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Empresa de Pablo Marçal repassou R$ 4,4 milhões a MC Ryan, acusado de lavar dinheiro do PCC, diz PF
Empresa de Pablo Marçal repassou R$ 4,4 milhões a MC Ryan, acusado de lavar dinheiro do PCC, diz PF
Investigações apontam que a negociação envolveu um suposto helicóptero
Por Felipe de Paula/Fausto Macedo/Estadão
17/04/2026 às 21:15
Foto: Reprodução/Redes sociais
Esquema de MC Ryan para lavagem do PCC teve transação de R$ 4,4 milhões com Pablo Marçal, aponta PF
Uma empresa pertencente ao ex-candidato à Prefeitura de São Paulo Pablo Marçal (União Brasil) transferiu R$ 4,4 milhões para uma conta pessoal do MC Ryan, acusado pela Polícia Federal de liderar uma engrenagem de ocultação e lavagem de bens à disposição do tráfico internacional de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC). O valor teria sido depositado na conta do funkeiro pela venda de um helicóptero Robinson R66 Turbine.
Marçal confirmou a transação, mas negou que o montante se refira à aeronave e afirmou que o pagamento diz respeito à aquisição de parte de um imóvel (leia abaixo)
Apoiador da candidatura de Pablo Marçal à Prefeitura em 2024, Ryan foi alvo da Operação Narco Fluxo na quarta-feira, 15, quando foi preso sob suspeita de liderar um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico internacional por meio de rifas e bets ilegais, além de atividades ligadas à produção musical e entretenimento.
A defesa de Ryan informou que todos os valores que transitam nas contas do funkeiro “possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos”.
Na representação da PF que embasou a Narco Fluxo, os investigadores destacam créditos da empresa R66 Air Ltda., que enviou R$ 4,4 milhões à pessoa física de MC Ryan SP. O quadro societário da companhia é composto por Pablo Marçal.
Segundo a apuração, o capital social da empresa é compatível com o valor de mercado de um helicóptero Robinson R66 Turbine, o que levanta a hipótese de que a transação esteja ligada à negociação da aeronave.
A rede de bets e rifas ilegais usada para lavar dinheiro do tráfico estruturou, segundo a investigação, “empresas de prateleira” e chegou a firmar contratos com fintechs investigadas nas operações Operação Compliance Zero, que atinge o Banco Master, e Operação Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de fraudes no INSS que lesou aposentados e pensionistas.
O esquema movimentou R$ 1,6 bilhão para o crime organizado, segundo a Polícia Federal, e tinha como operador-chave o contador Rodrigo Morgado, preso desde outubro de 2025 sob suspeita de prestar assessoria financeira ao Primeiro Comando da Capital.
A defesa afirma que ele “é profissional da área contábil, atuando estritamente dentro dos limites legais de sua profissão, não tendo qualquer envolvimento com atividades ilícitas”.
Na quarta-feira, 15, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão. Dos 39 mandados de prisão temporária expedidos, 33 foram executados.
Veja o que diz a assessoria de Pablo Marçal
“Sobre a referida operação financeira, trata-se de uma transação imobiliária onde uma das empresas de Marçal comprou um imóvel do Ryan, e parte do pagamento foi realizado através da transferência bancária citada, todo o processo de compra passou por diligências e compliance necessário para realização do negócio, que foi devidamente documentado e registrado em cartório e nos órgãos responsáveis, caso haja necessidade apresentaremos toda a documentação comprobatória às autoridades em tempo oportuno, se solicitado”.
Veja o que diz a defesa se MC Ryan
“A defesa técnica de MC Ryan informa, de forma respeitosa, que até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.
Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável.
A defesa confia plenamente que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente, acreditando que, já no início da investigação, a verdade dos fatos será devidamente demonstrada".
