/

Home

/

Noticias

/

Economia

/

Bolsa fecha em queda após decisão do Fed, com Copom e petróleo no radar; dólar fica estável

Bolsa fecha em queda após decisão do Fed, com Copom e petróleo no radar; dólar fica estável

Banco central americano eleva juros nos EUA e fortalece ativos americanos; Copom deve cortar Selic e reduzir diferencial de juros

Por Folhapress

16/09/2026 às 18:45

Foto: Divulgação/Arquivo

Imagem de Bolsa fecha em queda após decisão do Fed, com Copom e petróleo no radar; dólar fica estável

Bolsa de Valores

A Bolsa fechou em queda de 0,51%, a 185.547 pontos, nesta quarta-feira (16), com investidores repercutindo a alta dos juros dos EUA pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) em decisão unânime.

O Fed aumentou a taxa em 0,25 ponto percentual para a faixa entre 3,75% e 4%, em linha com as expectativas da maioria dos operadores. A decisão ocorre no mesmo dia da definição do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, cuja expectativa é de corte da Selic para 13,75% ao ano, ante os 14% atuais.

Se confirmada, a redução doméstica de juros diminuirá o diferencial de juros entre Brasil e EUA, que tem favorecido ativos como real e Bolsa.

Também impactado pelo cenário, o dólar encerrou o dia em queda de 0,02%, a R$ 5,152. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante seis outras divisas, avançou 0,63%.

As atenções dos investidores estiveram voltadas para a decisão de juros do banco central dos EUA. A expectativa pela definição do Copom também esteve no radar.

Na tarde desta quarta, o Fed anunciou a primeira alta dos juros desde julho de 2023. Naquele mês, a taxa foi elevada para a faixa de 5,25% a 5,50% ao ano, o maior nível em 22 anos. Desde então, os juros foram reduzidos e, posteriormente, mantidos até chegar à faixa anterior de 3,5% a 3,75%.

Segundo o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), o aumento para 3,75% a foi tomada por unanimidade pelos 12 membros do colegiado. O comunicado afirma que a inflação permanece elevada e que a medida contribuirá para um retorno mais rápido à meta de 2%.

"A atividade econômica está se expandindo em ritmo sólido. Embora a incerteza permaneça elevada, em parte devido a acontecimentos geopolíticos, os gastos domésticos têm se mostrado resilientes. O crescimento da produtividade é forte, e os investimentos de capital permanecem robustos. A criação de empregos tem acompanhado o crescimento da força de trabalho", afirma o documento.

A decisão acompanhou a previsão de analistas do mercado. A expectativa de alta, que antes estava concentrada na reunião de outubro, passou a incluir a desta quarta-feira em meio à persistência da inflação no país.

O PCE, indicador de inflação preferido do Fed, subiu 3,7% nos 12 meses até julho. O CPI (índice de preços ao consumidor), último indicador divulgado antes da reunião, também avançou: a inflação acumulada em 12 meses até agosto foi de 3,4%, mesma taxa registrada em julho.

A decisão ocorre em meio a choques de oferta provocados pelo conflito no Oriente Médio. Nas últimas semanas, a guerra escalou, com novos ataques entre EUA e Irã e ofensivas contra embarcações e instalações de petróleo. O estreito de Hormuz também teve os fluxos interrompidos, e as cotações do petróleo voltaram a superar US$ 100.

"A inflação é o problema. A estabilidade dos preços vem sendo o problema há mais de cinco anos e meio", disse Kevin Warsh, presidente do Fed, após a decisão.

Nos EUA, a decisão pressionou as Bolsas americanas. S&P 500 e Dow Jones encerraram o dia em quedas de 0,67% e 1,21%.

O dia também foi marcado pela decisão do Copom, que será divulgada a partir das 18h, após o fechamento do mercado. A mediana das estimativas de analistas consultados pela Bloomberg é de redução da Selic de 14% para 13,75% ao ano.

Por aqui, analistas apontam a melhora dos indicadores de inflação como um dos fatores que justificam a redução da taxa básica de juros. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou para 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto.

Caso a redução se confirme, as decisões tendem a reduzir a atratividade da estratégia de carry trade. Nela, investidores tomam recursos em economias com taxas de juros mais baixas, como os EUA, e aplicam em países com juros mais altos, como o Brasil.

"A combinação resultaria na redução do diferencial de juros, que estava dando apoio ao nível da taxa de câmbio no Brasil, em especial no período eleitoral que costuma trazer mais volatilidade. Os fatores podem se somar para os avessos ao risco reduzirem posição no Brasil", diz Márcio Riauba, head da mesa de operações da StoneX.

Algo similar é dito por Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue. "Juros dos Estados Unidos ficam 0,5 ponto percentual mais próximos dos do Brasil. Isso torna o cenário para o carry trade no nosso país menos atrativo. A operação serviu como um dos grandes colchões para o real recentemente.

A tensão no conflito envolvendo EUA e Irã seguiu no radar dos investidores. Nesta quarta-feira, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, recuou quase 3%. Ao contrário da véspera, a baixa dos preços pesou sobre os ativos locais, em especial as ações da Petrobras, que caíram mais de 3%.

O recuo ocorreu após ser noticiado que autoridades dos Estados Unidos se reuniram com representantes dos houthis no fim de semana, segundo cinco fontes familiarizadas com o assunto.

De acordo com pessoas a par das conversas, os houthis disseram às autoridades americanas que não tinham intenção de atacar embarcações dos Estados Unidos e que estavam comprometidos com o cessar-fogo firmado com os EUA em 2025, segundo duas fontes.

Desde a semana passada, o grupo do Iêmen passou a atacar cidades sauditas, atingindo oleodutos e refinarias e interrompendo o tráfego pelo estreito de Bab el-Mandeb, uma das rotas alternativas ao estreito de Hormuz.

A queda dos preços reduz as expectativas de alta da inflação, o que diminui a cautela dos investidores e favorece ativos de risco. Por outro lado, o movimento prejudica as perspectivas de receita e rentabilidade das empresas produtoras, caso das petrolíferas brasileiras.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.