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Governo deve afrouxar meta fiscal de estatais em 2026 para acomodar socorro aos Correios

Governo deve afrouxar meta fiscal de estatais em 2026 para acomodar socorro aos Correios

Por Idiana Tomazelli, Folhapress

01/12/2025 às 21:41

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

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Sem essa medida, Executivo estaria sob risco de precisar segurar outras despesas do Orçamento em ano eleitoral

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve afrouxar a meta fiscal das estatais federais em 2026 para acomodar as despesas relacionadas ao plano de reestruturação dos Correios.

Sem essa medida, o Executivo estaria sob risco de precisar segurar outras despesas do Orçamento para compensar o estouro no alvo a ser perseguido pelas empresas, a exemplo do que foi feito em 2025. Num ano eleitoral, porém, a contenção seria um tema delicado para o governo.

Neste ano, a equipe econômica precisou segurar R$ 3 bilhões em gastos para compensar o déficit maior das estatais, decorrente principalmente da situação dos Correios.

A empresa aprovou a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões junto a bancos públicos e privados, como antecipou a Folha. O dinheiro será usado para financiar as ações previstas em seu plano de reestruturação, como PDV (programa de demissão voluntária), regularização de pagamentos com fornecedores e quitação de outras dívidas.

Os recursos do empréstimo são uma receita financeira, que não conta para a meta fiscal das estatais. Já os gastos serão primários. Por isso, haverá um desequilíbrio significativo.

O PLDO (projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026 autoriza um déficit de até R$ 6,75 bilhões para as estatais no ano que vem (além de R$ 5 bilhões extras em investimentos do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento).

O projeto foi enviado ao Congresso em abril, muito antes de qualquer previsão do governo de socorro aos Correios, e ainda está em tramitação. Por isso, dois interlocutores do governo a par das discussões afirmam que a maior probabilidade é rever a meta das estatais para patamares compatíveis com o plano de sustentabilidade da empresa. A informação foi dada primeiro pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

Apesar disso, ainda não há um número fechado para a nova meta, uma vez que ela dependerá diretamente das projeções da empresa. Além disso, um dos técnicos avalia que a mudança precisa vir acompanhada de um compromisso firme dos Correios com o plano de reestruturação.

A meta das estatais vale para as empresas não dependentes do Tesouro, ou seja, que não precisam recorrer a recursos do acionista controlador (neste caso, a União) para bancar despesas operacionais, como salários e outras ações de custeio. A metodologia vigente desconta apenas duas estatais dessa conta: Petrobras e ENBPar (estatal que detém o controle da Eletronuclear e da fatia brasileira na usina hidrelétrica de Itaipu).

Ao flexibilizar esse alvo, o governo autoriza um déficit maior nas estatais e evita que o Executivo precise compensar esse desequilíbrio com um gasto menor de sua parte. Como saldo final, a dívida pública pode encerrar o ano de 2026 em um patamar mais elevado.

Na semana passada, em entrevista coletiva sobre as estimativas do Orçamento de 2025, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que ainda não havia recebido nenhum pedido para mudar a meta fiscal das estatais. "Não tenho uma demanda nesse sentido", disse.

Na ocasião, ele disse que o impacto da crise dos Correios no Orçamento seria ainda maior em 2026, mas acenou com a possibilidade de isso ser acomodado com novas contenções de despesas ou esforço extra das demais estatais.

"Como o problema é grande, a gente considera o risco de ser um impacto maior [do que em 2025]", afirmou na ocasião.

Apesar da alta probabilidade de mudança, uma ala do governo vê a medida com reservas, pois há risco de impacto negativo perante o mercado financeiro, dada a consequência sobre a trajetória da dívida pública.

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