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Comunidade judaica pede ao TSE extensão de votação no 1º turno por coincidir com feriado
Comunidade judaica pede ao TSE extensão de votação no 1º turno por coincidir com feriado
Data do pleito coincide com o Simchat Torá, que se encerra 1h40 após fechamento das urnas
Por Fábio Zanini/Folhapress
01/05/2026 às 22:00
Foto: Antonio Augusto/TSE/Arquivo
Sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
Representantes da comunidade judaica estão se mobilizando para que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tome medidas para garantir o direito a voto no primeiro turno da eleição de adeptos da religião que a seguem de forma ortodoxa.
O motivo é que neste ano o dia 4 de outubro, data do primeiro turno, coincide com a celebração de Simchat Torá, um dos feriados mais importantes do calendário religioso judaico. A observância estrita da data impõe restrições que impedem o deslocamento a locais de votação e contato com dispositivos como a urna eletrônica.
O feriado judaico, cujo significado literal é "Alegria da Torá", celebra a conclusão do ciclo anual de leitura pública da Torá (os cinco livros de Moisés) e o início imediato de um novo ciclo.
Em 2026, o feriado se encerra às 18h40 do dia 4, após o fechamento das urnas, às 17h.
Em uma petição ao TSE, os advogados Mônica Rosenberg, Evane Beiguelman Kramer e Daniel Rosenhek Schor pediram que sejam reservadas algumas seções eleitorais, que ficariam abertas e receberiam eleitores judeus previamente cadastrados, para poderem votar após o fim do feriado.
"A presente petição não pretende questionar o calendário eleitoral aprovado por esta corte, tampouco pleitear a alteração geral da data das eleições. O que se requer é a adoção de providências administrativas proporcionais, tecnicamente delimitadas e previamente organizadas, de modo a evitar que um grupo específico de cidadãos brasileiros sejam colocados diante da escolha inconstitucional entre o exercício do voto e a observância de sua fé", afirma a petição.
Também haverá um abaixo-assinado online sobre o tema. "Esse não é um pedido de privilégio: é uma solicitação de um direito que deveria se estender a todas as religiões e suas datas sagradas. Democracia de verdade é quando ninguém fica de fora", diz Rosenberg.
Ex-secretário de Comunicação do governo Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten também está se mobilizando para pedir a alteração, além de outros membros da comunidade judaica, estimada em 120 mil pessoas no Brasil. Nem todas, no entanto, seguem a fé de forma ortodoxa.
"Essa é uma preocupação de importantes lideranças religiosas. Se estenderem o horário, os judeus poderão votar", diz o advogado Marcelo Knopfelmacher, que também tem se mobilizado sobre o tema.
