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Reviravolta na Bahia: Ida de Caiado para PSD transforma Coronel em cisne, enfraquece Otto, fortalece Neto e coloca PT na defensiva

Reviravolta na Bahia: Ida de Caiado para PSD transforma Coronel em cisne, enfraquece Otto, fortalece Neto e coloca PT na defensiva

Por Política Livre

28/01/2026 às 11:58

Atualizado em 28/01/2026 às 16:04

Foto: Arte Política Livre

Imagem de Reviravolta na Bahia: Ida de Caiado para PSD transforma Coronel em cisne, enfraquece Otto, fortalece Neto e coloca PT na defensiva

Virada

A entrada de Ronaldo Caiado, governador de Goiás, no PSD, onde deve ganhar a disputa com Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR) para concorrer à presidência da República, promoverá provavelmente uma grande reviravolta política na Bahia, onde o senador Angelo Coronel (PSD) pode deixar a condição de patinho feio excluído pelo PT da chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT) para dar as cartas na sucessão estadual.

Max Haack/Divulgação

Max Haack/Divulgação



Concessão

Com Caiado como candidato a presidente, o PSD pode até fazer uma concessão, permitindo que o senador Otto Alencar vote em Lula na Bahia, mas certamente não negará a Coronel o direito de concorrer à reeleição. Pelo contrário, deve estimular a candidatura do senador numa coligação com o candidato das oposições ao governo, ACM Neto, que já assumira o compromisso de apoiar Caiado à Presidência quando ele ainda estava no União Brasil.

Poder

Para aliados próximos, Neto também pode condicionar apoio ao nome de Caiado ou eventualmente ao de outro candidato do PSD a uma coligação com o partido de Kassab na Bahia que inclua a candidatura à reeleição de Coronel em sua chapa. "Neto pode muito bem dizer que vota no candidato do PSD a presidente desde que Coronel seja candidato a senador em sua chapa numa coligação com o PSD na Bahia com ele", diz importante apoiador do ex-prefeito de Salvador.

Andressa Anholete/Agência Senado

Andressa Anholete/Agência Senado



Três no páreo

A Operação Caiado-PSD aponta, a priori, para a consolidação de três candidaturas no campo da oposição ao presidente Lula em outubro - a do PSD, que pode ser encabeçada por ele, por Ratinho ou Leite, a do Novo, a ser liderada por Romeu Zema, governador de Minas Gerais, e a do PL, com Flávio Bolsonaro - com igual impacto na Bahia e repercussão favorável à candidatura de Neto ao governo.

Sem força

Pelos cálculos dos netistas, com Zema apoiado pelo candidato a governador José Carlos Aleluia, o nome do PSD respaldado por Neto e Flávio concorrendo em articulação com João Roma, um dos candidatos ao Senado na chapa do ex-prefeito, dificilmente Lula terá forças para catapultar a candidatura de Jerônimo à reeleição, como fez na sucessão de 2022. Naquela eleição, Neto, inclusive, teve 20% dos votos lulistas no Estado.

Mateus Pereira/GOVBA

Mateus Pereira/GOVBA



Risco sim

Sob o impacto da filiação de Caiado, Otto tem buscado dizer a correligionários e aos petistas, que não corre o risco de perder o comando do PSD no Estado, mas não consegue negar que o movimento fortaleceu a posição de Coronel em detrimento da dele, restando-lhe apenas, até agora, o direito de apoiar Lula e Jerônimo. Para reforçar que sua posição não é mais a de senhor da legenda na Bahia, está o histórico de cinco intervenções feitas por Kassab em estados nos últimos meses.

Saída desenhada

Antes do movimento de Caiado, aliados de Coronel traçavam cenário em que ele poderia deixar o PSD até março e migrar para a oposição. Se o movimento se confirmasse, o destino estaria praticamente definido: o União Brasil. A discussão acontecera com Neto, diante da avaliação dos riscos de concorrer em um partido que caminhava para seguir aliado ao PT. Uma vez na oposição, seria eleitoralmente mais interessante para Coronel vestir a camisa do 44. Mas veio o destino e...

Banco de reserva

Quem acompanha com apreensão as discussões sobre a montagem da chapa de Neto é o Republicanos, que pode novamente ficar de fora. Em 2022, a vice da chapa do ex-prefeito ao Palácio de Ondina foi ocupada pela empresária Ana Coelho, filiada ao partido, sem relação orgânica com a legenda, numa estratégia conhecida como “barriga de aluguel”. Agora, os bispos do partido esperavam espaço para o deputado federal Márcio Marinho ou ao menos para o ex-deputado Marcelo Nilo, mas...

Divulgação

Divulgação



Racha bolsonarista

O rompimento do presidente do PL de Ilhéus, Thiago Martins, com o prefeito Valderico Júnior (União) seria mais um sinal do mal-estar do bolsonarismo raiz com Neto. Thiago, que preside a Fundação Maramata, órgão municipal, é ligado ao deputado federal Capitão Alden (PL), que tem apontado o descumprimento de acordos firmados em 2024 por prefeitos do União. A insatisfação se repete em cidades como Feira de Santana, com José Ronaldo de Carvalho, e até Salvador, sob a gestão de Bruno Reis.

Conta alta

Nos bastidores, o estopim do rompimento em Ilhéus foi a falta de espaço político do PL na gestão municipal. Segundo aliados, compromissos envolvendo cargos e um alegado 'conteúdo programático' não foram cumpridos lá e nas outras cidades, o que levou Capitão Alden a colocar em xeque o apoio dos bolsonaristas à candidatura de Neto ao governo, independentemente da vontade de João Roma.  

Pitacos

* Auxiliares de Jerônimo analisam pesquisas internas que medem o impacto da saída de Angelo Coronel da base. Bem situado no centro e até na direita, Coronel também tira votos do senador Jaques Wagner (PT) e do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT).

* Em cenários com João Roma candidato pela oposição, cresce o risco de Jaques Wagner não se reeleger. Rui segue bem posicionado na briga pela primeira vaga.

*Tem muita gente no PT aguardando o impacto de eventuais futuras revelações envolvendo Roma e o banqueiro baiano Guga Lima.

* Alden também está em choque com Roma. Esta semana, em entrevista à CBN, Alden disse que não tirava o “chapéu” para Roma como dirigente partidário, apenas como pessoa. 

* Roma, no mesmo veículo, rebateu: “Eu fico até agradecido que ele tira o chapéu para mim como pessoa, que eu acho que é o que importa. Cada um pode ter a sua discordância”, disse Roma. 

Max Haack/Divulgação

Max Haack/Divulgação



* O vereador Sandro Filho (PP) ainda estuda se lançar a deputado federal, mesmo com todo desgaste que teve nos últimos meses com a sua expulsão do MBL. O edil entende que conseguiu manter a sua base eleitoral mesmo fora do grupo. 

* O site Política Livre noticiou que Sandro estaria “paquerando” o Bolsonarismo, mas, ao que tudo indica, uma possível aproximação com a extrema direita vai ficar para depois. 

* Um deputado estadual do PP que pode estar desembarcando no PSB confessou a este Política Livre estar preocupado com as eleições 2026. Para ele, “nunca foi tão caro fazer campanha na Bahia”. 

* Segundo o parlamentar, apesar de haver uma tendência para sua ida para o PSB, o martelo não está totalmente batido devido a “contas que precisam ser feitas para garantir a reeleição”.

* Um político aliado do PT confidenciou a este Política Livre que não gostou do filme "O Agente Secreto", que já rendeu vários prêmios e indicação ao Oscar ao baiano Wagner Moura. Segundo ele, o filme não condiz com o título, é muito demorado e tem história fraca.

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