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Proposta de Fachin contra conflito de interesses prevê regras sobre eventos, presentes e familiares
Proposta de Fachin contra conflito de interesses prevê regras sobre eventos, presentes e familiares
Por Luísa Martins, Folhapress
03/08/2026 às 14:20
Atualizado em 03/08/2026 às 16:57
Foto: César Viegas/STF/Arquivo
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin
A proposta do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, para prevenir conflitos de interesse na magistratura inclui regras para participação em eventos, recebimento de presentes e atividades privadas, além de um mapeamento dos vínculos familiares que possam comprometer a imparcialidade dos juízes.
A Folha teve acesso à minuta da resolução que será votada nesta terça-feira (4) pelo plenário do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) —um novo capítulo da investida de Fachin por uma agenda ética para o Judiciário. O texto tem como base sugestões feitas pelo Onit (Observatório Nacional de Integridade e Transparência do Poder Judiciário).
O ministro orienta os tribunais a adotar, em até seis meses, mecanismos para identificar cenários de conflito mesmo que ainda não sejam concretos, mas "potenciais" ou "aparentes". Uma das sugestões é a criação de uma plataforma para que magistrados declarem "interesses relevantes" e de um canal confidencial de aconselhamento ético.
O primeiro item da lista de "situações de atenção especial" é a participação em eventos, congressos e atividades acadêmicas custeadas ou patrocinadas por empresas privadas. Fachin defende, por exemplo, medidas para identificar se o financiador tem processos perante o tribunal em que o juiz atua.
O tribunal deverá formular seu diagnóstico levando em conta a extensão e a razoabilidade das despesas que serão custeadas, a atividade econômica do patrocinador do evento e o "eventual risco de comprometimento da independência ou da aparência objetiva de imparcialidade".
O recebimento de presentes, hospitalidades, cortesias, benefícios e vantagens também estará sujeito, pela proposta de Fachin, ao escrutínio dos tribunais, que "deverão examinar, de forma objetiva, em cada caso, os critérios para aceitação", observando os princípios da impessoalidade e da prudência.
Fachin também propõe aos tribunais uma espécie de levantamento das atividades externas dos juízes (acadêmicas, culturais, científicas, empresariais ou profissionais), das suas relações econômicas e societárias e das suas participações em associações, fundações, entidades ou organizações.
O foco também deve se voltar, de acordo com o presidente do STF, aos "vínculos familiares ou profissionais suscetíveis de produzir conflito de interesses" e às "relações com fornecedores, prestadores de serviços, grandes litigantes ou agentes econômicos" que possam ter processos em tramitação.
A proposta de resolução orienta os tribunais a criar uma unidade responsável pela implementação das medidas preventivas, preferencialmente integrada às estruturas de governança que já existem, para evitar duplicação de órgãos e aumento desnecessário de despesas.
Se aprovadas pelo plenário do CNJ, as novas regras valem para todos os tribunais brasileiros, incluindo os superiores, com exceção do Supremo, que não é subordinado ao conselho. No centro de uma divergência interna do tribunal, o código de ética específico para o STF está sob responsabilidade da ministra Cármen Lúcia, que deve entregar uma primeira versão do texto após as eleições.
Em 2023, na presidência da então ministra Rosa Weber, houve uma tentativa de estabelecer normas para juízes, em especial quanto à participação de juízes e ministros em eventos patrocinados por grandes corporações. Porém, na ocasião, não houve maioria para aprovação.
Além da resolução contra conflito de interesse, a agenda de Fachin inclui a criação de um grupo de trabalho para discutir uma ampla reforma do sistema de Justiça. O STF também deu decisões recentes de grande impacto para a magistratura, como restrições ao supersalários e a proibição da aposentadoria compulsória como pena máxima para juízes.
