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Após depoimento, defesa de Vorcaro diz que conversas com 'A Turma' eram desabafos de indignação
Após depoimento, defesa de Vorcaro diz que conversas com 'A Turma' eram desabafos de indignação
Ex-banqueiro foi ouvido no inquérito sobre milícia privada que seria utilizada para intimidar pessoas consideradas adversárias do Master
Por Constança Rezende/Folhapress
30/09/2026 às 20:15
Atualizado em 30/09/2026 às 20:24
Foto: Reprodução/YouTube
Daniel Vorcaro
A defesa de Daniel Vorcaro, do Banco Master, relacionou falas encontradas no celular do ex-banqueiro investigadas pela Polícia Federal como possíveis ameaças a inimigos como "desabafos, oriundos de recortes maliciosos de mensagens privadas".
A afirmação foi feita, por meio de nota, após o ex-banqueiro prestar depoimento de cerca de duas horas à Polícia Federal, nesta quarta-feira (30), de forma virtual. Vorcaro foi ouvido no inquérito sobre "A Turma", grupo que seria utilizado para intimidar pessoas consideradas adversárias do banco.
"Foi irrefutavelmente esclarecido que o investigado jamais praticou, determinou ou se envolveu em qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra quem quer que seja", diz o comunicado.
Ainda de acordo com os advogados de Vorcaro, as falas do ex-banqueiro no grupo "foram proferidas em momentos de indignação" e "jamais redundaram em consequências práticas ou em qualquer risco real a terceiros".
A decisão de prender novamente Vorcaro, em março deste ano, do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), cita falas encontradas no celular de Vorcaro em tom de ameaça contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Nos diálogos, Vorcaro, referindo-se a Lauro, afirma que "tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele". Em seguida, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário e integrante do grupo, responde: "Vou fazer isto".
Em outra troca de mensagens citada, Vorcaro diz "Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto".
A PF relata que Sicário recebia R$ 1 milhão por mês pelo trabalho, que incluía acesso a informações sigilosas, coação e fabricação de dossiês.
Mourão cometeu suicídio na cela da Superintendência da PF de Minas Gerais em 4 de março, logo após ser preso durante uma das fases da operação Compliance Zero, que investiga o banco.
A defesa de Vorcaro afirmou que ele conhecia apenas Mourão da chamada "A Turma" e que teria um contrato formal e lícito com ele de prestação de serviços de inteligência e segurança digital.
"Ficou comprovado que tais expressões jamais designaram grupos específicos ou estruturas organizadas, evidenciado que não há qualquer tipo de ilicitude ou prática criminosa que possa ser atribuída a Daniel Vorcaro", sustentou a defesa.
A Polícia Federal também detectou que o grupo obteve informações de processos sigilosos por meio de consultas registradas nos logins funcionais de servidores do MPF (Ministério Público Federal).
A defesa, porém, afirmou que o depoimento evidenciou, de forma contundente, que Vorcaro sempre buscou a adoção de medidas jurídicas e oficiais cabíveis em situações de contrariedade, "sem jamais solicitar acesso indevido a sistemas restritos ou qualquer tipo de providência ilegal".
Os advogados também afirmaram que ficou demonstrada a inexistência de qualquer plano de fuga de Vorcaro. O dono do Master foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.
A defesa alegou, porém, que "há provas cabais" de que ele havia feito prévia comunicação da viagem a diversas autoridades, "bem como reservas antecipadas de hotel e salas de reunião e registro de plano de voo".
Por fim, a defesa declarou que "causa enorme perplexidade que mensagens protegidas por sigilo legal, entre Daniel Vorcaro e seus advogados, sejam ilegalmente devassadas, vazadas e utilizadas para narrativas fantasiosas".
Também pediu que ele aguarde o desfecho das investigações em liberdade, "pois não haveria qualquer acusação formal ou denúncia em seu desfavor e que os motivos que ensejaram a prisão não mais persistem".
