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Fed mantém juros nos EUA entre 3,5% e 3,75%, na 1ª decisão de indicado por Trump para o banco
Fed mantém juros nos EUA entre 3,5% e 3,75%, na 1ª decisão de indicado por Trump para o banco
Decisão unânime encerra divergências entre diretores após um ano
Por Folhapress
17/06/2026 às 17:00
Foto: Reprodução/Youtube
O presidente do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA), Kevin Warsh
O Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) manteve a taxa de juros dos Estados Unidos entre 3,5% e 3,75% nesta quarta-feira (17), na primeira reunião presidida por Kevin Warsh, que substituiu Jerome Powell no comando da autarquia em maio.
Indicado por Donald Trump, o novo presidente do Fed contrariou pedido do republicano, que defende a redução drástica dos juros para 1,5% como uma forma de impulsionar a economia do país. A decisão foi unânime e Warsh foi um dos 12 votantes.
Apesar do pedido de Trump, os dados recentes indicando forte criação de empregos nos EUA, uma taxa de desemprego relativamente baixa de 4,3% e inflação bem acima da meta de 2% do banco central norte-americano levaram o Fed a manter a postura cautelosa das últimas reuniões.
No comunicado, o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) voltou a defender que pretende "garantir a estabilidade de preços" e "manter reservas amplas no sistema bancário". O comitê alertou para o momento de "elevada incerteza" causada "em parte pelo conflito no Oriente Médio".
A reunião acabou também com a divisão que se notabilizou entre os indicados por Donald Trump e os outros integrantes. Essa foi a primeira decisão unânime do Fomc desde junho de 2025. Depois disso, os diretores aliados ao republicano votaram contra as decisões, na maioria das vezes defendendo um corte maior do que o proposto pela maioria.
A reunião de 28 e 29 de abril, a última sob o comando de Powell, foi a que apresentou a maior divergência com oito votos favoráveis à manutenção dos juros entre 3,5% e 3,75%. Um dos diretores pediu a redução de 0,25 ponto percentual, e outros três solicitaram alterações em instruções da política monetária. Agora, os diretores indicados por Trump aceitaram a permanência da taxa no patamar atual.
Os investidores acreditam que o Fed manterá as taxas durante a maior parte do ano, mas apostam em uma chance de quase 43% de um aumento de 0,25 ponto percentual na reunião de dezembro, de acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group.
Nove dos 19 formuladores de política monetária do Fed também acreditam que será necessário aumentar a taxa básica de juros do Fed ainda este ano. Nenhum deles compartilhava dessa opinião há três meses, quando o BC dos EUA publicou suas últimas projeções.
Seis desses nove, ou quase um terço do comitê, acreditam que será necessário mais de um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa este ano, mostram as projeções. Oito creem que as taxas devem permanecer inalteradas, e apenas um considerou que um único corte nas taxas seria adequado.
Essas visões estão no chamado "gráfico de pontos" do Fed, que representa as visões individuais dos formuladores de política monetária sobre a trajetória das taxas de juros. Essas projeções foram divulgadas junto com o comunicado da decisão do Fed.
O comunicado já mostrou alguns sinais da influência de Warsh ao retirar qualquer orientação sobre movimentos futuros nas taxas, com um formato revisado que simplesmente declarou a decisão sobre a taxa e teve um texto mais enxuto do que nas reuniões anteriores.
A descrição da economia abordou questões que Warsh tem enfatizado, mencionando que "o crescimento da produtividade e o investimento de capital estão fortes". Embora reconhecendo que a inflação estava "elevada em relação à meta de 2% do Comitê", isso foi atribuído em parte a "choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em certos setores, incluindo energia".
As mudanças já eram aguardadas pelos especialistas. "Esperamos um viés mais neutro", afirmou Michael Feroli, economista-chefe para os EUA do JP Morgan, antes da reunião do Fed. "É possível que o comitê, sob a liderança de Warsh, faça cortes" no comunicado e elimine completamente as orientações sobre juros, seja nesta reunião ou no futuro.
Warsh substituiu Jerome Powell no mês passado, mas o ex-presidente do Fed segue sendo membro votante do comitê de política monetária em sua função atual como diretor do Fed.
Em sua audiência de confirmação no Senado dos EUA, Warsh afirmou que considera que as autoridades do Fed falam demais e contribuem muito pouco para a discussão sobre a política monetária, o que pode ser um indício de que ele pretende reduzir o ritmo de suas aparições públicas e sua disponibilidade para entrevistas.
