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Terremoto atinge sul do Japão, derruba prédios e deixa ao menos dois mortos em shopping
Terremoto atinge sul do Japão, derruba prédios e deixa ao menos dois mortos em shopping
Pessoas ficaram presas dentro do centro comercial, onde uma explosão ocorreu após o desabamento do segundo andar
Por Folhapress
28/07/2026 às 17:15
Atualizado em 28/07/2026 às 19:31
Foto: Reuters
Um shopping na cidade de Kashima foi parcialmente destruído após um terremoto atingir a região
Um terremoto de magnitude 7,1 que atingiu a província de Kumamoto, no sul do Japão, nesta terça-feira (28), deixou duas pessoas mortas, dezenas de feridas, interrompeu o fornecimento de energia para milhares de casas, danificou estradas e provocou incêndios e desabamentos de edifícios.
A emissora NHK informou a morte de duas mulheres na casa dos 20 anos em um shopping. Segundo o veículo, a Prefeitura de Kumamoto confirmou as mortes e o atendimento de outras pessoas com parada cardiorrespiratória.
Equipes de resgate atuam para retirar um número ainda desconhecido de pessoas desse centro comercial da rede Aeon, na cidade de Kashima, onde uma explosão ocorreu após o desabamento do segundo andar do prédio. A TV Asahi, citando a polícia, também afirmou que o incidente deixou mortos, mas não especificou a quantidade exata.
De 20 a 30 trabalhadores do centro comercial estão desaparecidos, de acordo com a emissora japonesa NHK, e provavelmente estão presos nos escombros.
Em declaração a jornalistas, a primeira-ministra Sanae Takaichi disse que a extensão das vítimas e dos danos materiais ainda está sendo avaliada. "Já fomos informados de que há pessoas feridas", afirmou.
"Houve cortes no fornecimento de energia e incêndios em algumas áreas, além de danos em estradas e pontes e desabamentos de edifícios." Takaichi também anunciou o envio de 3.600 militares para auxiliar nas operações de resgate, enquanto réplicas do terremoto continuavam sendo registradas na ilha de Kyushu.
O shopping Aeon de Kashima tinha acabado de ser reinaugurado em junho dez anos depois que outro terremoto, em abril de 2016, destruiu o centro comercial. O tremor de Kumamoto de 2016, o mais letal do Japão entre 2011 e 2024, deixou 277 mortos e outros 2.800 feridos no total.
Imagens do desastre desta terça mostraram que uma das laterais do shopping, que abriga cerca de 200 lojas, foi completamente destruída, expondo vigas de aço e espalhando destroços por um estacionamento.
Um hospital na cidade de Hikawa, ao sul de Kumamoto, registrou mais de 50 feridos. A NHK exibiu imagens de edifícios em chamas ou parcialmente destruídos. O terremoto abriu grandes rachaduras em rodovias, provocou o descarrilamento de um trem de carga e paralisou a circulação ferroviária. Passageiros de um trem-bala também ficaram feridos durante o tremor, informou o jornal Nikkei.
Várias pessoas estavam desaparecidas após o desabamento de uma chaminé em uma fábrica da Nippon Paper Industries, informou a NHK.
O aeroporto de Kumamoto fechou a pista, levando ao cancelamento e ao desvio de voos. Segundo a polícia de Kumamoto, até as 17h no horário local, foram confirmados 12 casos de desabamento de casas e 4 casos de pessoas presas dentro de suas residências. Dois incêndios também foram registrados.
A fabricante de chips TSMC, a maior do mundo, evacuou sua fábrica na região por precaução, mas informou mais tarde que não havia perigo e que as operações voltariam à normalidade gradualmente. As fábricas locais da empresa de eletrônicos Sony e da companhia fotográfica Fujifilm também foram evacuadas.
Cerca de 300 mil pessoas receberam ordem para deixar suas casas e seguir para abrigos. A Agência Meteorológica do Japão alertou para o risco de novos tremores fortes ao longo da próxima semana e para a possibilidade de deslizamentos de terra.
O epicentro do terremoto foi localizado cerca de 20 quilômetros ao sul da cidade de Kumamoto, a maior da ilha de Kyushu, com aproximadamente 700 mil habitantes. A agência meteorológica também emitiu inicialmente um alerta de tsunami, mas posteriormente o cancelou.
A concessionária Kyushu Electric Power informou que cerca de 40 mil residências ficaram sem energia. As operadoras KDDI e Docomo relataram interrupções na telefonia móvel devido à falta de energia e a falhas nas redes de transmissão.
A autoridade de regulação nuclear informou que não houve problemas nas usinas nucleares da região.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), publicou um comunicado em suas redes sociais em que manifesta solidariedade ao povo japonês, às famílias atingidas e à primeira-ministra do país.
O Japão está entre os países com maior atividade sísmica do mundo por estar localizado no Anel de Fogo do Pacífico, faixa que concentra intensa atividade tectônica. Cerca de 20% dos terremotos de magnitude 6 ou superior registrados no planeta ocorrem no país.
Em 2016, outro grande terremoto em Kumamoto matou 275 pessoas, deixou 2.739 feridos e danificou milhares de edifícios, incluindo o castelo da cidade, um dos principais pontos turísticos. Segundo a administração do monumento, partes de suas muralhas de pedra voltaram a desabar após o tremor desta terça-feira.
