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Comissão do STJ ouvirá vítimas que acusam Buzzi de assédio em 11 de junho

Comissão do STJ ouvirá vítimas que acusam Buzzi de assédio em 11 de junho

Ministro nega acusações e diz que testemunhas 'certamente poderão elucidar a verdade dos fatos'

Por Isadora Albernaz/Folhapress

01/06/2026 às 18:30

Foto: Sérgio Amaral/Divulgação/STJ/Arquivo

Imagem de Comissão do STJ ouvirá vítimas que acusam Buzzi de assédio em 11 de junho

O ministro Marco Buzzi, do STJ (Superior Tribunal de Justiça)

A comissão responsável pelo processo disciplinar no STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra o ministro da corte Marco Buzzi marcou para 11 de junho o depoimento das duas vítimas que acusam o magistrado de importunação sexual. Ele nega todas as suspeitas.

Também serão ouvidas 16 testemunhas indicadas pela defesa de Buzzi e outras pela acusação. A informação foi confirmada pelo jornal Folha de São Paulo por advogados do caso. A apuração tramita em sigilo na corte.

Em nota, a defesa do ministro do STJ afirmou que, ao todo, indicou 30 pessoas para falar à comissão e que as escolhidas "certamente poderão elucidar a verdade dos fatos". O comunicado diz ainda que a defesa "atuará com serenidade, responsabilidade, com respeito às instituições e as pessoas envolvidas".

Há duas acusações de cunho sexual contra Buzzi. A primeira foi feita em janeiro pela filha de um casal de amigos do ministro, que narrou ter sido agarrada durante um banho de mar no litoral de Santa Catarina. Já a segunda partiu de uma funcionária terceirizada que trabalhava para o magistrado.

Marco Buzzi está afastado do cargo no tribunal desde 10 de fevereiro, quando veio à tona a primeira acusação contra ele, e permanecerá dessa forma até a conclusão da análise. Ele ainda recebe seu salário.

Em 14 de abril, o STJ decidiu abrir um processo disciplinar contra o ministro. Nos bastidores, pessoas que acompanharam a sessão do tribunal afirmam que todos os magistrados presentes votaram pela abertura do processo, mas alguns deles fizeram ponderações.

Os ministros Luis Felipe Salomão, Benedito Gonçalves e Ricardo Villas Bõas Cueva foram sorteados para compor a comissão responsável pela instrução do processo. Humberto Martins e João Otávio de Noronha foram designados como suplentes.

Na mesma data, o relator do processo em âmbito criminal, ministro Kassio Nunes Marques, seguiu entendimento da PGR (Procuradoria-Geral da República) e abriu o inquérito que vai apurar no STF (Supremo Tribunal Federal), a conduta de Buzzi.

Na avaliação do relator, as declarações prestadas pela vítima e pelos pais dela, além das provas produzidas até o momento são suficientes para dar início à persecução penal.

"A notícia-crime se encontra, portanto, amparada em elementos mínimos de informação que justificam a instauração do inquérito para apuração da hipótese delitiva atribuída a M.A.G.B. [Marco Aurélio Gastaldi Buzzi], autoridade com prerrogativa de foro neste Supremo Tribunal Federal", disse.

Uma condenação no STF pelo crime de importunação sexual poderia levar à prisão e à perda dos valores.

Já no caso do processo administrativo, uma decisão recente da Primeira Turma do Supremo deve mudar a punição máxima que pode ser aplicada a Marco Buzzi. Na última terça (26), os ministros do colegiado decidiram pelo fim da aposentadoria compulsória com afastamento remunerado.

Os magistrados foram unânimes ao manter a decisão de Flávio Dino que determina que infrações graves de juízes sejam punidas com a perda do cargo.

Abaixo disso, o magistrado do STJ poderá sofrer advertência ou censura.

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