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Republicanos lança candidatura de Tarcísio em SP, com discurso de Flávio e ausência de caciques
Republicanos lança candidatura de Tarcísio em SP, com discurso de Flávio e ausência de caciques
Governador defenderá continuidade de seu projeto para o Estado em evento neste sábado no Ginásio do Ibirapuera com a presença de 12 partidos
Por Pedro Augusto Figueiredo/Estadão
31/07/2026 às 21:15
Foto: Reprodução X
Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas
O Republicanos oficializa na manhã de sábado, 1º, a candidatura à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em uma convenção partidária com direito a discurso do senador Flávio Bolsonaro (PL) e a ausência dos principais caciques do Centrão e da direita.
Realizado no Ginásio do Ibirapuera, o evento foi planejado para demonstrar que Tarcísio conseguiu unificar a direita paulista e partidos de centro, montando um palanque com 12 siglas. Foi estabelecido que o presidente de cada uma delas poderá falar por alguns minutos em apoio ao governador, em uma sinalização de prestígio às legendas que compõem a coligação.
Nem todos, porém, farão uso dessa prerrogativa. Valdemar Costa Neto (PL) terá compromissos em Brasília, enquanto Ciro Nogueira (PP) participará da convenção no Piauí que confirmará sua candidatura ao Senado. Eles serão representados por André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), que discursarão como candidatos ao Senado na chapa do governador.
Gilberto Kassab (PSD) também será desfalque, mas por outro motivo: vice na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), ele optou por não dividir palanque com o adversário Flávio. A justificativa é similar à de Tarcísio, que não foi à convenção do PSD no domingo passado para não ser fotografado ao lado de Caiado. A sigla será representada pelo deputado estadual Barros Munhoz.
Kassab trabalhou para ser o vice na chapa de Tarcísio, que preferiu repetir a dobradinha com o vice-governador Felício Ramuth, que trocou o PSD pelo MDB para seguir no cargo.
Em seu discurso, Tarcísio deve destacar as entregas que fez no primeiro mandato, defender a continuidade da gestão e pintar um quadro de esperança para o futuro do Estado sob seu comando.
“Vamos reafirmar o nosso compromisso com um Estado cada vez mais eficiente, que gera empregos, que atrai investimentos, realiza obras e leva desenvolvimento para toda a população. Preparem as caravanas de vocês, a gente se encontra lá. Vamos arrancar para a vitória”, disse Tarcísio em um vídeo no qual convida eleitores para participarem do evento.
A expectativa dos organizadores é que entre 200 a 250 ônibus façam o transporte dos apoiadores. O ginásio tem capacidade para 11 mil pessoas e serão instalados telões na parte externa para quem não conseguir entrar.
Estão confirmados os presidentes do Republicanos, Marcos Pereira, do MDB, Baleia Rossi, do Podemos, Renata Abreu, e do Solidariedade, Paulinho da Força, além dos dirigentes estaduais Milton Leite (União Brasil), Maurício Neves (PP), Alex Manente (Cidadania), Paulo Serra (PSDB), Ovasco Resende (PRD) e representantes do Avante.
Outra presença confirmada é a do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Reeditando a parceria da eleição municipal com Tarcísio, Nunes é a principal aposta da campanha do governador para ganhar terreno na capital e diminuir a vantagem que Fernando Haddad (PT) obteve em 2022.
Tarcísio vai relembrar na convenção o início de sua trajetória política em São Paulo e dizer que foi acolhido pelos paulistas ao longo dos últimos anos. Ao contrário da eleição de 2022, quando largou atrás, o governador começará a campanha como franco favorito – ele tem 48% das intenções de voto, contra 32% de Haddad no segundo turno, de acordo com pesquisa Quaest (SP-04846/2026) divulgada no início da semana.
Há quatro anos, Tarcísio deixou o Ministério da Infraestrutura para disputar a primeira eleição de sua vida e ser candidato ao Palácio dos Bandeirantes, após sugestão do então presidente Jair Bolsonaro (PL). À época, ele tinha o apoio somente do PL e do PSD entre as siglas relevantes.
Agora, contará também com todos os partidos que apoiavam Rodrigo Garcia na última eleição, o que lhe dará 71% do tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, contra 29% de Haddad.
A situação do governador é oposta à de Flávio, que tem tido dificuldades para fechar alianças. Apesar de alguns aliados do governador defenderem que ele mantenha uma “distância segura” do senador, Tarcísio entrou em campo para tentar ajudar o pré-candidato do PL nas últimas duas semanas.
Ele ligou para o presidente de seu partido, Marcos Pereira, e para Ciro Nogueira na tentativa de ajudar a destravar acordos com os dois partidos. As conversas com o Republicanos não avançaram, enquanto o PP decidiu ficar neutro mesmo após a senadora Tereza Cristina (PP) ter aceitado ser vice de Flávio. O MDB, outro partido na órbita de Tarcísio em São Paulo, também optou pela neutralidade à nível nacional.
