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André Mendonça, do Supremo, autoriza Vorcaro a voltar para cela especial na Polícia Federal
André Mendonça, do Supremo, autoriza Vorcaro a voltar para cela especial na Polícia Federal
Defesa do ex-banqueiro havia reclamado de más condições do local atual
Por Luísa Martins/José Marques/Ana Pompeu/Folhapress
22/05/2026 às 17:15
Atualizado em 22/05/2026 às 17:33
Foto: Reprodução/Polícia Federal/Arquivo
Daniel Vorcaro no dia que foi transferido de São Paulo para Brasília
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a volta do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a uma cela especial na superintendência da PF (Polícia Federal) em Brasília.
A decisão diz que a PF deve providenciar com urgência a saída do dono do Banco Master da cela comum.
Mendonça sinalizou a interlocutores que levou em conta as queixas da defesa do empresário sobre as más condições do local atual. A decisão também é vista como uma chance para que Vorcaro evolua nas tratativas para a delação e entregue mais informações.
Vorcaro deve ser transferido para o espaço da superintendência que foi inicialmente ocupado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que no momento cumpre prisão domiciliar temporária devido a problemas de saúde.
Na quarta (20), a PF rejeitou o acordo de colaboração oferecido por Vorcaro. A corporação entendeu que os fatos narrados por ele pouco acrescentaram à investigação e que o valor de devolução proposto para reparar os prejuízos é insuficiente.
Vorcaro pretende seguir nas negociações com a PGR (Procuradoria-Geral da República), mas Mendonça ainda está cético quanto à viabilidade de homologar um acordo que dê benefícios ao empresário.
O advogado José Luis Oliveira Lima, que negociava a delação de Vorcaro, deixou a defesa nesta quinta. As tratativas devem seguir sob o comando do advogado Sérgio Leonardo, que é próximo do ex-banqueiro desde a juventude.
Quando começaram as tratativas da delação, Mendonça chegou a considerar a possibilidade de, a depender da quantidade e da qualidade das informações prestadas, autorizar a prisão domiciliar para o empresário. Passados dois meses, esse é um cenário praticamente descartado pelo ministro.
O relator lembrou a pessoas próximas que, desde que Vorcaro iniciou as negociações, em 19 de março, houve pelo menos quatro novas fases da Compliance Zero, o que demonstra que a investigação é capaz de "caminhar com as próprias pernas" e que a delação é, na verdade, dispensável.
Também há uma leitura de que a PGR costuma ser mais criteriosa que a PF na hora de firmar acordos —sendo assim, se a PF já rejeitou uma proposta, isso pode ser um mau sinal para Vorcaro. Apesar disso, procuradores ainda não descartam a delação, pois avaliam que um caso da dimensão do Master exige mais tempo de análise.
