Servidores do IBGE discutem possível greve a partir de 5 de agosto
Por Leonardo Vieceli, Folhapress
14/07/2026 às 13:10
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo
Entidade sindical fala em 'medidas precarizantes' e 'postura autoritária' da direção do instituto
A entidade sindical dos servidores do IBGE, a Assibge, anunciou a realização de assembleias até o fim de julho para discutir uma possível greve nacional a partir de 5 de agosto. O cronograma foi divulgado pela associação em uma nota nesta segunda (13).
A Assibge afirma que a paralisação tornou-se "inevitável" diante de uma série de "medidas precarizantes" e da "postura autoritária" da presidência do IBGE. Também diz que a direção se recusa a receber a representação dos trabalhadores, travando negociações.
A presidência do IBGE é ocupada por Marcio Pochmann desde agosto de 2023. O economista foi indicado pelo presidente Lula (PT), de quem é próximo.
A Folha pediu um posicionamento para a gestão do instituto por email às 11h04 desta terça (14), mas não recebeu retorno da assessoria de comunicação até a publicação desta reportagem.
A ameaça de greve marca um novo capítulo da crise interna que se arrasta no órgão desde 2024.
À época, a Assibge começou a criticar projetos da atual direção, como a criação de uma fundação, a IBGE+, que poderia produzir trabalhos para a iniciativa privada. A fundação não avançou após a reação dos servidores.
Segundo a Assibge, a insatisfação da categoria está ligada neste momento a questões diversas.
Cortes de indenizações pagas a trabalhadores que fazem pesquisas em campo, suspensão do PGD (Programa de Gestão e Desempenho) para servidores em estágio probatório e "transferências arbitrárias" de funcionários fazem parte da lista citada pela entidade.
A presidência do instituto tem adotado um discurso de reconstrução e modernização do órgão, que completou 90 anos em maio.
Na ocasião, a direção disse que o IBGE vem percorrendo desde 2023 um "caminho inédito de diálogos frequentes e sistemáticos", com encontros nacionais de servidores, conferências e reuniões virtuais.
"O respeito à diversidade e à pluralidade, interna e externa, não significa ausência de conflito", acrescentou à época.
