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Após ameaça comercial de Trump, governo da Espanha diz que país não aceitará ser vassalo

Após ameaça comercial de Trump, governo da Espanha diz que país não aceitará ser vassalo

Governo espanhol mantém postura contra guerra e compara situação aos conflitos na Ucrânia e Gaza

Por Folhapress

04/03/2026 às 20:20

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil/Arquivo

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O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez

A Espanha "não será vassala" de outro país, disse a ministra do Orçamento, Maria Jesus Montero, nesta quarta-feira (4), após as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cortar o comércio com Madri por causa de sua posição contra os ataques de Washington ao Irã.

A tensão aumentou depois que o chanceler alemão, Friedrich Merz, declarou na Casa Branca que a Espanha precisaria ser "convencida" a aceitar uma meta mais elevada de gastos militares da OTAN, atualmente discutida em 3,5% do PIB. Trump, por sua vez, voltou a defender que aliados destinem até 5% do produto interno bruto à defesa.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, disse que Madri compartilhou com a Alemanha sua "surpresa" diante das declarações de Merz.

"Não consigo imaginar os chanceleres [Angela] Merkel ou [Olaf] Scholz fazendo tais declarações", disse Albares em entrevista à emissora estatal TVE.

A Espanha se recusou a autorizar o uso de duas bases militares operadas conjuntamente com os Estados Unidos para ataques contra o Irã. Em resposta, Trump ordenou que seu governo avaliasse o corte de todos os laços comerciais com o país europeu. "A Espanha tem sido terrível", afirmou, acrescentando que o país "não tem absolutamente nada de que precisamos".

O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez chamou a guerra no Irã de "desastre", comparando-a à invasão da Ucrânia pela Rússia e ao ataque de Israel a Gaza.

Sánchez disse nesta quarta-feira que era contra o regime iraniano, mas argumentou que o ataque ao país era uma violação do direito internacional.

"Não se pode responder à ilegalidade com mais ilegalidade, porque é assim que começam os grandes desastres da humanidade", disse ele em um discurso à nação.

A firme oposição da Espanha à guerra no Irã, que a tornou uma exceção na Europa, era consistente com sua posição sobre os conflitos na Ucrânia e em Gaza, disse Sánchez, resumindo sua postura como "não à guerra".

"Somos contra este desastre porque entendemos que os governos estão aqui para melhorar a vida das pessoas, para fornecer soluções aos problemas, não para piorar a vida das pessoas", disse ele, pedindo que todos os envolvidos recorram ao "diálogo e à diplomacia".

Ele comparou a guerra no Irã com a invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003, que, segundo ele, produziu mais terrorismo, uma crise migratória na Europa e um aumento nos preços de energia.

"É verdade que ainda é cedo demais para saber se a guerra no Irã terá consequências semelhantes às do Iraque", disse ele. "O que sabemos é que ela não produzirá uma ordem internacional mais justa, nem levará a salários mais altos e melhores serviços públicos, ou a um meio ambiente mais saudável."

Sem responder diretamente à ameaça comercial de Trump, Sánchez afirmou confiar "na força econômica, institucional e moral" da Espanha.

Leia também: Resistência da Espanha e apoio hesitante do Reino Unido ao conflito no Irã geram atritos com Trump

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