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Anvisa libera retomada de fábrica da Ypê e uso de produtos fabricados a partir do dia 1º de abril

Anvisa libera retomada de fábrica da Ypê e uso de produtos fabricados a partir do dia 1º de abril

Fiscalização constatou adequações das ações corretivas feitas pela Ypê, diz a Anvisa

Por Mateus Vargas/Folhapress

29/05/2026 às 19:00

Atualizado em 29/05/2026 às 18:37

Foto: Divulgação/Arquivo

Imagem de Anvisa libera retomada de fábrica da Ypê e uso de produtos fabricados a partir do dia 1º de abril

Detergentes Ypê

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou nesta sexta-feira (29) a retomada da produção da Ypê na fábrica de Amparo (SP) após nova inspeção.

O órgão regulador também decidiu permitir o uso dos produtos identificados pelo final de lote "1" fabricados a partir de 1° de abril de 2026. Os itens fabricados antes dessa data seguem suspensos e devem permanecer armazenados em local seguro, segundo a Anvisa.

A Anvisa afirmou que a fábrica "está apta a retomar suas atividades de forma imediata".

"A autorização foi concedida à empresa após uma reinspeção conjunta, que começou ontem e termina hoje, realizada pela Agência em parceria com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP), o Grupo de Vigilância Sanitária Campinas (GVS) e a Vigilância Sanitária de Amparo (Visa-Amparo)", disse a Anvisa.

O presidente da agência, Leandro Safatle, e o diretor Daniel Meirelles, responsável pela área de fiscalização, acompanharam a inspeção na fábrica de Amparo.

Segundo a agência, a fiscalização constatou "a adequação das principais ações corretivas que têm sido implementadas pela Ypê desde a suspensão" dos itens.

No último dia 7, a Anvisa determinou o recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante da marca com a numeração final 1 de lote, fabricados em Amparo, a 130 km de São Paulo. A agência ainda suspendeu a fabricação dos produtos sob argumento de que havia falhas no controle de qualidade.

Os produtos feitos antes de abril não devem ser descartados, segundo a Anvisa. "Sua liberação ocorrerá à medida que a empresa apresentar laudos de laboratórios autorizados pela Anvisa".

A interdição dos lotes se tornou munição para campanha movida por líderes e militantes bolsonaristas em defesa da Ypê, com divulgação de teorias fantasiosas e ataques à direção da Anvisa.

As inspeções sanitárias feitas em Amparo em 2025 e 2026 foram desdobramentos de denúncias apresentadas à Anvisa e à Senacom pela multinacional anglo-holandesa Unilever, dona de marcas como Omo, Comfort e Cif.

As acusações afirmam que testes feitos pela Unilever nos produtos da concorrente detectaram a presença de uma bactéria identificada como Pseudomonas aeruginosa. A Anvisa diz que a presença da bactéria foi confirmada por análises laboratoriais contratadas pela própria Ypê.

No último dia 15, a agência havia decidido manter o veto aos produtos, mas suspender o recolhimento dos lotes. Durante aquela votação, o presidente da Anvisa disse que inspeção feita em abril na Ypê "localizou "deficiências estruturais e operacionais" e incapacidade da empresa de cumprir regras da Anvisa.

A agência diz que localizou mais de 140 lotes contaminados no estoque da empresa em Amparo. Segundo a Anvisa, ela pode causar infecções na pele, nos olhos e nos sistemas urinário e respiratório, "especialmente em pessoas mais vulneráveis".

Em dezembro de 2025, após a primeira ordem para recolher lotes de lava roupas líquido da marca, a Química Amparo, dona da marca Ypê, apresentou à Anvisa um plano de reestruturação do parque fabril para tentar atender às exigências sanitárias.

Em reunião feita em abril do ano seguinte, a empresa disse à agência que o plano envolveria investimentos de até R$ 110 mil. Após a interdição dos lotes, as medidas foram reformuladas, e a Ypê estima que irá desembolsar cerca de R$ 130 milhões. Além da reforma, a Ypê tem argumentado à Anvisa e para a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) que eventual presença da bactéria "não necessariamente representa a periculosidade do produto".

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