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Ibaneis Rocha achou que poderia gerir o DF através de mim, diz Celina Leão: 'Um pouco misógino isso'

Ibaneis Rocha achou que poderia gerir o DF através de mim, diz Celina Leão: 'Um pouco misógino isso'

Governadora afirma estar enfrentando o problema do BRB e a 'situação precária' do DF sem atacá-lo

Por Thaísa Oliveira/Adriana Fernandes/Folhapress

27/05/2026 às 17:20

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Ibaneis Rocha achou que poderia gerir o DF através de mim, diz Celina Leão: 'Um pouco misógino isso'

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP)

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que seu antecessor, Ibaneis Rocha (MDB), achou que ficaria à frente do governo por meio dela, acusou-o de misoginia e disse que nunca considerou deixá-lo de fora de sua chapa.

Celina disse que foi pega de surpresa com o vídeo gravado por Ibaneis na semana passada em que ele diz estar decepcionado com ela e sugere um "realinhamento" entre os dois. A governadora afirmou que está enfrentando o problema que ele deixou no BRB, o banco distrital, sem ataques, e que ele deveria estar orgulhoso.

"Eu fui pega de surpresa com a fala dele de decepção. Mas é incoerente a fala dele porque, com a situação precária [em] que ele me deixou o estado, ele tinha que estar muito orgulhoso, porque eu estou conseguindo pagar as contas", disse ao jornal Folha de São Paulo.

"Estou enfrentando o problema que ele deixou do BRB de frente, sem atacá-lo. Fiquei um pouco surpresa com a fala dele, mas talvez seja pela questão de [ele] achar que iria continuar governando através de mim. Um pouco também misógino isso, achar que as mulheres são comandadas ou podem ser marionetes", completou.

Ibaneis deixou o Governo do Distrito Federal em março para disputar uma das duas vagas ao Senado, em outubro. O ex-governador foi o principal fiador político da tentativa frustrada do BRB de comprar o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Apesar de a operação ter sido barrada pelo Banco Central, o BRB segue com um rombo nas contas por causa da compra de ativos e carteiras de crédito fraudulentas do Master. Tanto Vorcaro como o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa estão presos e negociam um acordo de delação premiada.

Políticos ouvidos pela reportagem afirmam que Celina tem evitado Ibaneis. Uma liderança que preferiu não se identificar diz que o emedebista reclamou que não tem conseguido falar com a governadora sequer por telefone.

O acordo negociado antes do escândalo BRB-Master reservava uma vaga ao Senado no palanque de Celina para Ibaneis e outra para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), de quem é amiga. Apesar disso, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) afirma que também vai disputar o Senado em uma dobradinha com Michelle.

No vídeo gravado por Ibaneis na quarta-feira da semana passada (20), o presidente do MDB, deputado federal Baleia Rossi, diz que "não há hipótese de o MDB não participar da chapa majoritária". Questionada sobre o impasse, Celina afirmou que a retirada de Ibaneis "nunca foi cogitada".

"Nunca foi falado que ele não teria [espaço na chapa], até porque ele tem partido. Se ele tem partido, ele tem a vaga dele na majoritária", disse Celina à reportagem.

Para aplacar o mal-estar com a base aliada, a governadora se reuniu com os presidentes dos partidos na segunda-feira (25) ao lado do secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha (Republicanos), seu candidato a vice.

Segundo o relato de um dirigente, Celina disse que gostaria de manter seu grupo político unido, incluindo o MDB —apenas PSB, Cidadania, PT e PSOL se declaram oposição. A governadora também fez uma espécie de mea culpa, dizendo que a crise envolvendo o BRB tem consumido boa parte do tempo dela.

Outra situação que preocupa a governadora do DF é a possibilidade de o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) disputar as eleições.

Arruda tenta voltar à política depois de quase 15 anos. Pivô do mensalão do DEM, o ex-governador foi preso e condenado em processos derivados da Operação Caixa de Pandora, de 2009, quando foi filmado recebendo um maço de dinheiro.

A candidatura dele depende do resultado do julgamento em curso no plenário virtual do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre as mudanças na Lei da Ficha Limpa, que reduziram o prazo que um candidato pode ficar inelegível.

O julgamento começou na sexta-feira (22) com o voto da ministra relatora, Cármen Lúcia, para restaurar o texto original da lei. A ministra considerou a alteração feita pelo Congresso Nacional no ano passado como um "patente retrocesso".

Celina se reuniu com o ministro do Supremo Cristiano Zanin no último dia 12. Um dos assuntos discutidos na reunião, segundo relatos feitos à reportagem, foi o julgamento da Ficha Limpa.

Inicialmente, a agenda do ministro indicava que a reunião com Celina tinha duas pautas: Ficha Limpa e BRB. Depois, a pedido do Governo do Distrito Federal, o Supremo alterou a agenda de Zanin e suprimiu a informação da Ficha Limpa.

A governadora negou ter tratado das mudanças na Lei da Ficha Limpa com Zanin —o que diverge das informações recebidas pela reportagem. Perguntada sobre a alteração na agenda, Celina não respondeu.

"A gente tratou sobre BRB. A gente não entrou nesse tema, não", disse. "Não fui que pedi a agenda, foi a assessoria. Então não sei".

O julgamento ocorre em plenário virtual, em que os votos são depositados por escrito. A sessão vai até sexta (29), mas pode ser interrompida se houver pedido de vista ou de destaque para o plenário presencial. Luiz Fux acompanhou a relatora e votou para restabelecer o texto original da lei.

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