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CPI do INSS retira de pauta convocação de Messias, indicado de Lula para STF
CPI do INSS retira de pauta convocação de Messias, indicado de Lula para STF
Por Caio Spechoto/Folhapress
27/11/2025 às 11:55
Foto: Geraldo Magela/Arquivo/Agência Senado
CPMI do INSS
A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga os descontos irregulares em benefícios do INSS retirou de pauta sem votar nesta quinta-feira (27) os requerimentos de convocação para o advogado-geral da União, Jorge Messias, depor. O assunto é delicado para o governo porque Messias foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).
O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), disse que o requerimento, assim como outros que foram retirados de pauta, serão votados na semana que vem.
Os requerimentos de convocação de Messias defendem que o ministro compareça ao colegiado para explicar a atuação da AGU (Advocacia Geral da União) na recuperação de valores desviados no escândalo do INSS e o alerta feito por procuradores do órgão sobre o volume de processos relacionados aos descontos em aposentadorias, entre outros pontos.
Depoimentos em CPIs são momentos de desgaste político. Adversário têm oportunidade de fazer acusações, gravar os discursos e disseminar tudo em redes sociais. Também há tentativas de provocar reações que prejudiquem o depoente em momentos de irritação.
O governo formou maioria na CPI e vem ganhando as votações de requerimentos mais sensíveis. Nas últimas semanas, porém, a relação do Executivo com deputados e senadores se deteriorou.
Se a convocação de Messias for aprovada, caberá ao presidente da CPI marcar a data do depoimento. Messias tem outro compromisso importante com data já marcada no Senado: a sabatina e votação que o aprovará ou não para o STF em 10 de dezembro.
O prazo e é exíguo para o indicado reverter a resistência que o Senado tem demonstrado a seu nome. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e diversos outros senadores queriam que Lula tivesse indicado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) em vez do advogado-geral da União.
Alcolumbre chegou a dizer publicamente que, se pudesse, faria ele mesmo a indicação. Também respondeu de maneira fria a uma nota pública em que Messias o elogiava.
O indicado de Lula tem procurado senadores por telefone e pessoalmente para tentar reverter a resistência a seu nome. Como mostrou a Folha, Messias diz, nessas conversas, que não pode ser penalizado pelo desentendimento entre Alcolumbre e o governo.
Ele precisa que ao menos 41 dos 81 senadores votem favoravelmente à sua indicação. Antes, Messias precisará responder a perguntas de senadores na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e ter a indicação votada no colegiado.
