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Sesab troca gestão de hospital regional em Porto Seguro pela 3ª vez em nove meses e prefeito cobra responsabilidade de Jerônimo
Sesab troca gestão de hospital regional em Porto Seguro pela 3ª vez em nove meses e prefeito cobra responsabilidade de Jerônimo
Por Redação
17/06/2026 às 16:32
Atualizado em 17/06/2026 às 16:28
Foto: Divulgação/Arquivo
O prefeito Jânio Natal (PL)
A nova troca na gestão do Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães (HRDLEM), em Porto Seguro, volta a expor a crise administrativa enfrentada pela unidade, que é de responsabilidade estadual e referência para a região da Costa do Descobrimento. Nesta semana, a S3 Gestão em Saúde assumiu a operação do hospital e se tornou a terceira organização a comandar a unidade nos últimos nove meses, período marcado por protestos trabalhistas, denúncias de precariedade e falhas no atendimento.
O contrato atual tem valor global estimado em R$ 297,3 milhões para custeio geral da operação do hospital. Para o prefeito Jânio Natal (PL), o histórico recente da unidade mostra que a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) não pode tratar o problema como se fosse apenas uma falha das organizações contratadas. Segundo ele, na prática, mesmo com a mudança, continua a mesma empresa.
Na avaliação do prefeito, a sucessão de institutos na administração do hospital não afasta a responsabilidade do governo de Jerônimo Rodrigues (PT) sobre o funcionamento da unidade, já que o Hospital Luís Eduardo Magalhães é regional, integra a rede estadual e desempenha papel estratégico nos atendimentos de urgência e emergência, internações e procedimentos especializados.
“Quando a Sesab troca a gestão de um hospital regional pela terceira vez em nove meses, o problema deixa de ser tratado como caso pontual e passa a revelar falta de controle do próprio Estado. Não é aceitável que uma unidade que atende Porto Seguro e municípios da região conviva com falta de insumos, atrasos, denúncia de equipamentos sem funcionar e insegurança para pacientes e profissionais, enquanto o governo tenta empurrar a responsabilidade para terceiros. A população não é atendida por contrato, é atendida por uma unidade estadual, e quem precisa responder por isso é o governo da Bahia”, afirmou Jânio.
O cenário de instabilidade e complicações começou em setembro de 2025, ainda durante a gestão de outra instituição. Foi verificado dificuldades da organização social para manter a capacidade operacional diante da alta demanda de atendimentos e o contrato foi encerrado.
Menos de dois meses depois da primeira troca de gestão, o hospital voltou ao centro da crise. Em 1º de dezembro de 2025, a equipe médica de obstetrícia pediu demissão em massa. A saída dos profissionais ocorreu em meio à redução salarial proposta pelo Instituto Setes, que havia assumido a operação, e à falta de pagamento de verbas rescisórias pela gestão anterior.
"É absurdo que o que a Sesab fez diante do problema. Em vez de apresentar uma solução para cobrir o rombo financeiro enfrentado pelos profissionais, o governo acionou o Cremeb e o Ministério Público, solicitando fiscalização e medidas para confirmar a permanência dos médicos na unidade", disse Jânio Natal.
Já em 2026, a crise se repetiu. Houve novo encerramento do contrato de gestão, após o registro de problemas como a suposta falta de funcionamento do aparelho de tomografia, deficiência no abastecimento de materiais e medicamentos, problemas no enxoval hospitalar e atrasos no pagamento de honorários médicos.
Em março deste ano, a Prefeitura de Porto Seguro publicou um vídeo no qual descreveu a precariedade no Hospital Regional. O gestor citou falta de insumos básicos, como fios cirúrgicos e medicamentos, além de atrasos salariais. Na ocasião, Jânio afirmou que “não tem remédio, não tem insumos, não tem material para fazer cirurgia”. “Tem pessoas que vão para a sala cirúrgica, chegam lá e não tem fio cirúrgico, e as pessoas retornam para o seu leito e na verdade ficam lá dois, três meses aguardando este material”, declarou o prefeito.
Segundo Jânio Natal, o município de Porto Seguro repassa mais de R$ 12 milhões por ano ao hospital. O prefeito também afirmou que o conjunto de municípios da 8ª Região de Saúde, que inclui Belmonte, Eunápolis, Guaratinga, Itabela, Itagimirim, Itapebi e Santa Cruz Cabrália, soma cerca de R$ 30 milhões em transferências.
