BC avança em regra para restringir uso do FGC por bancos após caso Master
Autoridade monetária define forma de cálculo de parâmetros usados em norma que requer ativos de qualidade
Por Nathalia Garcia/Folhapress
29/05/2026 às 18:00
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo
Banco Central
O Banco Central publicou nesta sexta-feira (29) uma resolução que define regras mais detalhadas relacionadas à medida que busca restringir o uso do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) por bancos como estratégia para captação de recursos.
A regulamentação complementa as mudanças anunciadas em abril, após decisão do CMN (Conselho Monetário Nacional), quando se passou a exigir das instituições financeiras que os recursos sejam lastreados em ativos de maior qualidade.
O aperto nas regras ocorre no rastro da crise gerada pelo Banco Master, que deixou um rombo de mais de R$ 50 bilhões no FGC. A instituição de Daniel Vorcaro tinha como estratégia vender CDBs com alta remuneração, usando a cobertura do FGC como atrativo.
A medida introduziu o conceito de "ativos de referência", indicador que, segundo o BC, "deve refletir a qualidade, a diversificação e a transparência dos ativos mantidos pela instituição". Eles englobam títulos públicos, operações de crédito e depósitos compulsórios.
Não devem ser considerados nessa classificação, por exemplo, ativos cujas origens estejam vinculadas a instrumentos de captação não assegurados pelo FGC.
A norma aprimora a forma de cálculo do valor de referência, que representa a exposição potencial do FGC aos instrumentos de captação das instituições, e do patrimônio líquido ajustado, indicador relevante para avaliar a capacidade das instituições de absorver perdas.
Conforme as novas regras, se o valor de referência ultrapassar o montante aplicado pela instituição em ativos de referência, o excedente deverá ser alocado em títulos públicos federais, considerados investimentos seguros.
Em um exemplo hipotético, se um banco captou R$ 100 milhões em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) cobertos pelo FGC, mas tiver R$ 80 milhões aplicados em ativos de referência, deverá alocar os R$ 20 milhões excedentes em títulos públicos, onde os recursos ficarão travados.
Em relação ao valor de referência, a partir de novembro, os depositários centrais deverão fornecer às instituições associadas ao FGC dados agregados sobre créditos cujos titulares não sejam cobertos pela garantia.
"Esse detalhamento permitirá a exclusão de créditos de titulares inelegíveis à garantia da base de cálculo do VR [valor de referência], permitindo a melhor calibração da exposição de risco", informou o BC.
Segundo a autoridade monetária, as alterações "aumentam a consistência das métricas utilizadas na regulação, melhoram a qualidade das informações disponíveis e reforçam a capacidade das instituições financeiras de lidar com riscos, fortalecendo a solidez e a transparência do sistema financeiro nacional".
ATIVOS VIRTUAIS
O Banco Central divulgou também nesta sexta que, a partir da próxima segunda-feira (1º), passará a exigir a apresentação de um relatório emitido por uma auditoria independente registrada na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para autorizar o funcionamento de prestadoras de serviços de ativos virtuais.
A autoridade monetária disse que, com a mudança, passa a considerar na sua análise uma opinião técnica independente sobre os procedimentos adotados pelas empresas para identificar e prevenir operações suspeitas, especialmente aquelas relacionadas aos crimes de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo.
"A exigência tem como objetivo aumentar a segurança das decisões nos processos de autorização, ao mesmo tempo em que reforça o alinhamento do país às práticas e aos padrões internacionais de combate a esses crimes", disse o órgão em nota.
"Além disso, a verificação por auditoria independente contribui para maior transparência e confiabilidade nos controles adotados pelas empresas do setor", acrescentou.
