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Produção de jumentos do semiárido nordestino é apresentada em Universidade de Agricultura da China, uma das mais antigas do mundo

Produção de jumentos do semiárido nordestino é apresentada em Universidade de Agricultura da China, uma das mais antigas do mundo

Por Redação

22/01/2026 às 12:00

Atualizado em 22/01/2026 às 15:26

Foto: Divulgação

Imagem de Produção de jumentos do semiárido nordestino é apresentada em Universidade de Agricultura da China, uma das mais antigas do mundo

Durante o encontro, os docentes compartilharam experiências nas áreas de reprodução equídea e manejo produtivo do leite de jumentas

A convite do Departamento de Zootecnia e Tecnologia da Universidade de Agricultura da China, fundada em 1905, os professores Gustavo Ferrer Carneiro, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e Jorge Lucena, da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE), ministraram palestras a estudantes e pesquisadores chineses. Durante o encontro, os docentes compartilharam experiências nas áreas de reprodução equídea e manejo produtivo do leite de jumentas, promovendo um relevante intercâmbio científico entre as instituições.

O convite partiu do professor Dr. Sheming Zhang, docente titular da universidade chinesa. A agenda incluiu visitas técnicas a duas fazendas especializadas na cria, recria e engorda de asininos, além do Instituto Nacional de Inovação e Pesquisa da Cadeia Industrial dos Asininos e do Centro Nacional de Criação de Jumentos. Essas instituições são referência mundial por incorporar tecnologias avançadas voltadas à produção, pesquisa e desenvolvimento da asininocultura.

De acordo com o professor Jorge Lucena, que desde 2018 lidera estudos sobre identificação e viabilidade da produção leiteira de fêmeas asininas na UFAPE, a oportunidade de apresentar resultados de pesquisas e trocar experiências com profissionais e estudantes chineses foi extremamente enriquecedora.

“A visita à China, além de promover um importante intercâmbio científico, trouxe a convicção de que a combinação do sistema extensivo de criação praticado no Brasil, com menor custo alimentar, às avançadas tecnologias de ordenha utilizadas nas fazendas chinesas, evidencia o enorme potencial comercial que o leite asinino pode representar para o nosso país”, destaca. Lucena ressalta ainda que, na China, a cadeia produtiva do leite é um dos pilares da sustentabilidade da cadeia da carne asinina, uma vez que fornece machos e fêmeas de descarte para o abate, dinâmica semelhante à da bovinocultura no Brasil, contribuindo diretamente para o equilíbrio populacional da espécie. Para o professor Gustavo Ferrer Carneiro, a visita à Universidade de Agricultura da China e o fortalecimento das relações institucionais entre Brasil e China são estratégicos para a introdução de tecnologias avançadas e práticas inovadoras no país.

“Esse intercâmbio é fundamental para ampliar a produtividade e a eficiência da asininocultura, superar desafios reprodutivos e avançar na consolidação de uma nova cadeia produtiva sustentável. Trata-se de uma iniciativa com impacto econômico, ambiental e social”, afirma.

Entre os ganhos imediatos da missão técnica estão as trocas de experiências sobre tecnologias avançadas de reprodução, como técnicas de congelamento de sêmen e produção de embriões por meio da ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide). Também foram compartilhados conhecimentos sobre diferentes sistemas de ordenha, com produções variando entre 50 e 500 litros diários. A interação proporcionou significativo aprimoramento técnico aos profissionais envolvidos. As visitas reforçaram ainda o potencial da pesquisa brasileira para o desenvolvimento e a difusão de métodos eficientes de produção de asininos no Brasil, tanto para a produção de leite quanto de carne.

“Os dias de imersão na China demonstraram que o nosso modelo de produção na Caatinga apresenta elevada viabilidade financeira quando comparado ao sistema chinês”, observa o professor Gustavo.

Está prevista, em breve, a visita ao Brasil do professor chinês que, juntamente com Gustavo Ferrer Carneiro, integra o Conselho Diretor da Sociedade Internacional de Reprodução Equídea (ISER). Durante a estadia, ele ministrará palestras em universidades de Pernambuco, compartilhando sua experiência em reprodução e biotecnologias avançadas, já consolidadas na China. A iniciativa deve ampliar o intercâmbio científico e fortalecer as parcerias institucionais.

Os trabalhos de pesquisa em reprodução e produção de leite asinino no Brasil seguem em constante evolução. Em curto prazo, resultados práticos em biotecnologias avançadas deverão estar disponíveis para a sociedade, promovendo rápida multiplicação produtiva. Outro avanço esperado é a publicação de estudos sobre métodos de pasteurização do leite asinino que preservam suas características farmacológicas.

O cenário aponta para uma oportunidade estratégica de crescimento da asininocultura no Brasil, baseada em ciência, tecnologia e modelos produtivos sustentáveis. 

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