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Já pagou pelos erros do passado, diz Sergio Moro em sabatina ao justificar aliança com Valdemar
Já pagou pelos erros do passado, diz Sergio Moro em sabatina ao justificar aliança com Valdemar
Moro vai tentar pela primeira vez se eleger a um cargo no Executivo
Por Catarina Scortecci/Folhapress
07/08/2026 às 17:15
Atualizado em 07/08/2026 às 22:05
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado/Arquivo
O senador e candidato a governador do Paraná Sergio Moro (PL)
O senador e candidato a governador do Paraná Sergio Moro (PL) afirmou durante sabatina da Folha/UOL nesta sexta-feira (7) que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, "já pagou pelos erros do passado", ao justificar sua aliança com o dirigente partidário.
Condenado no âmbito do escândalo do mensalão, Valdemar era no passado um dos políticos criticados por Moro, que tem dito ter a agenda anticorrupção como prioridade. "Os erros que ele cometeu no passado ele já pagou, inclusive cumpriu sua pena naquele período. E ele evidentemente se encontra em outra situação no momento", disse o candidato.
Durante a sabatina, o senador também afirmou que fará um "choque de gestão" na Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) e que não tem preconceito contra privatizações. "Não existe nenhuma decisão tomada da privatização da Sanepar. Mas queremos sim um choque de gestão. Tirar todos aqueles apadrinhados políticos, que geram ineficiência na companhia, para bem atender ao cidadão paranaense", disse o candidato.
A entrevista teve duração de 50 minutos e foi conduzida pela jornalista Fabíola Cidral, com participação dos jornalistas Leonardo Sakamoto e Bruno Ribeiro.
Ainda por conta da sua filiação ao PL, Moro também foi questionado sobre a alegada interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal, o que teria justificado sua saída do Ministério da Justiça, em 2020, mas ele evitou voltar ao tema.
Ele afirma que não retira o que falou no passado sobre Bolsonaro, mas justifica que se reaproximou do ex-mandatário em 2022 e acrescenta que agora é "o momento de olhar o presente e o futuro e o meu projeto para o Paraná".
"Eu não retiro as minhas palavras. Tivemos divergências sérias. Mas a partir de 2022 iniciamos uma reaproximação porque existia um objetivo maior, que era a derrota do projeto de poder do Lula e do PT", afirmou Moro.
Questionado na sabatina se temia que Flávio Bolsonaro (PL) também tentasse interferir na PF, caso eleito presidente, Moro se esquivou. "Acho que isso é fazer prognóstico sobre um futuro que ainda não realizou", respondeu.
Moro também disse que, no Paraná, caso eleito, pretende criar uma agência estadual anticorrupção independente. Acrescentou que no estado "vamos dar ampla autonomia às forças de segurança".
Sobre o escândalo do banco Master, e se ele estava satisfeito com as justificativas dadas por Flávio Bolsonaro no caso, Moro respondeu que o aliado "apresentou as explicações, foi ordenada investigação, vamos aguardar os desdobramentos".
"Aqui a gente tem um sujeito, um banqueiro extravagante, dado a fazer aquelas festas suntuosas, que subornou meia República. E todos os fatos têm que ser investigados", comentou o senador. "E quero destacar que a oposição ao Governo Lula sempre se posicionou a favor das investigações", disse ele.
Questionado ainda se era a favor de reeleições, Moro disse que concordava com o fim da possibilidade de reeleição para a presidência, mas não para governador. "Entendo que é possível sim, para governador, em oito anos fazer muito mais do que em quatro anos, e projetos dependem de continuidade. No nível nacional, de presidente, os males que a falta de alternância de poder tem gerado justificam o fim da reeleição", disse Moro.
O senador também foi perguntado se tinha pretensões de privatizar a Sanepar e respondeu que "precisamos dar um choque de eficiência no estado, cortar burocracias, cargos".
"Tem muita gente nomeada por critérios políticos, e infelizmente isso atinge tanto a administração direta como a indireta. A Sanepar, na minha opinião, precisa passar por um grande choque de administração, para que ela possa ampliar seus serviços e universalizar o saneamento básico no Paraná, quem sabe até antecipando as metas que ela está obrigada [a cumprir]", afirmou ele.
"Depois de fazer isso é que nós podemos pensar eventualmente nesta questão [da privatização]. Eu não tenho nenhum preconceito em relação a privatizações. Tenho uma visão pragmática", acrescentou Moro.
