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Dólar fecha novamente abaixo de R$ 5; Bolsa bate novo recorde

Dólar fecha novamente abaixo de R$ 5; Bolsa bate novo recorde

Moeda se mantém no menor patamar em dois anos, em meio à desvalorização global do dólar

Por Folhapress

14/04/2026 às 18:17

Atualizado em 14/04/2026 às 21:13

Foto: Marcello Casal Jr. Agência Brasil/Arquivo

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Dólar fechou em queda de 0,08%, cotado a R$ 4,992, nesta terça-feira (14)

O dólar fechou em queda de 0,08%, cotado a R$ 4,992, nesta terça-feira (14), com investidores acompanhando as negociações entre Estados Unidos e Irã e mais otimistas de que os países cheguem a um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.

É o menor valor desde 27 de março de 2024, quando encerrou o dia a R$ 4,980. Na mínima desta terça, a moeda chegou a R$ 4,971.

O movimento foi similar ao do exterior, onde o índice DXY, que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuou 0,25%, aos 98,11 pontos.

A Bolsa, por outro lado, fechou em nova máxima, de 0,33%, aos 198.657 pontos. Na máxima do pregão, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, chegou a 199.354 pontos —novo recorde intradiário.

"O principal fator segue sendo a expectativa sobre a retomada das conversas entre Estados Unidos e Irã. É possível que isso ocorra nos próximos dias, e o fôlego do mercado tem sido renovado, principalmente pela chance de a guerra chegar ao fim", diz Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos.

Nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que uma nova rodada de negociações com o Irã pode ocorrer ainda nesta semana. A informação foi divulgada pelo jornal New York Post.

A declaração reforçou reportagem da agência Reuters que, com base em fontes do governo iraniano, afirma que as negociações entre os países podem ser retomadas no fim desta semana.

As notícias impulsionaram o otimismo dos investidores que, assim como na véspera, ampliaram a busca global por ativos de risco.

"Esse movimento derruba o preço do petróleo, suaviza as curvas de juros, enfraquece o dólar globalmente e favorece ativos de risco, com destaque para o mercado brasileiro, que tem se beneficiado fortemente do fluxo externo", diz Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.

Por volta das 17h, o barril do Brent recuava 4,50%, cotado a US$ 94,91. No mesmo horário, o petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência nos EUA, caía 7,37%, a US$ 91,84.

A desvalorização do dólar é resultado de uma convergência de fatores que colocam o mercado brasileiro como um dos mais bem posicionados para enfrentar as turbulências globais causadas pela guerra no Irã.

A retomada do fluxo de investimentos estrangeiros para países emergentes, beneficiando o real, é um deles. No começo deste ano, esse movimento levou o dólar a R$ 5,12 e a Bolsa brasileira a bater diversos recordes em fevereiro. O fluxo, contudo, foi interrompido com a guerra no Irã.

Com o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, o otimismo voltou: a trégua entre os países, anunciado em 7 de abril, reduziu a aversão ao risco global e reacendeu o apetite dos investidores por ativos de mercados emergentes.

A isso se somam o diferencial de juros com os EUA e a distância do Brasil em relação ao conflito, considerados pontos a favor.

O movimento se intensificou a partir da última semana. Na sexta (10), a moeda encostou no patamar de R$ 5 pela primeira vez desde que foi alçada a esse valor, pegando carona no otimismo com uma trégua definitiva no Oriente Médio e no custo-oportunidade de investir no Brasil.

O fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã no final de semana chegou a impor cautela nos mercados, com a moeda atingindo a máxima de R$ 5,039 e a Bolsa, a mínima de 196.222 pontos, na última segunda.

A tendência, contudo, foi revertida, quando Trump afirmou a repórteres na Casa Branca que o Irã procurou pelo governo republicano visando o cessar-fogo na segunda-feira.

Na segunda-feira (13), a moeda encerrou com uma baixa de 0,26%, cotada a R$ 4,997.

Há, contudo, algumas incertezas. O bloqueio dos EUA ao estreito de Hormuz, determinado por Trump no domingo (12), continua após as delegações não chegarem a um acordo.

A medida foi uma resposta à cobrança de pedágio para embarcações. Em vez de reabrir a passagem, como previsto na trégua, Teerã estabeleceu uma rota que, segundo o governo iraniano, evita minas colocadas pela própria teocracia e passa por suas águas territoriais. Um petroleiro precisaria pagar US$ 1 em criptomoedas por barril de óleo transportado.

"O bloqueio será realizado de maneira imparcial contra embarcações de todos os países que entrem ou partam de portos e áreas costeiras do Irã", disseram os militares americanos, acrescentando que não impedirão a navegação de navios "que cruzem o estreito de Hormuz vindo de ou com destino a portos não iranianos".

O prazo de suspensão nuclear é considerado um dos principais impasses nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Os EUA propuseram uma suspensão de 20 anos de toda a atividade nuclear de Teerã, enquanto o país defende uma pausa de até cinco anos.

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