PF faz buscas na casa de Jair Bolsonaro, mas não encontra novas armas
Advogados afirmam que já haviam informado o paradeiro dos armamentos e que nada foi encontrado
Por José Marques/Thaísa Oliveira/Luísa Martins/Folhapress
08/07/2026 às 17:00
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
O ex-presidente Jair Bolsonaro
A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão nesta quarta-feira (8) na residência onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está em prisão domiciliar.
A busca foi feita sob determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e tentava verificar se ainda havia armas guardadas por Bolsonaro. Nada foi localizado, segundo a defesa do ex-presidente.
"A defesa já havia informado previamente o paradeiro de todas as armas. Resultado: nada foi encontrado. É lamentável que um ex-presidente da República ainda seja submetido a esse tipo de ação", disse João Henrique de Freitas, que integra a equipe de defesa de Bolsonaro, nas redes sociais.
No local, além de Bolsonaro, estavam Michelle Bolsonaro, sua esposa, Laura, sua filha, e um agente de segurança.
A decisão de Moraes que autorizou as buscas diz que havia "divergência entre o quantitativo de armas de fogo regularmente registradas em nome do apenado e aquelas efetivamente entregues aos órgãos competentes".
"A permanência de armas de fogo em poder do executado, quando já determinada sua entrega integral, revela situação incompatível com a ordem judicial anteriormente proferida e justifica a adoção de medida constritiva destinada exclusivamente à localização e apreensão de armamentos remanescentes", disse o ministro.
A defesa argumenta que já tinha informado ao ministro a localização de todas as armas. Uma delas, que ele ganhou de um empresário em 2022, estava no Rio Grande do Sul.
Moraes disse em sua decisão, porém, que "a versão apresentada diverge dos dados constantes dos registros existentes e não foi acompanhada de documentação idônea capaz de comprovar a efetiva localização do armamento, a identidade do suposto depositário ou a regularidade da alegada custódia".
Em transmissão ao vivo nas redes sociais, dos Estados Unidos, onde participou de audiência promovida pelo USTR (Escritório de Comércio dos EUA), o filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) disse que seu pai "acabou de tomar outra busca e apreensão".
"[É uma] clara tentativa de criar uma cortina de fumaça neste momento que eu estou aqui [nos EUA] trabalhando pelo Brasil para tentar dividir o noticiário com coisas negativas", afirmou.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse não acreditar que a decisão de Moraes tenha sido tomada para ofuscar a atuação de Flávio. Valdemar disse que Moraes agiu por "excesso de zelo", admitindo ter escolhido as palavras para evitar mal-estar com o ministro.
"Não diria que é uma perseguição porque se eu falar isso o Marcelo Bessa que é meu advogado me mata. Ele fala 'Não arruma encrenca com o Supremo'. E é verdade, nós temos que ter entendimento para tocar o país para frente", disse.
"[Diria que é] excesso de zelo, de preocupação do ministro, é um direito que ele tem. E nós temos que ter paciência. Nós erramos lá atrás quando perdemos a eleição, uma eleição ganha", completou.
Na sexta-feira (3), Moraes determinou a prorrogação da prisão domiciliar do ex-presidente por tempo indeterminado. Na mesma decisão, o magistrado mandou Bolsonaro entregar todas as suas dez armas, revogando a autorização para o porte e todos os certificados de registro.
Condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma trama golpista, o ex-presidente chegou a cumprir parte da pena em regime fechado, mas recebeu o benefício da domiciliar humanitária em 27 de março, por motivo de saúde. O prazo inicial foi de 90 dias.
Uma pistola de Bolsonaro foi apreendida com um de seus seguranças acendeu um alerta em Moraes no mês passado, e o ministro chegou a considerar a hipótese de mandá-lo de volta à unidade prisional conhecida como Papudinha.
Moraes chegou a dizer que o porte da pistola poderia caracterizar uma "falta grave" e levar à "cessação da prisão domiciliar".
O advogado Paulo Cunha Bueno, que também defende o ex-presidente, disse nesta quarta nas redes sociais a maioria das armas de Bolsonaro estavam armazenadas na reserva de armamentos do Batalhão da Polícia do Exército, em Brasília, e que isso foi informado ao STF.
"Das dez armas, duas já haviam sido entregues à PF ainda em 2023, por determinação do TCU, visto que haviam sido presenteadas pelo governo dos Emirados Árabes Unidos. Uma terceira arma tratava-se da que já havia sido apreendida dias atrás", afirmou Bueno.
"Uma quarta arma, não localizada no BPE, tratava-se de uma espingarda que foi presenteada ao Presidente quando ainda no mandato, por uma empresa da cidade de Caxias do Sul/RS".
"Todos estes esclarecimentos já haviam sido prestados por mim antes da diligência de hoje que, ao final, prestou-se a ratificar o quanto dito pela defesa, não havendo, desta forma, nenhuma irregularidade no que toca ao acervo de armas do presidente".
