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Impossível crise no STF não prejudicar Lula e seus candidatos, por Raul Monteiro

Impossível crise no STF não prejudicar Lula e seus candidatos, por Raul Monteiro

Por Raul Monteiro*

17/09/2026 às 07:11

Atualizado em 17/09/2026 às 18:00

Foto: Ricardo Stuckert/Arquivo/PR

Imagem de Impossível crise no STF não prejudicar Lula e seus candidatos, por Raul Monteiro

O presidente Lula

Não é necessária nenhuma pesquisa de intenção de votos para saber que Lula sai imensamente prejudicado com a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), aprofundada pela sessão vexatória de terça-feira, em que os ministros alinhados ao presidente decidiram blindar o colega Alexandre de Moraes de investigações sobre suas relações com Daniel Vorcado, o maior fraudador da história do sistema financeiro brasileiro. E que, naturalmente, seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), foi o maior vencedor do espetáculo, por se apresentar como o candidato que pode restaurar a Corte máxima do país, por mais que seu histórico familiar não inspire confiança.

O mais curioso, no entanto, foi ter assistido no dia seguinte ao presidente tentando, de forma quase patética, se dissociar da imagem de Moraes para não arcar com as consequências negativas do plano de absolvição do ministro, quando poderia muito bem ter usado seu poder para articular um desfecho que o desfavorecesse menos, caso tivesse lideranças com capacidade de interlocução para ajudá-lo num momento crucial da campanha eleitoral. De fato, a crise do STF não caiu apenas no colo de lula, mas decorre de um desajuste muito mais grave da República brasileira, detonada por autoridades que buscam usar seus espaços de poder e influência em benefício próprio. 

Não há porque achar que André Mendonça, apontado como o pivô dos conflitos que o STF protagoniza de forma vergonhosa agora, agiu com ingenuidade quando deu publicidade a uma investigação em que Moraes aparece na condição de uma espécie de consultor de Vorcaro, com cujo banco a mulher do ministro já havia celebrado um contrato fabuloso de R$ 134 milhões, muito acima dos padrões normais. Como disse o ministro Gilmar Mendes, até a escolha do dia para colocar o bloco na rua, o 7 de Setembro, já descortinaria suas intenções políticas, voltadas a favorecer a candidatura de Flávio, cujo pai, o ex-presidente Jair, preso por ordem de Moraes, o indicou ao Supremo.

O plano de Mendonça, no entanto, não teria qualquer repercussão se as gravações não tivessem revelado a forma como Vorcaro usava Moraes, motivo porque o STF tem a obrigação de investigar - o que não significa afastar de pronto nem cassar seu mandato - o ministro a fim de apurar se as revelações são verdadeiras. Mas os ministros alinhados ao presidente Lula - alguns indicados por ele, outros por uma afinidade construída a partir dos ataques que Bolsonaro, o pai, passou a desferir contra a Corte desde que tomou posse como presidente - acabaram bloqueando a abertura do inquérito, o que certamente será entendido como um conluio com o presidente Lula.

Dada a maneira como os ministros do STF se comportam há anos, não era exatamente imprevisível que a Corte acabasse explodindo em algum momento numa grande crise cuja saída fosse um apelo por uma restauração completa. O componente complicado desse processo, no entanto, é a proximidade das eleições e, naturalmente, seu uso populista e eleitoreiro que, ao final, pode resultar numa grande pizza, como se está cansado de assistir. A eventual queda de Lula é apenas uma de suas consequências, com repercussões para o jogo eleitoral todo o país, principalmente na Bahia, onde o governador Jerônimo Rodrigues (PT) conta basicamente com ele para se reeleger. 

*Artigo do editor Raul Monteiro Publicado na edição de hoje da Tribuna.

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