/

Home

/

Noticias

/

Brasil

/

Pacto entre Lula, Motta e Alcolumbre tem eleições no radar, promessas de apoio e união contra Flávio

Pacto entre Lula, Motta e Alcolumbre tem eleições no radar, promessas de apoio e união contra Flávio

‘Poderia dizer juntos para sempre’, afirmou Lula, após fechar acordo para o Congresso votar MP que trata do fim da ‘taxa das blusinhas’ na próxima semana

Por Vera Rosa/Wilton Junior/Estadão

26/08/2026 às 21:00

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Imagem de Pacto entre Lula, Motta e Alcolumbre tem eleições no radar, promessas de apoio e união contra Flávio

O presidente Lula com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta

O pacto político firmado nesta quarta-feira entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), teve como pano de fundo as eleições de outubro. Na tentativa de ajudar Lula a ter uma agenda positiva na campanha, tanto Alcolumbre como Motta vão instalar comissões e pôr na pauta de votação da próxima semana temas com apelo popular, como o fim da escala de trabalho 6X1 e a Medida Provisória que trata do fim da chamada “taxa das blusinhas”.

O Congresso terá os últimos dias de trabalho antes das eleições na semana que vai de 31 de agosto a 4 de setembro. Será neste período de esforço concentrado que a Câmara e o Senado darão andamento à agenda de interesse do governo. Na lista de temas que Alcolumbre concordou em tirar da gaveta está também a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o projeto que cria a política nacional de minerais críticos e estratégicos, além do que concede isenção de impostos federais para estimular a instalação de data centers no Brasil.

O freio de arrumação entre o Palácio do Planalto e o Congresso foi anunciado por Lula após um almoço com Motta e Alcolumbre, que durou duas horas e meia, no Palácio da Alvorada.

O presidente saiu do encontro chamando tanto o chefe da Câmara como o comandante do Senado – dois expoentes do Centrão – de “companheiros”. Ao posar para fotos de mãos dadas com os dois, Lula era só sorrisos. “Poderia dizer juntos para sempre”, afirmou ele.

Nenhum desses acenos, porém, foi feito sem contrapartida. O acordo passou pela promessa de Lula de apoiar a recondução de Motta à presidência da Câmara e de Alcolumbre ao comando do Senado, em fevereiro de 2027. Na outra ponta, os dois se comprometeram a trabalhar pela reeleição de Lula.

Diante das dificuldades enfrentadas pelo presidente por causa de investigações da Polícia Federal envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha – suspeito de tráfico de influência –, há um movimento em curso na campanha petista para tentar garantir a vitória de Lula no primeiro turno.

Na prática, Alcolumbre e Motta tentarão dar agora um empurrão nessa ofensiva. Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto, o presidente viu sua vantagem diminuir no embate com o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, após a série de denúncias envolvendo Lulinha e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, seu ex-chefe de gabinete.

O anúncio do acordo irritou Flávio, principal adversário de Lula. Com o intuito de não dar munição ao PT, o senador tenta mobilizar a oposição para impedir que o fim da escala 6x1 seja votado antes das eleições.

A proposta que muda a jornada de trabalho e concede mais dois dias de descanso aos trabalhadores é uma das principais bandeiras da campanha de Lula. Pode não haver tempo hábil para que seja votada no plenário na semana que vem, mas o simples fato de Alcolumbre despachá-la para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) já é um avanço.

Alcolumbre estava travando várias pautas de interesse do Palácio do Planalto desde o fim de abril, quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Lula ficou inconformado com a derrota e passou mais de três meses sem falar com o presidente do Senado. A reaproximação entre os dois só foi feita depois de um jantar, no último dia 4, que teve como anfitrião o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Enquanto Lula e Alcolumbre não se falavam, Motta aproveitou para estreitar os laços com o presidente. A Câmara votou várias pautas enviadas pelo governo e despachou tudo para o Senado. As propostas, porém, ficaram paradas na Casa de Salão Azul, a exemplo da PEC da Segurança, que prevê o uso de recursos de bets e de parcelas do fundo social do pré-sal para o combate à criminalidade.

“Na hora em que o Senado votar essa PEC, eu imediatamente vou criar o Ministério da Segurança Pública e discutir o orçamento, para que a gente possa definir com Estados e municípios o papel de cada um”, disse Lula.

Antes no comando de uma operação para barrar todas as votações, Alcolumbre fez vários elogios ao presidente, sobretudo a decisões que classificou como “sensibilidade política do ser humano” Lula.

“O senhor está absolutamente certo quando pede a votação da Medida Provisória que vai caducar”, afirmou ele, numa referência à MP que trata do fim da “taxa das blusinhas” e perde a validade em 8 de setembro, se não for apreciada. “O senhor teve a coragem de, em um mesmo governo, colocar uma taxação e depois reconhecer a importância da isenção dessa taxa para a sociedade mais carente”.

O presidente do Senado foi além e destacou que faria ali uma inconfidência. “Em uma parte da conversa, o senhor disse para a gente que não é justo uma pessoa com condições de viajar para o exterior adquirir US$ 2 mil dólares de compras, e não pagar nada de imposto, enquanto um cidadão humilde tem de pagar taxa em cima de uma compra de US$ 50″, disse.

Motta, por sua vez, chamou de “falácia” o argumento de empresários que querem manter a taxação para compras online para não haver o que classificam como concorrência desleal. “Muitas indústrias brasileiras fornecem para essas plataformas”, observou ele.

Nos últimos dias, o presidente da Câmara tem procurado se aproximar ainda mais de Lula. Em 10 de agosto, por exemplo, declarou publicamente apoio à reeleição do petista. Agora, espera que o presidente ajude a eleger o seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), ex-prefeito de Patos (PB), a uma vaga ao Senado.

Para evitar atritos nesse início de campanha, Lula tem evitado visitar Estados onde mais de um candidato disputa o seu aval. É justamente o caso da Paraíba de Hugo Motta. O presidente já gravou uma declaração de apoio ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que concorre à reeleição, embora o nome da aliança firmada pelo PT para o governo local seja Lucas Ribeiro (PP). Atual governador, Ribeiro tem na chapa Nabor Wanderley e João Azevedo (PSB) como postulantes ao Senado.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.