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Promessa de Bolsonaro a Arthur Lira abriu caminho no PL a Alfredo Gaspar, escolhido vice de Flávio

Promessa de Bolsonaro a Arthur Lira abriu caminho no PL a Alfredo Gaspar, escolhido vice de Flávio

Deputado federal de Alagoas, que relatou a CPMI do INSS e pediu a prisão de um filho do presidente Lula, completou a chapa ‘puro sangue’ após nenhuma sigla se aliar aos bolsonaristas

Por Guilherme Caetano/Estadão

05/08/2026 às 21:30

Foto: Vittor Sales/Divulgação

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O deputado federal Alfredo Gaspar, anunciado como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro

Uma promessa feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), no último ano abriu caminho no PL para Alfredo Gaspar (AL), anunciado como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta quarta-feira, 5.

Em retribuição à lealdade prestada pelo o então presidente da Câmara dos Deputados ao Palácio do Planalto, Bolsonaro prometeu apoiar Lira na disputa pelo Senado em Alagoas em 2026, numa das vagas na aliança com o PL.

O acordo, no entanto, comprometia a articulação política do então prefeito bolsonarista de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), que planejava lançar a mãe, Eudócia Caldas (PL), para uma das vagas ao Senado.

Sem autonomia para controlar a montagem de sua chapa, JHC deixou o PL em março e se filiou ao PSDB, movimento que levou junto Eudócia, a suplente que havia assumido uma vaga no Senado com a renúncia do senador Rodrigo Cunha (Podemos) para assumir a vice-prefeitura de Maceió.

Destituído do diretório estadual do PL, JHC então deixou o caminho livre para o deputado federal Alfredo Gaspar, então no União Brasil, que desembarcou no partido de Bolsonaro de olho na vaga ao Senado.

Lira comemorou a escolha de Gaspar como vice, segundo bolsonaristas relataram ao Estadão, uma vez que enfrentava dificuldade no cenário eleitoral em Alagoas. Na pesquisa Real Time Big Data de 1º de julho, Gaspar aparecia com 24%, seguido por Renan Calheiros (MDB) com 22%, Davi Davino (Republicanos) com 18%, e só então Lira, com 16%.

Gaspar havia ganhado destaque como relator da CPMI do INSS, quando pediu o indiciamento do filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por supostos crimes de tráfico de influência, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, organização criminosa e participação em corrupção passiva.

O deputado então foi convidado a se filiar no PL por Flávio Bolsonaro, com a pré-candidatura ao Senado garantida depois da popularidade alcançada com a CPMI. A cúpula do PL o trata como alguém que “caiu do céu”, uma vez que já chegou com musculatura para disputar uma eleição majoritária, e resolveu a chapa bolsonarista no Estado.

No anúncio do nome de seu vice, num evento na sede do PL em Brasília, Flávio mencionou o trabalho feito por Gaspar na CPMI do INSS, tamanho o destaque conquistado com sua atuação ofensiva contra o governo Lula.

“A pessoa que vai estar com a gente nesta caminhada eu aprendi a admirar pela coragem, honestidade. Alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPMI do INSS, que pediu a prisão do Lulinha, porque tinha culpa no cartório”, discursou Flávio nesta quarta-feira.

No mesmo palco, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a afirmar que o nome de Gaspar estava escolhido havia seis meses. A reportagem apurou, no entanto, que ele foi convidado por telefone para o posto na última terça-feira, 4, um dia antes do anúncio.

O convite foi articulado por Valdemar, Flávio e o coordenador geral da campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN). A escolha desbancou todas as mulheres cotadas para a vice, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), a economista Daniella Marques (Republicanos-SP) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF).

As cotadas de outros partidos acabaram descartadas porque o PL não conseguiu concretizar uma coligação, e teve de recorrer a uma chapa “puro sangue”. O nome de Michelle chegou a ser ventilado, mas uma miríade de fatores a afastou da vaga, incluindo a própria vontade de se aliar ao enteado com quem tem vivido às turras.

Jogou contra Michelle o fardo que ela carrega de cuidar do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre a pena de 27 anos de prisão em casa e convive com recaídas de saúde. O próprio presidente, dizem aliados, preferia que ela se candidatasse ao Senado, e não à vice-presidência.

Outros motivos pesaram para o escanteamento da ala feminina. A deputada federal Priscila Costa (PL-CE), pivô da crise entre Michelle e Flávio, não era considerada experiente o suficiente nem da confiança de Flávio; enquanto Júlia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF) não atrairiam votos para além do bolsonarismo raiz, avaliam aliados de Flávio.

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