Home
/
Noticias
/
Economia
/
Durigan diz que DF causou 'profunda insatisfação' ao alegar inércia da União em solução para BRB
Durigan diz que DF causou 'profunda insatisfação' ao alegar inércia da União em solução para BRB
Governo de Celina Leão recorre ao STF, e Fux marca nova audiência para destravar acordo para banco
Por Guilherme Pimenta/Folhapress
06/08/2026 às 21:00
Foto: Lula Marques/Agência Brasil/Arquivo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (6) que integrantes do governo federal receberam com "profunda insatisfação" a declaração do Governo do Distrito Federal de que haveria inércia da União nas negociações para viabilizar uma solução para a crise do BRB (Banco de Brasília).
Segundo Durigan, a avaliação da equipe econômica é que a acusação é "totalmente descabida", uma vez que o governo federal participa das tratativas no STF (Supremo Tribunal Federal), embora o problema tenha origem em fatos ligados ao próprio BRB no âmbito do escândalo do Banco Master.
Na quarta-feira (5), o ministro do Supremo Luiz Fux agendou nova audiência para a execução do acordo firmado para tentar viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para salvar o banco brasiliense.
A ação busca cobrir o rombo deixado no banco regional devido a operações fraudulentas com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. A União não tem nenhuma participação acionária no BRB.
"Decorridos mais de dois meses da celebração do acordo, [...] não há concessão, não há recusa, não há proposta, não há indicação de condições, de cronograma ou dos elementos que o FGC repute necessários à análise, nem há pela União o cumprimento das disposições contratuais. Há silêncio", acusou o DF ao STF.
"O problema do BRB tem origem criminosa no Governo do DF e no BRB. A União, que não tem nada que ver com essa história, nós nunca tivemos relação com esse tipo de gente, foi chamada ao Supremo, a pedido da governadora [Celina Leão], nós nos dispusemos a ir ao Supremo, fechamos o acordo possível", criticou o ministro.
Segundo Durigan, técnicos da Fazenda realizam diversas reuniões para viabilizar as garantias oferecidas pelo governo distrital e analisar, junto aos bancos e ao FGC, a estrutura da operação. Ele afirmou que o principal entrave hoje não está na atuação da União, mas na apresentação de um plano de negócios considerado crível para a recuperação do BRB.
O ministro disse que o governo federal levará esse posicionamento à audiência Fux na Suprema Corte, e voltou a responsabilizar o GDF pela demora nas negociações. "Nada hoje está parado no governo federal. Não há nenhuma inércia", afirmou.
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência também foi alvo de críticas de Durigan. Sem citar o congressista nominalmente, o ministro afirmou que chamou atenção a proposta da chapa de oposição de criar um "conselho superior" entre os Poderes para tratar da política fiscal, ao mesmo tempo em que, segundo ele, o grupo mantém uma postura de ataques às instituições.
"Isso chama atenção porque eles são conhecidos e renomados por atacar a instituição. Então é estranho que se ataque a Suprema Corte, ataque lideranças do Congresso Nacional e, ao mesmo tempo, proponha uma espécie de pacto", disse.
O titular da Fazenda, escolhido como o porta-voz econômico de Lula na campanha, afirmou ainda que o presidente mantém uma interlocução "democrática e respeitosa" com os demais Poderes e concluiu que "tudo tem que começar com respeito democrático, e é o que não se vê na oposição".
