Home
/
Noticias
/
Exclusivas
/
Com medo de parecer presunçoso, Wagner tenta segurar Coronel no campo governista, por Raul Monteiro*
Com medo de parecer presunçoso, Wagner tenta segurar Coronel no campo governista, por Raul Monteiro*
Por Política Livre
17/01/2026 às 12:00
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado/Arquivo
O senador Jaques Wagner (PT)
Astúcia em excesso acaba em seu reverso, já ensinava Machiavel. O imbróglio em torno da situação do senador Angelo Coronel (PSD) no campo do governo é uma prova exemplar da frase. Ele foi excluído da chapa de Jerônimo Rodrigues (PT) onde pretendia disputar a reeleição pelo senador Jaques Wagner (PT), que não quer, entretanto, perdê-lo para a campanha de ACM Neto (União Brasil), candidato das oposições ao governo. Por isso, Wagner fez uma proposta considerada inaceitável pelo senador e sua mulher, Eleusa: colocá-lo em sua suplência.
Dessa forma, Coronel poderia ser convocado a assumir o mandato, caso Lula se reeleja e escolha Wagner para um de seus ministérios. É este o teor de uma conversa que o presidente da República pretende ter com Coronel na próxima semana, a pedido do próprio Wagner. Mas, assim como o senador petista, Coronel não é menino. Sabe essencialmente que um suplente nunca é um mandatário. A qualquer descontentamento do titular ou do seu grupo ou em decorrência de uma injunção sobre a qual o mandatário e o suplente não tenham controle, ele pode dançar.
Portanto, não se trata de acordo que se aceite, mesmo que faça parte dele o presidente da República. É louvável que Wagner demonstre estar empenhado em resolver o caso Coronel. Afinal, foi ele que o criou ao descumprir um outro acordo, firmado em 2022, pelo qual garantiu que não seria candidato à reeleição este ano. Agarrou-se à Câmara Alta, a qual muitos se referem como céu em Brasília e dela não quer desapegar. Na época da promessa, Wagner queria transmitir a certeza ao então governador Rui Costa (PT) de que ele seria o candidato do grupo a senador em 2026.
Como se sabe, naquele ano, Wagner, sabidamente, abortou o plano que Rui alimentava de disputar o Senado naquele momento, o que implicaria em ter entregue o governo ao então vice João Leão (PP) com grande probabilidade de que o PT perdesse o poder no Estado pelas mãos da oposição ou dentro do próprio grupo que o partido liderava. Para estimular Rui a permanecer na cadeira, comprometer-se com a campanha de Jerônimo, o senador assegurou que ele seria o candidato do grupo ao Senado em seu lugar, já que as demais três vagas da chapa seriam preenchidas pelo governador, um petista, e o PSD e outro partido da coligação.
Aproveitando-se do afastamento de Coronel do petismo e do próprio presidente da República no curso de seu mandato, Wagner mudou de planos e decidiu concorrer à reeleição, formando uma chapa puro-sangue, com três petistas, hoje jocosamente chamada por ele de chapa "puro-governador". Apesar do namoro de Coronel com ACM Neto, uma aliança entre os dois, nos termos idealmente desejados por Coronel é difícil. Mas Wagner sabe que perde mais do que ganha tirando o senador da disputa do seu lado. É Coronel que vai decidir se aceita a esperteza de Wagner e vira seu suplente, se rompe com o governo ou então concorre a deputado federal no mesmo grupo.
*Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição da última quinta-feira (15) na Tribuna da Bahia.
