Datafolha: Avaliação negativa de Lula vai de 38% para 41%
Piora dentro do limite da margem de erro é má notícia para a campanha do petista à reeleição
Por Igor Gielow/Folhapress
21/08/2026 às 21:50
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
O presidente Lula
A parcela do eleitorado que considera o governo do presidente Lula (PT) ruim ou péssimo passou de 38% para 41% do fim de julho para cá, enquanto quem o vê como bom ou ótimo oscilou de 32% para 33%. A avaliação regular foi de 28% para 25%.
O número negativo, aferido na mais recente pesquisa do Datafolha, está no limite da margem de erro de dois pontos percentuais do levantamento, mas deverá gerar alarme na campanha petista.
O indicador interessa a Lula neste início oficial de campanha eleitoral, pois a sua curva costuma sugerir transbordo de avaliação para a intenção de voto. No fim de julho, os números refletiam uma estabilidade em relação aos dois meses anteriores.
O ex-presidente Jair Bolsonaro passou boa parte da campanha de 2022 atrás de Lula nas pesquisas antes do primeiro turno. Sua avaliação positiva em dezembro de 2021 era de 22%, enquanto 53% o viam como ruim ou péssimo.
O decorrer da campanha, somado aos efeitos das medidas eleitoreiras que todos os governos tomam em ano de pleito decisivo, melhorou a imagem do então presidente, que chegou às vésperas do primeiro turno contra Lula com 39% de avaliação negativa e 38%, de positiva. Ao fim, ele perdeu no olho mecânico, com 49,1%, ante 50,9% do rival.
O Datafolha também quis saber se o eleitorado aprovava o trabalho do petista como presidente. Aqui também há uma inversão de percepção, embora sendo mantido o empate técnico. Em junho 49% o aprovavam e 48% o desaprovavam. Agora, 50% não o aprovam, enquanto 48% dizem que sim.
No período entre a pesquisa atual e a anterior, o principal problema para Lula em termos de gestão foi a agudização do debate sobre as contas públicas, que passam por deterioração. Mas o tema é algo distante do eleitorado médio, que por ora vê o desemprego em baixa e a inflação, sob relativo controle.
Politicamente, surgiram revelações sobre as relações de seu filho Fábio Luís, o Lulinha. Elas envolvem suspeitas de tráfico de influência no governo federal. Até aqui, o caso não abalou a imagem presidencial.
Em terceiro mandato, Lula só teve uma variação expressiva nos seus índices de avaliação, quando seu ótimo/bom desabou de 35% para 24% entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, atingindo o pior nível de todos os seus governos.
Naquele momento, houve uma conjunção de fatores negativos, entre eles a crise em torno de uma fiscalização sobre transações mais altas no Pix que acabou sendo lida, com ajuda de opositores, como um controle indevido —e a comunicação falha do governo só piorou a situação, sendo obrigada a retirar a iniciativa.
O instituto ouviu 2.058 eleitores em 128 cidades de terça (18) a quarta (19). A pesquisa está registrada com o código BR-04496/2026 na Justiça Eleitoral, é de dois pontos para mais ou menos. O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pelo jornal Folha de São Paulo.
