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Noruega anuncia investimento de US$ 3 bi a fundo para florestas criado pelo Brasil

Noruega anuncia investimento de US$ 3 bi a fundo para florestas criado pelo Brasil

Por Fábio Pupo e Gabriel Gama, Folhapress

06/11/2025 às 16:08

Foto: Divulgação/Arquivo

Imagem de Noruega anuncia investimento de US$ 3 bi a fundo para florestas criado pelo Brasil

É o 3º país estrangeiro a anunciar valores para o instrumento e o que mais prometeu recursos

A Noruega se comprometeu a investir ao longo de dez anos US$ 3 bilhões no TFFF, o fundo criado pelo Brasil para preservação de florestas em países em desenvolvimento. É o maior aporte anunciado no mecanismo por enquanto.

Com o anúncio, a Noruega se torna o terceiro país estrangeiro a citar valores para abastecer o TFFF (sigla em inglês para Fundo para Florestas Tropicais para Sempre). Até a manhã desta quinta, só a Indonésia tinham se comprometido com um valor —o mesmo a ser destinado pelo Brasil, de US$ 1 bilhão. Depois, Portugal anunciou mais 1 milhão de euros.

O anúncio desta quinta foi feito pelo primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store, durante a COP30 (conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas). Ele teve encontro com Lula e outros chefes de Estado durante o evento.

O ministro do Meio Ambiente da Noruega, Andreas Bjelland Eriksen, reproduziu o anúncio em rede social. "A ideia por trás do mecanismo é tão simples quanto brilhante: países com florestas tropicais que mantiverem uma taxa de desmatamento abaixo de 0,5% poderão receber uma parte dos rendimentos do fundo. Assim, podemos criar juntos uma fonte de receita permanente para países que mantêm suas florestas em pé, em vez de derrubá-las", afirmou.

O que é o TFFF

O TFFF é uma proposta inédita para usar recursos públicos e privados no financiamento da conservação ambiental. O mecanismo remunera tanto quem preserva a natureza como quem investe no mecanismo e é visto pela gestão Lula como um legado a ser deixado pela COP30.

O ritmo de adesões, no entanto, desafia o otimismo da administração petista. Pelo modelo proposto, mais de 70 países em desenvolvimento –entre eles, o Brasil– poderão receber pagamentos do fundo se mantiverem suas florestas em pé. As checagens, hectare por hectare, serão feitas via satélite de forma recorrente e os recursos serão repassados diretamente a governos nacionais, incentivando esforços ambientais.

O objetivo é captar US$ 25 bilhões de diferentes países, sobretudo os mais ricos. Outros US$ 100 bilhões seriam obtidos por meio da captação de dívida no mercado privado (nesse caso, um investidor compra uma cota do fundo em troca de rendimentos ao longo do tempo).

O Brasil vê chance de outros países anunciarem seus valores também, em especial os que participaram da concepção do fundo –como Reino Unido, França e Emirados Árabes. Recentemente, Haddad afirmou que espera US$ 10 bilhões em recursos de países até o ano que vem.

Rendimentos

Pela proposta, o fundo, a ser administrado pelo Banco Mundial, usará os US$ 125 bilhões totais para investir em uma carteira de investimentos diversificados de renda fixa. Os rendimentos obtidos por essas aplicações –calculados em 7% a 8% ao ano– vão remunerar tanto quem colocou recursos como quem preservou florestas.

Os investidores devem ficar com uma fatia de aproximadamente 4% do valor investido ao ano, o mesmo gerado pela aplicação em títulos do Tesouro americano (referência global por ser considerado o investimento mais seguro do mundo e, por isso, pagar juros menores).

"O título vai pagar a remuneração similar à do Tesouro americano", disse Dubeux. "Mas com um componente verde que outros investimentos AAA ou AA [papeis mais seguros do mercado] não têm tão forte. No diálogo que a gente tem tido em Londres, em Nova York, a gente vê uma recepção muito alta".

Após a remuneração aos investidores, o restante dos recursos vai ser transferido aos países que preservam florestas tropicais –o que vai representar de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões anuais ao todo. Segundo Dubeux, o valor a ser repassado vai superar, em muitos casos, os respectivos orçamentos nacionais para o meio ambiente.

Dubeux afirma que o valor projetado para o fundo faz dele um dos maiores instrumentos multilaterais já criados na história. "O Brasil teria algo em torno de US$ 1 bilhão", disse o secretário da Fazenda.

"Evidentemente que, por ter a Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, o Brasil é dos principais beneficiários. Mas é algo distribuído para todos os países [em desenvolvimento e com florestas elegíveis]".

O valor a ser repassado é de US$ 4 por hectare, ajustado anualmente pela inflação. Quando houver desmatamento ou degradação por fogo, o pagamento é reduzido –o que faz o fundo gerar um mecanismo de penalização quando houver perda da vegetação.

O governo brasileiro vê o TFFF como um complemento ao mercado de carbono. Enquanto o primeiro se volta à preservação da floresta já existente, o segundo funciona principalmente na recuperação de áreas já desmatadas.

"A gente espera que o TFFF seja uma das grandes entregas da COP, mesmo que a gente não chegue no momento inicial nos US$ 25 bilhões [de aportes de países] e a gente consiga isso ao longo dos meses subsequentes. Só ter o engajamento dos países em um fundo com essa ordem de grandeza já vai ser uma grande entrega", disse Dubeux.

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