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Novo Desenrola pode renegociar até R$ 77,7 bilhões em dívidas, segundo previsão de analistas

Novo Desenrola pode renegociar até R$ 77,7 bilhões em dívidas, segundo previsão de analistas

Governo projeta R$ 20 bilhões em renegociações e benefício para 20 milhões de pessoas

Por Matheus dos Santos/Folhapress

14/05/2026 às 20:00

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Novo Desenrola pode renegociar até R$ 77,7 bilhões em dívidas, segundo previsão de analistas

O ministro Dario Durigan (Fazenda)

A nova versão do Desenrola Brasil tem potencial para renegociar entre R$ 62,7 bilhões e R$ 77,7 bilhões em dívidas de brasileiros, segundo relatórios do BTG Pactual e da XP Investimentos. Para as instituições financeiras, o programa pode aliviar a situação de consumidores endividados e inadimplentes, embora existam dúvidas sobre sua eficácia estrutural.

O programa já está sendo oferecido pelos bancos e é voltado para dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC), com atraso entre 90 dias e dois anos. Os participantes terão até 35 dias para pagar a primeira parcela.

A nova edição do programa conta com quatro frentes: famílias (para pessoas com renda de até cinco salários mínimos), Fies (estudantes inadimplentes), empresas (micro e pequenos negócios) e rural (agricultores familiares).

O Desenrola Família é considerado a principal frente do governo. Na modalidade, podem participar brasileiros com renda de até R$ 8.105 mensais.

Segundo o BTG, o potencial de renegociação do programa atual é de R$ 62,7 bilhões. A instituição também faz a comparação com a primeira versão, lançada em 2023, em relatório assinado pelos economistas Tiago Berriel e Bruno Martins.

Na época, o governo estimava que o programa poderia destravar até R$ 100 bilhões em renegociações. A primeira edição beneficiou cerca de 15 milhões de pessoas, com a renegociação de R$ 53,2 bilhões em dívidas.

Agora, a expectativa do governo é alcançar R$ 20 bilhões em renegociações e beneficiar 20 milhões de pessoas.

"Dado o montante total de R$ 62,7 bilhões elegível, o Desenrola 2.0 não parece ter potencial para superar o alcance do primeiro programa", afirma o BTG.

Segundo o banco, isso ocorre porque a nova edição está concentrada em dívidas bancárias, ao contrário da primeira versão, que também incluía débitos não bancários (contas de luz ou com varejistas).

Os autores do relatório também argumentam que os resultados da primeira edição não foram suficientes para impulsionar o consumo dos beneficiários diretos do programa —aqueles com dívidas de até R$ 5.000 e renda mensal de até dois salários mínimos ou inscritos no CadÚnico (Cadastro Único).

A nova versão amplia o alcance para pessoas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas de até R$ 15 mil após descontos.

Segundo o estudo, o programa reduziu a inadimplência e permitiu renegociações, mas também transformou dívidas antigas em novos compromissos mensais.

"Isso ajuda a explicar por que o programa pode não ter gerado melhora perceptível de bem-estar no curto prazo: limpar o nome não significa, automaticamente, aumentar renda disponível ou acesso efetivo a crédito".

Para o BTG, o mesmo problema pode ocorrer nesta nova fase do programa. "Se o crédito adicional foi mais direcionado ao grupo de controle do que aos beneficiários, o impacto subjetivo sobre consumo e bem-estar das famílias mais pobres tende a ser limitado".

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