Home
/
Noticias
/
Brasil
/
Agenda no Ceará e suspeita com Flávio foram estopim para vídeo de Michelle, gravado 2 dias antes
Agenda no Ceará e suspeita com Flávio foram estopim para vídeo de Michelle, gravado 2 dias antes
A publicação foi uma reação a uma ‘tentativa de minar a influência política’ da ex-primeira-dama após ela ter prometido apoiar candidatura de aliadas
Por Guilherme Caetano/Estadão
26/06/2026 às 20:00
Atualizado em 26/06/2026 às 21:32
Foto: Reprodução/Instagram
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro
Um evento eleitoral que deve ocorrer em Fortaleza em 10 de julho e a suspeita de que Flávio e Eduardo Bolsonaro estariam por trás de ataques virtuais foram o estopim para que Michelle Bolsonaro decidisse divulgar o vídeo com críticas ao enteado, segundo integrantes do Partido Liberal (PL).
Michelle gravou o vídeo de quase 30 minutos na segunda-feira, 22, cuja publicação demorou dois dias para que o conteúdo pudesse ser editado e traduzido em Libras, o idioma brasileiro de sinais.
Até então, a ex-primeira-dama vinha se queixando para aliados de “ataques” que sofria de comunicadores próximos aos irmãos Bolsonaro, como Paulo Figueiredo, Kim Paim, Allan dos Santos e Didi Redpill, e demonstrava que via a ofensiva como obra dos enteados.
As críticas teriam se acentuado a partir de suas últimas movimentações políticas, em especial no Ceará, quando bateu de frente com Flávio.
Como pivô da história está a vereadora de Fortaleza e pré-candidata ao Senado Priscila Costa (PL), escolhida vice-presidente do PL Mulher, setorial feminino do partido presidido por Michelle, pela proximidade com a ex-primeira-dama.
Michelle tinha pedido ao PL o apoio a três nomes de sua confiança para a eleição ao Senado: além de Priscila, Caroline de Toni (SC) e Bia Kicis (DF). O deputado federal André Fernandes (PL-CE), no entanto, articulava para se aliar a Ciro Gomes (PSDB), candidato ao governo estadual, e emplacar o pai, o deputado estadual Alcides Fernandes, numa das vagas ao Senado — enquanto a outra ficaria com os tucanos aliados.
A articulação do PL cearense para acomodar uma indicação de Ciro e outra do pai de André foi criticada de forma explícita por Michelle no vídeo publicado. O principal argumento dela é que o ex-presidenciável do PDT já fez diversas ofensas a Bolsonaro e aos filhos nos últimos anos, e que, por questão de princípios, ela não poderia apoiá-lo.
“Já que a aliança com Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga de seu próprio pai? Por que só a mulher tem que ceder?”, questionou ela na publicação.
Com apoio de Flávio, o grupo político de André Fernandes, que preside a sigla no Estado, organizou um evento de lançamento da pré-candidatura de Alcides ao Senado para 10 de julho, em Fortaleza.
Para não ver a principal aliada rifada, Michelle confirmou presença no evento e declarou, em 16 de junho, que subiria no palanque para lançar também a pré-candidatura de Priscila. O movimento acendeu um alerta no PL local, que viu a aliança com Ciro ameaçada.
O grupo político de Michelle, a partir de então, passou a relatar notícias que consideraram “fabricadas” circulando em perfis e sites do Ceará, com a informação de que a ex-primeira-dama estaria exigindo desculpas dos filhos do marido para que pudesse dar apoio público à pré-campanha presidencial.
O conteúdo circulando, segundo aliados de Michelle, tinha como objetivo descredibilizar a ex-primeira-dama junto ao eleitorado, levando-o a acreditar que, enquanto o grupo político de André e Flávio estariam trabalhando para derrubar o PT do poder, a madrasta estaria “fazendo birra” e se preocupando com pedidos de desculpas. Ela passou os dias seguintes elaborando o roteiro do vídeo.
“Agora, vou desmentir as narrativas e notícias que circulam na imprensa. Eu sei quem as planta. Eu sei quem são as fontes. Eles me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem, mas eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam”, afirmou Michelle no vídeo de quarta-feira.
A publicação do vídeo, que teve curtidas de lideranças como Celina Leão, Ricardo Salles, Damares Alves, Eduardo Girão e Marcelo Queiroga, foi uma reação a uma “tentativa de minar a influência política” de Michelle Bolsonaro dentro do PL, dizem fontes do PL. Para uma delas, a ex-primeira-dama hoje enfrenta sozinha “cinco homens: Flávio, Eduardo, André, Alcides e Ciro Gomes”.
A manutenção do poder da ex-primeira-dama dentro do PL passa por proteger e emplacar suas aliadas, sob o risco de vê-las dar lugar a candidatos de outros grupos políticos, em especial a dos enteados.
Uma de suas aliadas diz que o motivo do vídeo não foi apenas a candidatura de Priscila, mas de blindar “todo um movimento que Michelle vem construindo desde 2023″.
O argumento desse grupo é que, se a presidente do próprio PL Mulher dá sua palavra de que vai ajudar nas candidaturas das aliadas e depois vê sua articulação ser implodida por correligionários, a derrota é para todo o projeto e as ideias que Michelle vem defendendo nos últimos anos — uma perda de poder e influência.
Michelle e os enteados têm uma relação difícil desde sempre, em especial com o ex-vereador Carlos Bolsonaro, segundo filho de Jair. O convívio com Flávio se deteriorou desde dezembro, quando, enquanto ambos eram cotados para herdar o espólio eleitoral do ex-presidente, o senador toma a dianteira e anuncia ter sido nomeado sucessor político do pai.
A cúpula do PL vinha defendendo que Michelle se lançasse candidata ao Senado pelo Distrito Federal, ao lado de Bia Kicis, mas a ex-primeira-dama vem demonstrando indisposição em assumir a empreitada. Ela diz que, com a saúde do marido debilitada e tendo de cuidar dele diariamente, ela fica impossibilitada de fazer campanha, viajar e assumir um mandato.
A pré-campanha de Flávio respondeu em diferentes tons ao vídeo de Michelle. Primeiro, o senador disse durante uma transmissão ao vivo que “nada tiraria o seu bom humor” em dia de jogo da seleção brasileira.
Horas depois, num longo texto, ele declarou ser casado há 16 anos, pai de duas meninas e que nunca havia desrespeitado, maltratado ou humilhado qualquer mulher na vida, ainda menos com a “esposa do próprio pai”.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que vai se reunir com os dois na semana que vem para colocar panos quentes na situação.
1 Comentário
Nilson
•
26/06/2026
•
20:37
