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Raquel Lyra afirma que PSD deu 'total liberdade' para não apoiar Ronaldo Caiado à Presidência
Raquel Lyra afirma que PSD deu 'total liberdade' para não apoiar Ronaldo Caiado à Presidência
Governadora afirma que respeita a trajetória do presidenciável, mas construiu um 'caminho de autonomia'
Por João Pedro Abdo/Folhapress
29/06/2026 às 22:00
Foto: Governo de Pernambuco/Divulgação/Arquivo
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD)
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), afirmou que seu partido deu "total liberdade" em relação a apoio na eleição deste ano, na qual Ronaldo Caiado será o representante da sigla na disputa presidencial.
"Eu tenho a liberdade, no PSD, de escolher nosso caminho aqui em Pernambuco, respeitando a trajetória de Ronaldo Caiado. Mas a gente construiu um caminho de autonomia, de independência. Um caminho focado no desenvolvimento de Pernambuco e de seu povo", disse.
A fala aconteceu no programa Frente a Frente de segunda-feira (29), parceria do jornal Folha de São Paulo e o site Uol. Lyra participou remotamente da entrevista.
Caiado foi escolhido pré-candidato a presidente do partido em março, mas enfrenta dificuldades para conquistar apoio interno. Em Pernambuco, Raquel Lyra manteve proximidade do governo Lula (PT) ao longo do mandato. O presidenciável, identificado com a direita, é crítico frequente do presidente da República.
A governadora chegou ao partido em 2025, vinda do PSDB. Ela disputará a reeleição concorrendo com o ex-prefeito de Recife João Campos (PSB).
Raquel disse que, quando chegou ao partido, o presidente da sigla, Gilberto Kassab, deu total liberdade para "construir o caminho que fosse mais importante para o nosso povo" em Pernambuco.
O apoio oficial do PT e do presidente Lula será de João Campos, mas a governadora afirmou ter uma relação de confiança com o governo federal, "baseada em entregas".
"O PT tem a condição de poder escolher qual o palanque que vai formar em Pernambuco, mas a gente tem pessoas que estão ao nosso lado e que estiveram ao longo dessa caminhada que estão no Partido dos Trabalhadores, inclusive de prefeitos, de deputados", disse.
Ela também disse que disputará sua reeleição "sem buscar likes". A presença em redes sociais é uma marca da gestão do ex-prefeito.
Na entrevista, a governadora fez críticas à gestão do ex-governador Paulo Câmara (PSB) na segurança pública. Ela afirmou que o tema sofreu uma "total omissão" durante o antigo governo.
A reclassificação do PCC e CV como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos, que gera receio em alguns especialistas pela possibilidade de intervenções diretas no Brasil, também foi debatida.
A governadora afirmou ser contra qualquer ataque à soberania nacional, mas disse não ter dúvida de que Lula aceitaria ajuda no combate às facções caso fosse oferecida por Donald Trump.
Ela também falou sobre as dificuldades que enfrentou na política por ser mulher. "A régua que me mediram foi uma régua muito diferente", disse, citando tentativas de impeachment.
Afirmou que já foi chamada de "viúva" como ofensa por opositores. Ela também se emocionou ao lembrar do marido, Fernando Lucena, que morreu no dia do primeiro turno da eleição de 2022.
