crescente demanda por animais e produtos como leite, queijo, cosméticos, carne e pele”, explica a médica-veterinária e pesquisadora da UFV Yamê Fabres.
Para o professor e pesquisador da UFRPE Gustavo Carneiro, o projeto representa um marco para a valorização do jumento. “A proposta é transformar a Jegue Land em um polo de ciência, tecnologia e inovação dedicado aos asininos, apoiando pesquisas em reprodução, genética, sanidade, nutrição e comportamento, além do desenvolvimento de produtos derivados do leite. É uma oportunidade de mudar a forma como enxergamos a espécie e reconhecer seu valor genético, científico, econômico e social”, destaca.
Docente e pesquisador da UFAPE, Jorge Lucena ressalta que a participação das universidades aproxima as tecnologias desenvolvidas nos centros de pesquisa da realidade dos criadores. “A Jegue Land poderá funcionar como uma vitrine para o setor, demonstrando práticas mais eficientes de reprodução, alimentação, ordenha e manejo. O conhecimento gerado precisa chegar aos produtores por meio da extensão, estimulando novas atividades econômicas e contribuindo para o desenvolvimento sustentável da cadeia dos asininos no Nordeste”, conclui.
