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Produtores de arroz interrompem colheita por falta de diesel

Produtores de arroz interrompem colheita por falta de diesel

Por Pedro Lovisi, Folhapress

08/03/2026 às 17:55

Atualizado em 08/03/2026 às 17:26

Foto: Divulgação/MST/Arquivo

Imagem de Produtores de arroz interrompem colheita por falta de diesel

Colheita de arroz orgânico em São Jerônimo (RS)

Os produtores de arroz do Rio Grande do Sul estão desde a última quinta-feira (5) sem receber diesel em suas fazendas, segundo a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). O estado é responsável por 70% da produção do grão no país e está no auge do período de colheita.

O diesel é importante porque é o combustível usado pelos produtores para operar os maquinários usados na plantação, como tratores. Sem ele, os produtores não conseguem colher o grão.

"O produtor está tendo que ir aos postos de gasolina para pegar diesel, mas isso dá para no máximo um dia; não é possível operacionalizar dessa forma", diz Domingos Velho Lopes, presidente da Farsul. "Os produtores têm estoque em geral de quatro dias a uma semana, e o problema vai ser muito grave se não receber até o meio desta semana, até porque se o produtor demorar mais de três dias, ele perde a colheita."

De acordo com ele, as dficuldades começaram na última terça (3), em meio aos ataques dos Estados Unidos ao Irã e a redução na produção de petróleo por alguns países países do Oriente Médio. Nos últimos cinco dias, o preço do barril de petróleo Brent, referência mundial, subiu 14,65%, desestabilizando o mercado internacional do combustível.

Hoje, cerca de 70% do mercado de petróleo do Brasil é atendido pela Petrobras, sendo o restante atendido por refinarias privadas ou importadoras –no caso do diesel, cerca de 30% é importado. A estatal tem uma política de preços de não conversão imediata dos preços internacionais para o mercado nacional, mas especialistas apontam que os impactos são inevitáveis no médio prazo.

Ainda são incertas as causas na suspensão do fornecimento de diesel para os produtores do Rio Grande do Sul. Geralmente, a entrega do combustível na região se dá por meio dos chamados TRR, sigla para Transportador Revendedor Retalhista –empresas autorizadas pelo governo federal a adquirir grandes quantidades de combustível e em sequência vender no varejo.

De acordo com Lopes, no entanto, esses transportadores têm avisado aos produtores que as distribuidoras reduziram a entrega do combustível nos últimos dias. "Começou um jogo de empurra-empurra; as distribuidoras estão dizendo que a culpa é da refinaria e os TRR culpam as distribuidoras", afirma.

A suspeita é que algum elo da cadeia possa estar travando o fornecimento de diesel, à espera de os preços crescerem ainda mais nos próximos dias. Analistas internacionais temem que o barril de petróleo Brent chegue próximo aos US$ 100 (hoje, está sendo vendido a US$ 87,44).

Neste domingo (8), a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) publicou uma nota, dizendo estar ciente da situação no Rio Grande do Sul. Segundo o órgão regulador, o estado conta com estoques suficientes para assegurar o abastecimento regular de diesel. "A produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pelo principal fornecedor da região (Refinaria Alberto Pasqualini -Refap)", afirmou.

Ainda de acordo com a agência, as distribuidoras serão notificadas para prestar esclarecimentos sobre o volume de diesel em estoque e os pedidos recebidos. "Caso seja necessário, a agência está preparada para adotar todas as medidas cabíveis a fim de assegurar a continuidade e a normalidade da oferta de diesel no país", completou.

Procurada, a Petrobras disse que não houve qualquer alteração em relação às entregas de diesel por parte de suas refinarias e que elas estão ocorrendo conforme o planejado. "Especificamente em relação ao estado do Rio Grande do Sul, ratificamos que as entregas de diesel estão sendo realizadas dentro do volume programado", afirmou. A empresa é a responsável pela refinaria que atende o Rio Grande do Sul.

Para Francisco Neves, diretor-executivo da Associação Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis, não há dúvidas que a guerra no Irã impacta o mercado nacional de petróleo e derivados. "Mas isso não quer dizer que vai faltar produto. O que há é uma tensão na oferta e restabelecimento dos preços, que a médio prazo vão se ajustar", diz.

 

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