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Datafolha: Lula abre vantagem sobre Flávio após 'Dark Horse'

Datafolha: Lula abre vantagem sobre Flávio após 'Dark Horse'

Por Igor Gielow, Folhapress

22/05/2026 às 16:21

Atualizado em 22/05/2026 às 16:23

Foto: Ricardo Stuckert e Gabriela Biló/Divulgação/Arquivo

Imagem de Datafolha: Lula abre vantagem sobre Flávio após 'Dark Horse'

Distância no 1º turno sobe de 3 para 9 pontos; no 2º turno, petista agora supera senador por 47 a 43

Na primeira pesquisa do Datafolha após a eclosão do caso "Dark Horse" na campanha de Flávio Bolsonaro, o presidente Lula (PT) ampliou de 3 para 9 pontos a vantagem sobre o senador pelo PL do Rio na simulação de primeiro turno, marcando 40% ante 31% do rival.

Há uma semana, Lula estava em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais do levantamento: 38% a 35%. No cenário do segundo turno, a igualdade em 45% virou agora uma vantagem de 47% a 43% para o petista.

Na semana passada, o instituto havia divulgado um levantamento cuja maioria das entrevistas havia sido feita antes da revelação de que Flávio havia pedido dinheiro para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sob a justificativa de financiar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente condenado por tentativa de golpe Jair Bolsonaro.

Agora, o Datafolha voltou às ruas de quarta (20) a quinta-feira (21) com o episódio já amplamente conhecido: 64% dos 2.004 entrevistados em 139 cidades disseram ter ouvido falar do caso, com um percentual igual de ouvidos que acham que o senador agiu mal.

No cenário mais provável hoje de primeiro turno, Lula e Flávio seguem isolados à frente. Os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO, 4%) e Romeu Zema (Novo-MG, 3%) empatam com Renan Santos (Missão) e Samara Martins (UP), ambos com 3%.

Tecnicamente no mesmo patamar estão Augusto Cury (Avante, 2%), Rui Costa Pimenta (PCO, 1%), Cabo Daciolo (Mobiliza, 1%) e Aldo Rebelo (DC, 1%), removido da disputa pelo seu partido, que agora fala em indicar o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa. O movimento ocorreu após o registro da pesquisa, sob o código BR-07489/2026 no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Lula segue em vantagem numa hipotética segunda rodada ante seus outros rivais. Da semana passada para cá, passou de 46% a 48% no embate com Caiado, que ficou em 39%. Contra Zema, teve a mesma variação, enquanto o mineiro oscilou de 40% para 39%.

Cogitada como um nome para substituir Flávio em caso de desistência, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) tem desempenho semelhante ao do senador num hipotético segundo turno contra Lula. Nesse, ela teria 43%, enquanto o presidente marcaria 48%.

Já na simulação de primeiro turno, ela vai pior do que Flávio, marcando 22% enquanto Lula tem 41%, ainda assim isolados do pelotão de baixo, liderado por Zema com 6%. Hoje, a candidatura Michelle é vista como distante. O ex-presidente e o PL querem que ela dispute o Senado pelo Distrito Federal.

O resultado traduz o primeiro baque na campanha do senador desde que seu nome foi lançado, no fim do ano. Surfando numa onda de más notícias para o governo Lula e sem contestações diretas, Flávio isolou-se no segundo lugar no primeiro turno.

Em abril, superou numericamente o petista pela primeira vez no cenário de segunda rodada. Na aferição da semana passada, a subida havia sido estancada e ambos haviam empatado em 45%.

A situação política de Flávio é delicada. Desde que o caso emergiu, a partir de uma reportagem do Intercept Brasil, ele foi pego mudando de versão várias vezes.

Inicialmente, acusou o site de divulgar fake news, só para depois admitir que havia pedido o dinheiro supostamente para a produção de "Dark Horse" (azarão, em inglês), sobre a vitoriosa campanha de 2018 de Bolsonaro.

Depois, admitiu que algo mais, "um vídeo", poderia aparecer, mas sustentou que não havia tido contato pessoal com o ex-banqueiro. Ligações entre o entorno da película e seu irmão, o deputado cassado Eduardo (PL-SP), apareceram. Na terça (19), o senador admitiu que se encontrou com Vorcaro após ele ter saído da prisão.

O ex-banqueiro, que viu o Master liquidado no ano passado, está no centro de um escândalo estimado em dezenas de bilhões de reais a partir da emissão de títulos podres e sobrevalorização de ativos, envolvendo no processo governos e uma tentativa de compra do banco pelo estatal BRB.

Suas conexões com o mundo político e empresarial estão na mira de investigações da Polícia Federal, e já atingiram outras figuras ligadas a Flávio, como o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira. Sob desconfiança de aliados, o senador trocou de marqueteiro e diz que seguirá na disputa.

Segundo o Datafolha, Flávio segue com vantagem sobre seus adversários na disputa e continua sendo a principal figura anti-Lula no pleito de outubro. Na pesquisa espontânea, quando o eleitor não vê a lista de opções, ele se manteve estável com 17% de intenção de voto —o presidente tem 28%. Michelle não é citada.

A rejeição dos dois líderes segue dando o tom no quesito: não votariam de modo algum em Flávio 46%, ante 45% que também descartam apoiar Lula. Michelle vem a seguir, com 31% de rejeição.

Em favor da ex-primeira-dama há o fato de que ela é um pouco menos conhecida do que o enteado. Não sabem quem ela é 13%, ante 7% que dizem o mesmo do senador. Nesse ponto, os ex-governadores na disputa têm um "mix" favorável: Caiado é desconhecido por 52% e tem 15% de rejeição, enquanto Zema marca 53% e 18%, respectivamente.

Do ponto de vista de perfil do eleitorado, não há mudanças significativas. Lula tem seu maior apoio entre as mulheres, os mais pobres, menos instruídos, nordestinos e católicos. Já Flávio registra um desempenho acima da média entre homens, evangélicos, moradores do Sul e do Norte/Centro-Oeste e nos segmentos de classe média e mais ricos.

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