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Artigo: À espera de uma psicografia de Nelson Rodrigues, por Pacheco Maia*

Artigo: À espera de uma psicografia de Nelson Rodrigues, por Pacheco Maia*

Por Pacheco Maia*

06/07/2026 às 10:13

Foto: Divulgação

Imagem de Artigo: À espera de uma psicografia de Nelson Rodrigues, por Pacheco Maia*

Nelson Rodrigues

Bem que Nelson Rodrigues poderia baixar em algum terreiro e deixar uma crônica psicografada. É dele a autoria da excelsa expressão “complexo de vira-lata”. 

Registrou em texto publicado depois do Maracanazo, como ficou conhecida a tragédia da Seleção Brasileira na final da Copa de 1950. 

Bastava um empate para o título e o Brasil perdeu de virada para o Uruguai em pleno Maracanã, com 200 mil torcedores.

Reza a lenda que Nelson Rodrigues ia ao estádio mas nem conseguia ver o jogo direito da tribuna de imprensa, por causa de seu alto grau de miopia.

Não importa. Não se precisa de olhos para enxergar a alma. Ele soube captar como ninguém a alma brasileira. Fez um golaço naquela crônica!

A redenção brasileira viria na conquista do título de campeão do mundo em 1958, na Suécia. As antenas do artista das palavras estavam ligadas.

Em outra crônica, Nelson Rodrigues aponta que a superação do “complexo de vira-lata” se dera pelo surgimento de um príncipe da bola: Pelé!

O príncipe se tornaria o “Rei do Futebol”. Lideraria o Brasil na conquista do Tri e da Taça Jules Rimet, que acabou tendo um destino bem brasileiro. 

Nélson não viveu para testemunhar o primeiro prolongado jejum de 24 anos de títulos depois da Copa de 70. Morreu em 21 de dezembro de 1980. 

Ficamos sem as suas crônicas de 1982, 86 e 90. O que teria escrito sobre 1994, 98 e 2002? 

E depois sobre o novo jejum, com a humilhante eliminação pela Alemanha, em casa por 7x1, em 2014?

Será que a goleada sofrida no Mineirão para os alemães ressuscitara o “complexo de vira-lata”? 

Arrisco dizer que a cara de bobão de Haalland não é nada intimidatória como a do capitão uruguaio Obdulio Varela em 1950. 

O complexo da Seleção hoje é muito mais complexo do que aquele batizado pelo genial Nelson Rodrigues como de vira-lata. 

Só ele baixando em algum terreiro para psicografar uma nova crônica e dar o diagnóstico preciso. 

Quem sabe ele até vaticina que Estêvão será a nova redenção em 2030…

*Pacheco Maia é jornalista.

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