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Desenrola 2.0 abre caminho para mercado ilegal em ano de Copa, acreditam bets
Desenrola 2.0 abre caminho para mercado ilegal em ano de Copa, acreditam bets
Novo programa de refinanciamento bane quem aderir por um ano de sites de apostas
Por Alex Sabino/Folhapress
05/05/2026 às 15:25
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O ministro Dario Durigan (Fazenda) durante assinatura da Medida Provisória referente ao Novo Desenrola Brasil
As principais bets do país avaliam que o governo federal escancarou as portas para as empresas ilegais em ano de Copa do Mundo. Este costuma ser o período de maior faturamento do setor.
A preocupação foi levada a Brasília por representantes das companhias. Uma delas, ouvida pela coluna, já imaginava que as ponderações não seriam levadas em conta.
A nova versão do Desenrola estabelece que o CPF de quem aderir ao programa de renegociação de dívidas ficará bloqueado em plataformas de apostas por 12 meses. A questão, apontada pelas empresas, é que isso vai empurrar para sites ilegais, não sujeitos a qualquer regulamentação, as pessoas banidas e que ainda querem apostar.
O novo Desenrola é voltado a pessoas com renda de até cinco salários-mínimos e prevê descontos de 30% a 90% em dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, além de permitir o uso de até 20% do saldo do FGTS para quitação.
O Brasil é o quinto maior mercado de apostas do mundo. No ano passado, teve faturamento estimado em US$ 4,1 bilhões, de acordo com a consultoria Regulus Partners. Dados do IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável) apontam que os sites ilegais têm 51% do mercado e movimentam cerca de R$ 40 bilhões.
O presidente Lula já havia indicado sua posição sobre as bets antes do lançamento do programa. Em pronunciamento, afirmou que "o que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet". Disse também que "não foi nosso governo que deixou as bets entrarem no Brasil, mas é o nosso governo que vai colocar um limite à destruição que elas vêm causando".
As principais empresas do setor estão em uma ofensiva para demonstrar que não são as responsáveis pelo endividamento das famílias brasileiras, que chegou a 49,9% em fevereiro.
O IBJR argumenta que a principal fonte do superendividamento, que atinge 80,4% das famílias, é o cartão de crédito. O gasto com apostas corresponderia a apenas 0,2% a 0,5% do consumo.
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