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Jaques Wagner em mensagem sobre Master: ‘Precisava saber como estão as coisas do banco’

Jaques Wagner em mensagem sobre Master: ‘Precisava saber como estão as coisas do banco’

Por Aguirre Talento/Estadão Conteúdo

22/06/2026 às 12:25

Foto: Geraldo Magela/Arquivo/Agência Senado

Imagem de Jaques Wagner em mensagem sobre Master: ‘Precisava saber como estão as coisas do banco’

Jaques Wagner

 A Polícia Federal aponta que conversas do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), com dirigentes do Banco Master mostram um “engajamento com as pautas de interesse do banco” e indicam a realização de encontros para tratar de projetos relacionados diretamente ao Master.

“No amplo quadro de elementos informativos obtidos a partir dos celulares apreendidos, existem indícios que o Senador JAQUES WAGNER exerceu o mandato parlamentar de forma alinhada aos interesses econômicos do Banco Master. Essa atuação não se manifesta em ato único e isolado, mas em padrão contínuo, sistemático e documentado de engajamento pessoal do Senador da República em pautas favoráveis ao conglomerado financeiro, notadamente no período de 2022 a 2025, concomitante com a ascensão da organização criminosa”, escreveu a PF.

Procurada, a defesa de Wagner afirmou que ‘nunca houve atuação, intermediação, negócio ou tratativa envolvendo projetos do Banco Master’. A defesa do ex-sócio do Master Augusto Lima diz que o empresário “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública” (leia as manifestações ao final).

O Estadão teve acesso com exclusividade a trechos inéditos da investigação. Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero sob suspeita de receber propinas do Master por meio de um apartamento de R$ 2,5 milhões e um repasse de R$ 3,5 milhões a uma empresa de seu enteado, além de outras supostas vantagens indevidas.

Em 25 de agosto de 2024, Augusto Lima fez contato para marcar um encontro e, em resposta, Wagner enviou um áudio ao empresário dizendo que queria conversar sobre o banco e também abordar o tema das eleições municipais daquele ano.

“Oi, Guga. Rapaz, eu tô dedicando o domingo aos netos, então eu tô desde umas dez e meia indo da casa de um pro outro... não vai dar pra gente ir não. Vamos marcar outra hora... agora, se estiver em Brasília, vamos marcar que eu precisava conversar com você pra saber como estão as coisas do banco... quero lhe passar como é que estão as questões da eleição, aí se você estiver em Brasília, me fale. Eu tô indo pra Brasília amanhã oito horas da manhã. Abraço”, disse Wagner, de acordo com a transcrição feita pela PF da mensagem de áudio.

Lima respondeu por escrito: “Vou estar em bsb amanhã à noite. Vamos encontrar sim. Você diz o local e hora. Abração”.

A Polícia Federal aponta que o período da conversa é o mesmo da tramitação de uma proposta, no Senado, que previa o aumento da cobertura individual do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e favorecia diretamente os interesses do Master. Na época dos diálogos, Augusto Lima já havia deixado o comando do banco, mas ainda trabalhava em conjunto com Daniel Vorcaro para encontrar uma solução para a crise de liquidez e venda do Master, enquanto aguardava autorização do Banco Central para abrir seu próprio banco – que acabou sendo liquidado em novembro de 2025 após a crise gerada no Master.

No dia seguinte, Lima enviou mensagem a Wagner dizendo que estava em Brasília. O senador, porém, diz que estava ocupado em uma agenda no Palácio do Planalto: “Estou aqui no Planalto e a reunião ainda nem começou. Como você está amanhã cedo?”. Lima concorda e, pouco tempo depois, Wagner lhe informa o horário para o encontro. “Dá pra você amanhã às 8h15 no meu gabinete?”, perguntou. O empresário confirma a agenda.

Após a reunião no gabinete, a conversa de WhatsApp entre Augusto Lima e Jaques Wagner registra que o banqueiro encaminhou ao petista informações sobre a emenda de interesse do Master relacionada ao FGC.

A PF afirma que esses diálogos reforçam as informações já detectadas no celular de Daniel Vorcaro, de que ele também procurou Wagner para encontros e conversas sobre esse tema, como revelou o Estadão na sexta-feira.

“A sequência de eventos acima, contatos sigilosos do gabinete com DANIEL VORCARO, repasse do número pessoal do Senador ao banqueiro, chamada imediata após a publicação da emenda e encaminhamento do texto ao parlamentar, seguido de encontro presencial com nova menção à emenda, configura, em juízo indiciário, padrão de acompanhamento direto, pelo Senador JAQUES WAGNER, de pauta legislativa de interesse do grupo investigado”, escreveu a PF.

Pedido de apartamento

As trocas de mensagens entre os dois também abordam um pedido de Wagner para a compra de um apartamento em Salvador e pedidos de ingressos para dois shows da cantora Taylor Swift, um deles na Califórnia (EUA) e outro em São Paulo.

Em 26 de novembro de 2024, Wagner enviou a Augusto Lima o contato de um gerente da construtora responsável pelo empreendimento imobiliário Poème Horto, prédio de luxo em construção no bairro do Horto Florestal. “Este é o gerente Salvador da Moura Dubeux a unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi ou no condomínio mais baixo sujeito a inflação nos 36 meses (sic)”, escreveu.

No dia seguinte, Wagner envia o arquivo “Book digital Poeme-11b”, com fotos e descrição do empreendimento.

A PF detectou que operadores financeiros do Banco Master compraram o apartamento para Wagner por meio de fundos de investimento e uma empresa em nome de laranja, para ocultar a propriedade do imóvel. 

A defesa do senador Jaques Wagner reforça que nunca houve atuação, intermediação, negócio ou tratativa envolvendo projetos do Banco Master. O diálogo em questão refere-se a conversas pessoais. O senador já esclareceu publicamente a relação que mantinha com Augusto Lima, que não se confunde com negócios do Banco.

O parlamentar nunca atuou em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira. Sua conduta no Senado Federal é pautada pelo interesse público e defesa do consumidor.

O senador nunca atendeu qualquer pleito do Master. Reforçando isso, em nota, o próprio senador Plínio Valério (PSDB-AM), relator da PEC do BC, afirmou jamais ter sido procurado pelo líder do governo para tratar da chamada “emenda Master”.

Pablo Domingues.

O que diz a defesa de Augusto Lima

As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.

De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.

Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.

Pedro Ivo Velloso

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