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Erika Hilton pede à AGU ação contra fake news sobre Lula e transfobia

Erika Hilton pede à AGU ação contra fake news sobre Lula e transfobia

Por Victória Cócolo, Folhapress

19/01/2026 às 15:25

Foto: Vinicius loures/Câmara dos Deputados/Arquivo

Imagem de Erika Hilton pede à AGU ação contra fake news sobre Lula e transfobia

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP)

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) pediu à AGU (Advocacia-Geral da União) que adote providências contra veículos de comunicação e perfis nas redes sociais que atribuem falsamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a prática do crime de transfobia.

Na semana passada, Lula participou de um evento na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, no qual trocou o pronome feminino "ela" pelo masculino "ele" ao se referir à deputada estadual Érika Takimoto (PT-RJ). Segundo a assessoria de imprensa do presidente, o mandatário se confundiu. Takimoto é uma mulher cisgênero.

O petista discursava sobre inteligência artificial no momento em que ocorreu o engano. "Vocês mulheres tomem cuidado com essa tal de inteligência artificial. Eles são capazes de tirar uma foto sua, sentada do jeito que você está, e colocar você pelada no celular. [...] É capaz de tirar uma foto da 'Érika' vestidinha, do jeito que ele está aqui, com a perna cruzada, e amanhã aparecer ela pelada", afirmou.

Dois dias depois, perfis de políticos de direita, como o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o vereador Rubinho Nunes (União Brasil-SP), publicaram conteúdos associando o episódio à deputada federal Erika Hilton— que é transexual—, acusando Lula de transfobia e cobrando que a parlamentar tomasse providências.

Em ofício encaminhado ao advogado-geral da União, Jorge Messias, Erika Hilton sustenta que conteúdos disseminados nas redes sociais distorceram trechos do discurso do presidente para criar a narrativa de que ele teria se referido a ela no masculino durante um evento oficial.

O documento aponta que a narrativa falsa ganhou ampla repercussão, com milhões de visualizações em publicações feitas por parlamentares, influenciadores e veículos que se apresentam como jornalísticos.

A deputada classifica as postagens como desinformação deliberada e calúnia, com potencial de causar danos à imagem do presidente, alimentar a polarização política e comprometer a confiança nas instituições.

Erika Hilton pede a investigação de uma possível coordenação entre os responsáveis pela disseminação do conteúdo, a responsabilização dos envolvidos, a retratação pública das informações falsas e a remoção das postagens pelas plataformas digitais. A parlamentar também solicita que a Secretaria de Comunicação Social da Presidência seja informada sobre a existência da rede de desinformação.

"Evidentemente que o Sr. Presidente não praticou transfobia, muito menos contra a Deputada Federal Erika Hilton, uma vez que ela nem estava presente à cerimônia, e ele inquestionavelmente se referia a uma "Erika" presente na plateia", diz o texto.

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