Neto e o bolsonarismo entre a política e psicoterapia, por Raul Monteiro*
Por Raul Monteiro*
24/04/2026 às 06:58
Foto: Reprodução/Arquivo
ACM Neto
Entre os desafios que o candidato ACM Neto (União Brasil) vai enfrentar em sua corrida ao Palácio de Ondina este ano está a definição do concorrente à sucessão presidencial que precisará apoiar. O dilema o acompanha desde a campanha de 2022, quando a ausência de um nome a quem pudesse associar-se nacionalmente acabou enfraquecendo-o frente ao governador Jerônimo Rodrigues (PT), cuja comunicação usou e abusou da condição de "desapadrinhamento federal" do adversário, cunhando, inclusive, o termo "candidato tanto faz" para desgastá-lo entre os eleitores.
Era uma situação oposta à de Jerônimo, que não apenas tinha Lula como um candidato presidencial para chamar de seu como precisava do petista para se tornar conhecido e alavancar seu nome no eleitorado. Neste quesito, a dificuldade do postulante oposicionista naquele momento se tornou, de fato, grande. Além de saber que o apoio a Jair Bolsonaro (PL) lhe tirava votos que compartilhava com o lulismo no Estado, Neto não disfarçava sua aversão pessoal a um presidente cujo radicalismo e a desqualificação intelectual são a marca, independentemente do seu "carisma antipetista".
A prova é que seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), ungido por ele como seu sucessor político e eleitoral, tem feito um esforço grande para, embora utilizando seu nome, travestir-se do figurino mais moderado possível, em busca do eleitorado de centro. De certa forma como antes, mais uma vez, o fantasma do lulismo e do bolsonarismo voltam a assombrar Neto. A bem da verdade, o candidato oposicionista tem uma opção para associar-se na corrida presidencial, representada pelo amigo, ex-correligionário e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que filiou-se ao PSD.
Embora ainda não esteja claro como a operação ocorrerá, dado concorrerem por partidos distintos, é uma saída para a reação contrária que Neto poderia provocar numa fatia importante do seu eleitor se tivesse que declarar apoio a Flávio no primeiro turno. O ponto de partida para a análise não é apenas o resultado da eleição passada, quando o fenômeno "Luneto" se manifestou concretamente nas urnas, mas pesquisas de monitoramento eleitoral que a campanha do candidato vem realizando desde o princípio do ano para definir sua estratégia de maneira mais assertiva.
Elas mostram, fundamentalmente, que Neto não pode dar-se ao luxo de abrir mão do eleitorado que pretende votar nele ao governo e em Lula para a Presidência da República se quiser ganhar as eleições. O problema é que do entendimento sobre a importância de sua 'neutralidade estratégica' não compartilham os radicais bolsonaristas baianos, como mostram recentes declarações de alguns de seus representantes, para os quais o apego ao líder decaído da seita política se mostra mais importante do que derrotar o petismo. Para convencê-los, não se sabe se é recomendável uma comunicação específica ou a psicoterapia.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
2 Comentários
Bruna Souza
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24/04/2026
•
05:39
Carlos Marques de Santana
•
24/04/2026
•
06:32
Em resposta a
@Bruna Souza
