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EUA pediram que Brasil zerasse tarifa sobre bens industriais, químicos e aeroespaciais
EUA pediram que Brasil zerasse tarifa sobre bens industriais, químicos e aeroespaciais
Por Mariana Brasil, Folhapress
17/07/2026 às 18:05
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil/Arquivo
O ministro Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio)
Ao longo das negociações da nova etapa do tarifaço, os Estados Unidos também pediram ao Brasil que fossem zeradas as tarifas de importação brasileiras sobre bens aeroespaciais, industriais, químicos e automotivo.
Segundo duas autoridades a par das discussões, o governo americano pediu a isenção das cobranças para esses itens, além da abertura de alguns setores comerciais do Brasil, como mencionado pelo ministro Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) na quinta-feira (16).
A avaliação de alas da equipe do presidente Lula (PT) é que a proposta, nos termos em que foi apresentada, era inegociável.
"Eles pretendiam nada mais, nada menos do que a abertura de todo o mercado do setor químico, a redução a zero das tarifas dos bens industriais. O acesso ao mercado do setor automotivo norte-americano, e dentre outros setores", disse Márcio Elias na fala sobre o tarifaço, ao lado de demais ministros envolvidos na discussão.
Ainda na fala, o ministro também sugeriu que os EUA pediram ao Brasil para limitar investimentos chineses em minerais críticos, sem mencionar o país, a exemplo do que Austrália, Reino Unido e EUA vêm fazendo no exterior.
"O que foi solicitado foi que nós fizéssemos medidas que pudessem limitar investimentos por atores não orientados pelo mercado e entidades estrangeiras, a exemplo do que eles fizeram com outros países, como por exemplo com o Reino Unido, com a Austrália, os Estados Unidos fecharam acordo nesse sentido. Isso chegou a não ser apresentado formalmente e obviamente não aceitamos e não aceitaremos porque terras raras, minerais críticos pertencem ao povo brasileiro e a soberania do povo brasileiro."
Na quinta, a equipe econômica informou que o novo tarifaço atinge 18% das exportações brasileiras aos EUA, ou cerca de US$ 7,4 bilhões (R$ 38 bilhões), considerando dados de 2024. Para alívio mais imediato dos impactos, a gestão anunciou um reforço ao programa Brasil Soberano, que oferece linhas de crédito a empresários afetados pelo tarifaço americano.
Conforme já anunciado pela gestão de Lula, o governo brasileiro vai fazer uso da Lei da Reciprocidade para reagir a essa nova leva de tarifaço.
Autoridades a par do tema afirmam que, caso os EUA apresentem novas sanções e retaliações, o recurso de aplicações recíprocas será calibrado de modo a não ser acionado contra setores mais caros à economia brasileira. Como forma de reações futuras, a gestão já tem em vista pontos sensíveis para os americanos, como o setor de patentes e de audiovisual.
