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Diretor da PF defende abertura de novo inquérito para apurar uso de recursos no caso 'Dark Horse'
Diretor da PF defende abertura de novo inquérito para apurar uso de recursos no caso 'Dark Horse'
Por José Marques, Folhapress
02/06/2026 às 16:52
Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse nesta terça-feira (2) ver necessidade de instaurar um inquérito que apure o envio de recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos EUA sob a justificativa de financiar o filme "Dark Horse".
Uma das desconfianças é de que esses recursos bancaram despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025. A PF também quer saber se eles foram usados para outras ações de aliados do ex-presidente junto ao governo Donald Trump.
Segundo Andrei, nas últimas semanas a PF analisou representações que foram encaminhadas ao órgão a respeito desse tema e, depois, enviou uma delas para que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre o conteúdo, o foro adequado e quem seria o relator do processo.
"Há necessidade de instaurar um inquérito para apurar todas essas circunstâncias que permeiam esses episódios", disse o diretor-geral, em entrevista à GloboNews.
Questionado se esse seria um inquérito à parte das demais apurações que tratam do Master, ele respondeu: "No entendimento da nossa área técnica, sim."
"[É necessário] um processo separado porque é preciso analisar novos elementos que foram trazidos agora num eventual suporte de pessoas no exterior que estão confabulando e articulando contra o Brasil, inclusive coagindo no curso do processo, como é o caso de processo que já está em andamento".
Andrei disse que vê três caminhos para essas investigações: o primeiro é que elas sejam agregadas ao caso do Master, que estão sob a relatoria de André Mendonça, no STF (Supremo Tribunal Federal).
Outro caminho é que elas fiquem sob a relatoria de Alexandre de Moraes, que conduz investigação sobre as ações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Uma terceira possibilidade, diz o diretor-geral, é que elas sejam distribuídas livremente, por sorteio, a outro integrante do Supremo.
Os recursos teriam sido transferidos pela Entre Investimentos e Participações, que tem ligações com Vorcaro, a um fundo controlado por aliados de Eduardo e sediado no Texas, nos EUA.
Quando foi revelado, pelo site Intercept Brasil, o financiamento do filme Dark Horse com recursos de Vorcaro, o senador Flávio Bolsonaro disse em nota que era "falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro".
"Os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos."
A PF pretende entender se os recursos —que teriam sido enviados a pedido do dono do Master— foram, de fato, usados para financiar o filme ou se uma parte serviu para custear a vida de Eduardo no país, para onde ele se mudou alegando perseguição de Alexandre de Moraes, ministro do STF. O ex-parlamentar já se queixou de contas bancárias bloqueadas inclusive de sua mulher.
Eduardo foi para os EUA no ano passado. Ele é réu no STF em uma ação sob acusação do crime de coação, sob a relatoria de Moraes.
A acusação diz que ele buscou sanções contra o Brasil e contra autoridades brasileiras com o objetivo de atrapalhar o andamento do julgamento de Jair Bolsonaro pela trama golpista.
A denúncia da PGR foi apresentada em 21 de setembro, após a condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. O documento cita declarações públicas de Eduardo, entrevistas e postagens em que ele expõe sua atuação na imposição de sanções. Em novembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo aceitou a denúncia por unanimidade.
No ano passado, Eduardo chamou a acusação de fajuta e disse que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, é "lacaio de [Alexandre de] Moraes". A defesa também argumenta que não houve violência ou grave ameaça no episódio.
