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Lula descarta privatizar os Correios, mas sugere parcerias com companhias

Lula descarta privatizar os Correios, mas sugere parcerias com companhias

Presidente fala em companhias italianas interessadas em discutir negócios com a estatal

Por Mariana Brasil/Catia Seabra/Lucas Marchesini/Isadora Albernaz/Raquel Lopes/Folhapress

18/12/2025 às 17:05

Atualizado em 18/12/2025 às 18:20

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Lula descarta privatizar os Correios, mas sugere parcerias com companhias

Agência dos Correios

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) descartou nesta quinta-feira (18) a privatização dos Correios, que vive momento de crise.

"Enquanto for presidente, não tem privatização", declarou. "O que pode ter é construção de parcerias com empresas. Enquanto eu tiver na presidência, não vai haver a palavra privatização dessas empresas [estatais] não pode existir. Pode transformar em empresa de economia mista, mas privatização, não vai ter".

Segundo pessoas que participam dessas discussões, há um esforço da nova gestão dos Correios de estudar novos modelos, como uma joint-venture com parceiros privados para tocar negócios específicos, ou até reformulações mais amplas no futuro, como a abertura de capital, transformando a empresa em uma sociedade de economia mista, mantido o controle da União —como já ocorre com Petrobras e Banco do Brasil, por exemplo.

"Eu sempre digo que uma empresa pública não precisa ser a rainha do lucro, mas não pode sera rainha do prejuízo, ela tem que se equilibrar", disse Lula.

Após um período no azul entre 2017 e 2021, que teve seu auge na pandemia de Covid-19 devido à expansão acelerada do comércio eletrônico, os Correios passaram a acumular prejuízos crescentes a partir de 2022.

Para além da chamada "taxa das blusinhas" (a cobrança de impostos sobre encomendas internacionais de até US$ 50 que, de fato, desfalcou suas receitas), a empresa já vinha penando com a deterioração de suas operações e com o descontrole sobre ações judiciais que impactam o caixa da companhia. Enquanto isso, continuou aumentando despesas.

Na semana passada, um grupo de cinco bancos, dois deles controlados pelo governo federal, fechou proposta para conceder empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios, vinculado ao plano de reestruturação da estatal.

O custo da operação ficou dentro do teto de 120% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) estipulado pelo Tesouro Nacional para conceder garantia soberana. Isso significa que a União honrará os pagamentos em caso de inadimplência, o que torna o risco de prejuízo praticamente nulo para as instituições financeiras.

Até o dia esta sexta-feira (19), os Correios precisam pagar o 13º salário dos trabalhadores. Diante disso, o Executivo colocou a data como limite para destravar a operação, dada a impossibilidade técnica de fazer um aporte com recursos próprios do governo ainda em 2025.

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