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PF faz operação contra publicitário contratado por Vorcaro que fez devassa contra jornalista
PF faz operação contra publicitário contratado por Vorcaro que fez devassa contra jornalista
Thiago Miranda atuou em projeto de gestão de crise do ex-banqueiro, que envolveu também ataques ao Banco Central
Por Constança Rezende/Folhapress
09/07/2026 às 17:15
Foto: Divulgação/Arquivo
Daniel Vorcaro, do Banco Master
A Polícia Federal fez uma operação de busca e apreensão, nesta quinta-feira (9), contra o publicitário Thiago Miranda, dono da agência Mithi, contratado para o projeto de gestão de crise de Daniel Vorcaro, do Banco Master, que envolveu ataques ao Banco Central.
Diálogos entre o ex-banqueiro e Miranda, entre março e abril de 2025, também mostraram que os dois queriam "frear" o trabalho da jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo, realizando uma busca por seus dados privados.
O publicitário foi procurado pela reportagem, mas não respondeu até a publicação deste texto.
Foram apreendidos celulares e demais equipamentos eletrônicos utilizados pelo publicitário em sua residência. De acordo com a PF, a ação apura a atuação coordenada em redes sociais voltada, em tese, a comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central do Brasil.
As investigações apuram, ainda, a atuação de possível organização criminosa dedicada à intimidação de jornalistas, ao monitoramento ilícito de pessoas ligadas a autoridades públicas, à obtenção indevida de informações sigilosas e à adoção de medidas destinadas a interferir em investigações criminais.
Segundo a PF, os fatos investigados podem, em tese, configurar crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa, além de outros delitos correlatos, incluindo possíveis violações de dados e de dispositivos informáticos.
Diálogos entre o ex-banqueiro e Miranda, em 2025, mostraram que os dois queriam intimidar a jornalista. As conversas foram divulgadas pelo site Fatos on-line e confirmados pelo jornal Folha de São Paulo. Num deles, Vorcaro afirma a Miranda que eles teriam que "tentar pegar algo dessa mulher no pessoal", ao que este responde: "Exatamente. Ela joga baixo. Vou revirar a vida dela".
Posteriormente, o publicitário dá um panorama a Vorcaro sobre seus achados a respeito da jornalista e afirma: "Nem multa na CNH dela encontrei".
O publicitário também estaria por trás, segundo as suspeitas dos investigadores, dos ataques coordenados contra o BC e o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução da autarquia, Renato Gomes.
Os ataques seguiram uma cartilha com instruções e direcionamentos elaborados pelo projeto de gestão de crise de Vorcaro.
As informações estão em documentos do chamado "Projeto DV", aos quais a reportagem teve acesso. O nome faz alusão às iniciais do ex-banqueiro.
Os contratos com os influenciadores foram firmados pela agência Mithi. Somados, chegavam a R$ 8 milhões, mas a maior parte foi interrompida após a PF começar a investigar o bombardeio contra o BC, em janeiro.
O Banco Central virou alvo ao rejeitar a compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília). A PF identificou cerca de 40 perfis que teriam sido contratados por Vorcaro para integrar o projeto.
