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Genial/Quaest: brasileiro quer renovação, mas se sente encurralado por 'polarização inevitável'
Genial/Quaest: brasileiro quer renovação, mas se sente encurralado por 'polarização inevitável'
Pesquisas qualitativas feitas pelo instituto mostram que candidatos da terceira via não avançam por falta de conhecimento e percepção de que não têm chances reais de vitória
Por Bianca Gomes/Estadão
04/06/2026 às 19:40
Foto: Ricardo Stuckert/PR e Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro
O desejo por renovação segue vivo entre eleitores independentes, mas convive com a crença de que a disputa presidencial deste ano será, inevitavelmente, pautada pela polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
É o que mostram duas pesquisas qualitativas realizadas pela Genial/Quaest em maio, às quais o Estadão teve acesso com exclusividade. Uma delas acompanha, desde agosto do ano passado, os mesmos 20 eleitores independentes, que não se consideram nem lulistas nem bolsonaristas. A outra reúne cinco grupos focais das diferentes regiões brasileiras, com o mesmo perfil.
“Embora exista um forte desejo por renovação, o eleitor se sente encurralado por uma polarização que percebe como inevitável”, diz Luciana Andrade, coordenadora de pesquisas qualitativas da Quaest. “A gente percebe nesse grupo de eleitores um clima de apreensão pela falta de uma liderança fora da polarização com chances reais de vitória. O que eles dizem é: “por mais que eu queira uma alternativa, não acho que ninguém hoje vai ter força suficiente para tirar Lula ou Flávio do segundo turno".
Segundo a especialista, muitos desses eleitores afirmam que acabarão votando no candidato que consideram o “menos pior”. Outros dizem que sequer irão às urnas.
Nos grupos focais da Quaest, tanto Lula quanto Flávio carregam fragilidades importantes junto ao eleitorado independente.
Lula sofre com o desgaste fiscal e de imagem e já não desperta a mesma empolgação do passado. O senador, por sua vez, passa por desgaste por conta do caso Master e enfrenta a percepção de que uma eventual gestão sua seria uma continuidade do governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Mesmo nesse cenário, uma candidatura de terceira via segue sem conseguir se viabilizar. Os principais entraves são o baixo conhecimento do eleitorado sobre esses nomes e a percepção de que eles não têm chances reais de vitória.
Como o eleitor independente enxerga a terceira via
Entre os independentes, Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, é visto como um “político tradicional, firme e experiente”, mas prevalece a percepção de que sua candidatura tem poucas chances de ganhar tração.
A principal credencial de Caiado junto a esse segmento é a melhora dos indicadores de segurança pública em Goiás, tema que mobiliza parte importante do eleitorado. Em contrapartida, pesam contra ele o baixo grau de conhecimento fora do Centro-Oeste e a associação com a elite econômica, por conta da sua ligação com o agronegócio.
“Ele é da área mais agro. Vai trabalhar para os grandes agricultores, para o povo rico mesmo”, disse um eleitor do Sul sobre Caiado.
O ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo) tem sua capacidade de gestão reconhecida pelos eleitores independentes, mas também há dúvidas sobre sua viabilidade eleitoral. Entre os pontos negativos citados estão o baixo grau de conhecimento fora do Sudeste, a percepção de frieza administrativa e a falta de empatia.
Segundo a coordenadora de pesquisas qualitativas da Quaest, eleitores costumam citar nas dinâmicas de grupos frases polêmicas do mineiro, como a que ele diz que criança vai poder trabalhar se for eleito presidente.
“Sei que ele é um candidato forte da direita no eixo São Paulo - Minas, mas só isso que sei”, afirmou um eleitor do Sul sobre o ex-governador mineiro.
O pré-candidato da Missão, Renan Santos, ainda é pouco conhecido, mas, segundo a especialista da Quaest, foi o nome de fora da polarização que mais se beneficiou da crise envolvendo Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro. Depois das revelações, parte dos eleitores independentes que vinham se aproximando de Flávio passou a enxergá-lo como uma alternativa.
Apesar disso, sua candidatura ainda enfrenta obstáculos: os entrevistados não conseguem associá-lo a realizações concretas e não o veem como um nome competitivo. Também pesa contra ele a percepção de que governaria mais para “as elites” do que para a população em geral.
“O Renan Santos lembra muito o Cleitinho (senador por Minas). Ele é visto como alguém que denuncia e enfrenta o sistema”, diz Luciana.
