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Comissão do Senado pauta autonomia financeira do BC, mas governo deve pedir vista
Comissão do Senado pauta autonomia financeira do BC, mas governo deve pedir vista
Mesmo sem acordo, presidente da CCJ incluiu tema na pauta na próxima quarta (20)
Por Gabriela Echenique/Folhapress
18/05/2026 às 15:30
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
O governo Lula deve pedir vista, ou seja, mais tempo para analisar a PEC que prevê autonomia financeira do Banco Central. O projeto foi pautado para a próxima sessão da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, marcada para quarta-feira (20).
O texto já estava pronto para ir à votação há mais de duas semanas, mas, por causa das sessões semipresenciais marcadas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o presidente da comissão, senador Otto Alencar (PSD), preferiu adiar a análise da matéria.
O assunto é considerado espinhoso dentro do governo e, mesmo sem acordo com a base aliada, Alencar pautou o projeto. Na avaliação dele, é o momento próprio para apreciar o tema.
A autonomia do Banco Central foi aprovada em 2021, e a nova PEC dá ainda mais liberdade ao órgão. A ideia é que haja plena autonomia orçamentária, técnica, administrativa e financeira, sem qualquer interferência do governo.
O assunto voltou à tona em meio às fraudes do Banco Master. Segundo as investigações da PF (Polícia Federal), o dono do banco, Daniel Vorcaro, teria subornado servidores da instituição.
Apesar da pressão, no final de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Master. Para defensores da proposta, isso só foi possível por causa da autonomia do órgão.
O texto também blinda o Pix, incluindo o método de pagamento na Constituição e garantindo a gratuidade para pessoas físicas.
Foi com este argumento que servidores do Banco Central percorreram gabinetes de senadores nas últimas semanas para tentar convencer o governo a votar a favor da PEC. Apesar da insatisfação do governo Lula, a expectativa é garantir apoio de outros partidos para que o texto vá ao plenário em junho.
Por causa das eleições, a categoria admite, nos bastidores, que não deve conseguir a tão sonhada autonomia do banco neste ano. A proposta ainda precisa ser aprovada na Câmara dos Deputados.
