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Datafolha: 37% avaliam o Congresso Nacional como ruim ou péssimo e 18% como ótimo ou bom
Datafolha: 37% avaliam o Congresso Nacional como ruim ou péssimo e 18% como ótimo ou bom
Em maio, avaliação de deputados federais e senadores também foi de 37% para ruim ou péssimo, e de 15% para ótimo ou bom
Por Juliana Arreguy/Folhapress
26/09/2026 às 20:00
Atualizado em 26/09/2026 às 19:40
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado/Arquivo
Sessão conjunta do Congresso Nacional
A pouco mais de uma semana para as eleições, 37% dos eleitores avaliam o Congresso Nacional como ruim ou péssimo e 18% como ótimo ou bom, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (26).
Ao instituto, 40% dos entrevistados disseram considerar o trabalho de deputados federais e senadores como regular, enquanto 6% disseram não saber. Os eleitores tiveram de classificar o desempenho dos congressistas em uma escala de 1 a 5, onde 1 corresponde a ótimo e 5, a péssimo.
O Datafolha ouviu 2.002 eleitores de 22 a 23 de setembro em 125 municípios brasileiros. A margem de erro geral é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com índice de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o código BR-00304/2026 e foi contratada pela Folha e pela TV Globo.
A avaliação sobre o desempenho dos congressistas se mantém próxima aos números apresentados pelo instituto em maio, quando 37% consideraram ruim ou péssimo, 15% bom ou ótimo, e 43% regular.
Segundo a pesquisa divulgada neste sábado, 22% dos eleitores do presidente Lula (PT) avaliam o Congresso de forma positiva, enquanto o índice é de 15% entre os que declararam voto no senador Flávio Bolsonaro (PL).
A percepção de ruim ou péssimo é maior entre os homens (43%) do que entre as mulheres (32%), e entre quem declarou renda acima de cinco salários mínimos por mês (51%), ante os que recebem até dois salários mínimos (30%).
A avaliação também é pior em todas as regiões brasileiras. Classificaram como ruim ou péssimo 41% no Sudeste, 36% no Sul, 32% no Nordeste e 38% no Centro-Oeste e Norte.
Já os que enxergam como ótimo ou bom, 16% são do Sudeste, 16% do Sul, 21% do Nordeste e 17% de Centro-Oeste e Norte.
Na próxima semana, os brasileiros vão eleger 513 deputados federais, distribuídos por bancadas proporcionais à população dos estados, e 54 senadores, o equivalente a duas cadeiras por unidade federativa.
A eleição ao Senado é considerada prioritária por muitas campanhas, porque, neste ano, renovará dois terços da casa legislativa. Por isso, candidaturas de direita, em especial as bolsonaristas, buscam conquistar a maioria das cadeiras para conseguir pautar o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
As campanhas de esquerda têm alertado ser necessário eleger o máximo de quadros no Legislativo para aprovar projetos de interesse de um eventual novo governo Lula, caso o presidente seja reeleito.
Congresso fortalecido
Estudo publicado em agosto pela Fundação Fernando Henrique Cardoso indica o Congresso está cada vez mais forte em função de emendas orçamentárias e regras informais, que concentram o poder nas presidências de cada Casa, esvaziam o trabalho de comissões e reduzem a transparência interna.
Como exemplo, o documento da fundação citou o fato de os sistemas de votação das casas legislativas permitirem o voto à distância, medida que havia sido adotada durante a pandemia de Covid-19 e até hoje não foi revogada.
Isso permite que congressistas não estejam fisicamente presentes no plenário para as votações, como no caso do senador Romário (PL-RJ), que não se licenciou durante o período em que acompanhou a Copa do Mundo in loco nos Estados Unidos.
Apesar da força do Congresso, em junho deste ano, 75% dos brasileiros diziam não se lembrar ou não saber citar o nome de um senador, enquanto 68% diziam o mesmo sobre deputados federais.
A crise do Banco Master implicou diversos deputados e senadores, incluindo os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Mensagens extraídas pela Polícia Federal indicam, inclusive, relação de amizade entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Alcolumbre.
Reportagem do jornal Folha de São Paulo mostrou que Vorcaro bancava viagens de modelos internacionais, até o Brasil, com jatinhos e hotéis de luxo como forma de cortejar a elite política brasileira.
No entanto, as relações de ministros do Supremo com o ex-banqueiro provocaram maior impacto na percepção dos eleitores, já que, na semana passada, o Datafolha mostrou que a desconfiança sobre o STF superou numericamente, pela primeira vez, a observada em outras instituições.
A avaliação negativa do trabalho dos ministros do STF atingiu seu índice mais alto na série histórica iniciada em 2019 e registrou 47% neste sábado. A maioria do eleitorado brasileiro é favorável à aprovação de um código de ética específico para ministros da corte.
