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Trump xinga apoiadores nas redes após receber críticas e expõe racha em sua base

Trump xinga apoiadores nas redes após receber críticas e expõe racha em sua base

Presidente usa sua rede social para ofender antigos aliados com adjetivos que antes guardava para opositores

Por Isabella Menon/Folhapress

11/04/2026 às 12:20

Atualizado em 11/04/2026 às 12:10

Foto: Reprodução/Instagram

Imagem de Trump xinga apoiadores nas redes após receber críticas e expõe racha em sua base

O presidente dos EUA, Donald Trump

"QI baixo", "pessoas estúpidas", "perdedores", "louca" e "falido". Esses são alguns dos xingamentos que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, costuma dirigir a opositores democratas e que, agora, foram usados contra figuras do próprio movimento Maga (sigla para "Faça a América Grandiosa Novamente", em inglês).

Em uma publicação na sua plataforma, a Truth Social, o republicano se se referia a nomes como Tucker Carlson, Megyn Kelly, Candace Owens e Alex Jones, que têm feito críticas à guerra no Irã e às ameaças feitas pelo presidente, como a de exterminar "uma civilização inteira".

Carlson, ex-âncora da Fox News, podcaster e antigo aliado de Trump, aconselhou o presidente a não entrar no conflito, segundo o jornal The New York Times. Desde o início dos ataques, ele se refere à guerra como "injusta" e "errada", além de lamentar as mortes de americanos. Nesta semana, afirmou ainda que militares deveriam se opor ao comando de Trump caso ele cumprisse a promessa de atacar iranianos se não houvesse acordo.

Na Truth Social, o presidente disse que os críticos não representam o Maga. "O Maga concorda comigo e acabou de dar à CNN uma taxa de aprovação de 100% de 'Trump’, não a esses tolos que agitam os braços como Tucker Carlson, que nem conseguiu terminar a faculdade, estava destruído quando foi demitido da Fox e nunca mais foi o mesmo", escreveu o presidente em um longo texto.

Megyn Kelly, também ex-âncora da Fox News, afirmou em um podcast que estava cansada da postura do presidente: "Será que você pode agir como um humano normal? Quer dizer, honestamente, como o presidente".

Já a influenciadora de direita Candace Owens, que apoiou a campanha de Trump, disse no ano passado que o presidente foi uma grande decepção. Após a ameaça de ataques ao Irã, ela defendeu a invocação da 25ª Emenda, que prevê a substituição do presidente caso ele seja incapaz de exercer suas funções. "Nosso Congresso e Exército precisam intervir", afirmou.

Já Alex Jones, descrito como "teórico da conspiração de direita", também defendeu a invocação da 25ª Emenda e foi chamado de "falido" pelo presidente.

Além dessas figuras, reportagem do The New York Times aponta que a própria Truth Social também tem sido palco de críticas ao presidente. Entre os comentários, usuários escrevem: "você está claramente insano", "você está alienando sua base todos os dias" e "Trump é um perdedor".

Jonathan Hanson, cientista político e professor da Universidade de Michigan, afirma que as críticas recentes dentro do movimento Maga ainda não representam uma ruptura ampla, mas já indicam sinais de desgaste em sua base de apoio. Segundo ele, o governo enfrenta dificuldades em áreas como economia, comércio e política externa, o que tem contribuído para a queda de popularidade do presidente.

Hanson observa que, embora Trump historicamente não tenha perdido o apoio de sua base mais fiel, começam a surgir inconsistências entre suas ações e promessas feitas aos eleitores. Ele destaca, por exemplo, a expectativa de que Trump evitaria novos conflitos externos.

"Muitas dessas pessoas realmente acreditavam que ele iria evitar se envolver em conflitos no exterior, que ele seria um presidente que traria paz e não iniciaria guerras", diz.

Para Hanson, o que se observa no momento são "fissuras" dentro do movimento, sobretudo entre figuras influentes da mídia conservadora, que passam a criticar Trump com mais frequência. Já entre parlamentares republicanos, ainda há cautela, motivada pelo receio de retaliações políticas internas.

O professor também aponta que parte desse grupo começa a olhar além de Trump e a pensar no futuro do movimento, especialmente diante da possibilidade de derrotas republicanas nas eleições legislativas. Ele afirma que, embora o apoio ainda seja forte, ele pode enfraquecer se a popularidade do presidente continuar caindo e se o cenário econômico piorar.

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