/

Home

/

Noticias

/

Economia

/

BRB ficará, no mínimo, um terço menor após Master, diz CEO do Banco de Brasília

BRB ficará, no mínimo, um terço menor após Master, diz CEO do Banco de Brasília

Por Adriana Fernandes e Nathalia Garcia, Folhapress

24/04/2026 às 13:16

Foto: BRB/Divulgação/Arquivo

Imagem de BRB ficará, no mínimo, um terço menor após Master, diz CEO do Banco de Brasília

O presidente do BRB (Banco de Brasília), Nelson Antônio de Souza

O CEO do BRB (Banco de Brasília), Nelson Antônio de Souza, calcula um encolhimento de, no mínimo, um terço do tamanho da instituição após a crise de capital e de liquidez gerada pelo envolvimento do banco estatal no escândalo do Master.

"Já está menor", admitiu Souza em entrevista ao C-Level, videocast da Folha. "Vamos ficar num tamanho em que o banco fique confortável para cumprir o papel para o qual foi criado: desenvolver Brasília e região."

Segundo o executivo, o BRB precisa da ajuda do Tesouro Nacional para viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões solicitado ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e a um grupo formado por grandes bancos —seu plano A para sair da crise. "Eu defendo que, em nome do sistema financeiro brasileiro, pudéssemos ter o aval", diz.

Para isso, o governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB, deverá formalizar um pedido ao governo Lula. "Creio que possamos chegar a um entendimento. Acredito que nós vamos evoluir para isso", afirma.

Ele reconhece que o ano eleitoral tem dificultado a saída da crise. A governadora do DF, Celina Leão (PP), pertence a um campo político adversário do PT em Brasília. "Nós já poderíamos estar lá na frente caso tivesse despolitizado um pouco tudo isso", diz.

Na entrevista, Souza fala das alternativas trabalhadas pelo banco e admite que poderá ter de fazer novos provisionamentos [reserva financeira para cobrir perdas] devido aos ativos ruins adquiridos do Master —o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em carteiras fraudulentas, mas as perdas podem ser maiores. Apesar da turbulência, ele manda um recado: "Para quem acha que o BRB vai quebrar e que vai aproveitar para levar esse banco, eu quero dizer que isso não vai acontecer".

O atual presidente do BRB evita falar de seu antecessor, Paulo Henrique Costa, que está preso por suspeita de ter recebido propina de Daniel Vorcaro, mas prevê novos desdobramentos a partir dos achados feitos pela auditoria independente.

Qual é o tamanho do prejuízo com o Master?
Nós fizemos uma provisão de R$ 8,8 bilhões. Não quer dizer que seja o prejuízo. E solicitamos junto ao FGC [um empréstimo] de R$ 6,6 bilhões. Não ficamos apenas com essa opção de capitalização. Temos outras opções também.

Há necessidade de provisionar mais?
A carteira que sobrou do Master no BRB foi de R$ 21,9 bilhões. Na proporção em que esses ativos vão ficando dentro da casa, vão também criando novas provisões. Vendemos R$ 1,9 bilhão para investidores qualificados do mercado. Permaneceram R$ 20 bilhões, que fizemos com a Quadra Capital um FIDC [Fundo de Investimento em Direito Creditório], de R$ 15 bilhões.

Todas essas perdas são oriundas da carteira [adquirida] do Master, R$ 2,6 bilhões [de prejuízo] são da Tirreno, que é pó, não existe lastro, ali é prejuízo. As demais são carteiras que existem e, por algum motivo, provisionamos, porque o fluxo [de pagamento] não estava chegando.

É possível provisionar [mais] caso nós encontremos [ativos problemáticos] dentro desses R$ 20 bilhões que estão sendo transferidos para o FDIC da Quadra Capital, mas em tempos e movimentos diferentes. Pode ocorrer? Pode. Mas não acreditamos que tenhamos mais grandes provisões.

Por que o BRB não diz o número do prejuízo?
Para se caracterizar [como prejuízo], precisa tentar recebê-lo e, a partir daí, dentro das regras contábeis tem um prazo para lançar. Nós estamos falando em [prejuízo], estamos falando em crédito em atraso. Nesses ativos que o BRB recebeu tem de tudo: restaurantes, terreno, cemitérios, terras raras.

Qual é o impasse para destravar o empréstimo com o FGC?
Falta definirmos quais são as garantias. Primeiro, os imóveis que foram aprovados pela Câmara Legislativa [do DF], com valores de R$ 6,5 bilhões. Tem alguns que não interessam muito, como o da Serrinha [do Paranoá], o próprio Centrad, mas os outros têm um potencial construtivo muito grande.

Sem a Serrinha e o Centrad, o valor cai para pelo menos dois terços disso...
É, cai para R$ 4 bilhões [ou] R$ 3,8 bilhões, mas nós não precisaríamos de mais do que isso. Temos também ações da Caesb [Companhia de Água e Esgoto], ações da CEB [Companhia Energética de Brasília]. Temos uma dívida ativa do GDF [Governo do Distrito Federal] de R$ 52 bilhões. Só a securitização dessa dívida dá pelo menos R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões de capital para aportar no BRB.

Mas por que o impasse com o FGC?
Não tem impasse. O consórcio de bancos, principalmente os bancos S1 [classificação para as maiores instituições], todos estão conversando conosco praticamente todo dia.

Quando vai ser assinado o contrato com o consórcio de bancos? E qual o valor?
Se nós formos realmente tomar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões, que a metade seja com FGC e que a outra metade com o consórcio de bancos.

O governo do DF não tem acesso à garantia do Tesouro Nacional para um empréstimo [tem nota de crédito baixa]. Existe a intenção formalizar um pedido de perdão para contar com ajuda do governo federal?
Seria bem-vinda. Uma das coisas que a governadora [Celina Leão] tem procurado fazer é exatamente essa aproximação, despolitizando, para que o governo federal esteja conosco nesse desafio.

Ministros do governo Lula já disseram que o DF tem de resolver sozinho. No máximo, poderia haver uma compra de carteiras de crédito do BRB pelos bancos federais.
O que queremos hoje é que o Tesouro possa estar conosco e que essa garantia junto ao FGC possa ser dada com um aval do Tesouro, ou junto ao FGC, ou então junto ao consórcio de bancos. Não ter de recorrer à securitização, não ter de recorrer a imóveis, não tem de recorrer a nada.

Por que o DF não formalizou ainda o pedido ao governo federal?
Antes de uma formalização, é importante ter uma conversa, ter um encaminhamento. A Celina e o presidente Lula são políticos renomados. Creio que possamos chegar a um entendimento. Queremos integralizar o aporte até o dia 29 de maio.

O fato de ser ano eleitoral tem atrapalhado esse processo?
Creio que sim. Nós já poderíamos estar lá na frente caso tivesse despolitizado um pouco tudo isso.

Por quanto tempo o BRB consegue segurar essa situação?
Trabalhamos três eixos: reputação de imagem, liquidez e capital. [Problema de] liquidez mata de repente por morte súbita, e [problema] de capital é morte lenta. Sempre brinco que o Lobo de Wall Street não é nada em valor e quantidade de clientes atingidos vis-à-vis o que está acontecendo aqui [em vítimas do Master].

Conseguimos regularizar o fluxo de liquidez. Não estou dizendo que tenhamos um colchão de liquidez que nos deixe de maneira confortável, não. Mas diria que a fase mais difícil de liquidez nós já passamos.

Nenhum banco público, mesmo aqueles dos anos 1990, quebrou. Ou ele foi privatizado ou federalizado. Ele não quebra. Essa possibilidade não existe.

O BRB pretende acessar a linha de liquidez do Banco Central?
Sim, se necessário. Em vez de buscar no mercado financeiro a um custo maior, é melhor pegar uma linha de liquidez disponível. Mas o banco em nenhum momento deixou de pagar seus compromissos, os empregados, deixou de cumprir com os depósitos judiciais que estão conosco. Continua operando normalmente. Ele é menor? Sim, ele já está menor. Agora, estamos tendo cuidado de ter um rigor muito grande com relação à despesa.

Quanto menor?
Tínhamos, quando da operação, R$ 80 bilhões de ativos. Eu acredito que o banco, no mínimo, vai diminuir um terço. Nós vamos ficar num tamanho em que o banco fique confortável e cumpra o papel para o qual foi criado: desenvolver Brasília e região.

Como vê a atuação de Paulo Henrique Costa, seu antecessor?
Eu prefiro declinar desse julgamento, mas eu posso falar do banco. Nós criamos uma auditoria independente. Todas as pessoas que foram por algum motivo citadas nesse relatório não estão ocupando cargos de função mais.

Quantas são?
Talvez mais de uma dezena de pessoas. De 10 a 20 pessoas mais ou menos. O que eu posso dizer é que haverá desdobramentos em razão dos achados do BC e do próprio relatório da auditoria independente. Também estamos tomando as providências. Por exemplo, [se] tem empregado que tem que responder a algum processo disciplinar, vai responder, se for empregado do banco. Se for estatutário, dirigente, ele vai responder via GDF e tem a área competente para isso.

Dentro do banco seriam quantos?
Dez ou 12, por aí. Mas eu não estou dizendo que eles fraudaram ou fizeram alguma coisa errada. O que eu estou dizendo é que pelos achados foi apontado que tinham de ser investigados. Nós achamos melhor, sem julgar nem pré-julgar, fazer a modificação completa na diretoria do banco. Não tem mais ninguém da diretoria anterior.

O sr. falou que o BRB já está menor.
O BRB está menor, mas está bem melhor do que antes do dia 18 de novembro de 2025 [data de deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero e da liquidação do Master].

Nós tínhamos, quando da operação, R$ 80 bilhões de ativos. Ninguém sabe o quanto vai ficar desses R$ 21,9 [bilhões das carteiras do Master].

Dá para dizer que o banco vai diminuir um terço?
Eu acredito que o banco, no mínimo, ele vai diminuir um terço.

O BRB também busca uma parcela de recursos acionando a Justiça [atrás de ativos do Master e de Daniel Vorcaro]. Qual é o total que o banco quer recuperar?
Desses R$ 21,9 bilhões, qualquer coisa que tiver nós queremos de volta. Já fizemos um arresto daqueles 23,5% de ações que estavam [no capital do BRB] via fundos [e pertenciam a Vorcaro]. Nós já bloqueamos e queremos trazê-las para o BRB.

Todos os valores que estão sendo detectados de algumas carteiras, sejam elas de atacado, mas sejam principalmente de varejo, que é o Credcesta, em que o fluxo financeiro esteja passando para o liquidante do Master ou do Banco Will ou do Banco Pleno, que tem recursos nossos, [queremos] que esse fluxo financeiro venha para o BRB.

O banco pediu isso já tem algum tempo.
Os fluxos começaram a chegar. Valores pequenos, menos de R$ 200 milhões ainda.

Juntando tudo, quanto daria?
Nós estamos pensando em uma média de R$ 3 bilhões. Mas isso ao longo do tempo, ao longo do fluxo financeiro, que os clientes vão pagando suas prestações.

Existem empresas ou instituições financeiras que querem tirar proveito do banco, que está passando por esse abalo?
Para quem acha que o BRB vai quebrar e que vai aproveitar para levar esse banco, eu quero dizer que isso não vai acontecer. O BRB vai continuar sólido.

Falava-se sobre a constituição de um fundo de investimento imobiliário com as propriedades do DF. O BRB abandonou essa ideia? Qual que é o plano A do BRB?
A prioridade é o empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos. Com relação ao fundo de investimento imobiliário, não é que nós desprezemos essa opção. Pela judicialização, ela se tornou intempestiva.

Raio-X | Nelson Antônio de Souza, 66

Presidente do BRB desde novembro de 2025. Tem mais de 40 anos de experiência no setor financeiro e na administração pública. Foi presidente da Caixa Econômica Federal em 2018. Presidiu também, em 2014, o Banco do Nordeste. De 2019 a 2021, comandou a Desenvolve SP e liderou empresas do governo de São Paulo, como Emplasa, CPOS e Codasp. Esteve à frente da Brasilcap entre 2021 e 2024 e atuou como vice-presidente da Elo em 2024 e 2025. Iniciou sua trajetória profissional no Banco do Brasil.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.